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Nova esperança

Aprovada nos Estados Unidos
uma droga contra um dos tipos
mais agressivos de leucemia

Anna Paula Buchalla

Em um dos processos mais rápidos de sua história, o FDA, a rigorosa agência americana de controle de remédios e alimentos, aprovou na semana passada uma droga contra um tipo de câncer sanguíneo, a leucemia mielóide crônica. Do pedido de liberação do Gleevec ao o.k. do FDA transcorreram apenas três meses – a agência leva, em média, três anos para avalizar um medicamento. A urgência da aprovação explica-se. Fabricado pelo laboratório Novartis, o Gleevec vem sendo considerado uma revolução no tratamento de um câncer extremamente agressivo e letal, com 1.500 novos doentes por ano no Brasil. O medicamento está previsto para chegar ao país no próximo mês e será vendido sob o nome de Glivec.

A leucemia mielóide crônica caracteriza-se por uma aceleradíssima multiplicação das células de defesa do organismo, os glóbulos brancos. Dada a velocidade dessa proliferação celular, os glóbulos brancos não têm tempo para amadurecer, comprometendo o sistema imunológico. Pertencente à categoria dos "remédios inteligentes", o Gleevec bloqueia a proteína que comanda o processo de reprodução das células doentes. Isso representa uma grande conquista: até agora, nenhum outro remédio contra câncer havia conseguido interferir nos fatores desencadeantes de um tumor. O mecanismo de ação do Gleevec permite que as células sadias do organismo sejam preservadas durante o tratamento. Na terapia tradicional, à base de quimioterápicos, todas as células do corpo do paciente são atacadas. Por isso, os doentes sofrem efeitos colaterais terríveis. Ao conservar as células sadias intactas, o medicamento provoca poucas e relativamente brandas reações adversas.

O Gleevec já foi testado em 7.500 doentes em todo o mundo, 200 deles no Brasil. Com a ingestão de uma pílula por dia, 99% dos pacientes em estágio inicial da doença tiveram a contagem de glóbulos brancos normalizada. Nos quadros mais avançados, os níveis se estabilizaram em até 50% dos casos. A droga também vem sendo testada com sucesso contra um tipo raro de tumor gastrointestinal. "É preciso deixar claro, no entanto, que o Gleevec não serve para todos os tipos de câncer", alerta o oncologista Olavo Feher, do Hospital do Câncer, de São Paulo. O novo remédio só tem chance de funcionar em relação a tumores de desenvolvimento semelhante ao da leucemia mielóide crônica. Além disso, é muito cedo para falar em cura. Um paciente de qualquer tipo de câncer só pode se dizer livre da doença se, depois de cinco anos do fim do tratamento, o tumor não voltar a se manifestar.



   
 
   
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