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Morto bem vivo

O Retorno da Múmia é eletrizante,
divertido
e já rendeu uma pirâmide
de dinheiro

Isabela Boscov

 
2001 Universal
Fraser e Vosloo: ação que não pára

O diretor Stephen Sommers é um adepto fervoroso da máxima que prega que em time que está ganhando não se mexe. Na aventura O Retorno da Múmia (The Mummy Returns, Estados Unidos, 2001), que estréia nesta sexta-feira no país, praticamente não há personagem – vivo ou morto – de A Múmia que não bata cartão em cena. Todos tiveram sua sobrevivência assegurada pelo sucesso do primeiro filme, uma das maiores bilheterias de 1999. Não é difícil explicar por que tudo dá certo nessa franquia. Primeiro, ela parte de uma fórmula consagrada por Steven Spielberg na série Indiana Jones: muita ação, doses idênticas de humor, cenários exóticos, um certo clima romântico e um galã simpático, espirituoso e cheio de expedientes – mas que também apanha um bocado. No caso, o sujeito dotado de todas essas qualidades (que nos anos 80 fizeram a fama de Harrison Ford) é Brendan Fraser. Como seu predecessor, Fraser é do tipo forte e bonitão, mas não demais. É, além disso, um ator competente, capaz de emprestar graça até às falas mais bobinhas.

Fraser vive o aventureiro Rick O'Connell, agora marido da egiptóloga Evelyn (Rachel Weisz) e pai de um garoto muito levado, Alex. É por causa dele que, mais uma vez, o apocalipse ronda a humanidade: Alex abre uma caixa tirada pelos pais de uma tumba, encontra nela um bracelete e trata de experimentá-lo. Péssima idéia: trata-se da jóia que vai ressuscitar um tal de Escorpião Rei, que há alguns milhares de anos comandou uma devastação. O único que pode deter o Escorpião é o sacerdote Imhotep (Arnold Vosloo), a Múmia em pessoa. E dá-lhe ação, sem parar. O filme não tem o refinamento das fitas de Indiana. Mas dá, e bem, para o gasto. Seus produtores que o digam – O Retorno da Múmia fez 68 milhões de dólares em sua estréia nos Estados Unidos, uma pirâmide de dinheiro. A cifra talvez anime Steven Spielberg a levar adiante o projeto de realizar um quarto Indiana Jones. Aliás, é bom mesmo que ele se apresse: não falta muito para Harrison Ford entrar na terceira idade.

   
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