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Bicicleta era sua
avó
Exposição
mostra a evolução
técnica
e estética das motos
nos últimos 100 anos

Marcelo Camacho
Marco de Bari
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Divulgação

1908
Uma Peugeot, francesa, do começo do século passado:
no princípio, todas as motos ainda pareciam bicicletas com
motores adaptados |
Pequena e leve (pesa apenas 3 quilos), a motocicleta Excelsior Split,
de fabricação inglesa, parece até um patinete motorizado.
Mas não é nenhum brinquedo. Na II Guerra Mundial, ela foi
uma arma estratégica usada pelos aliados para atacar as tropas
nazistas na Europa. Seu apelido era "A Descartável". Os pára-quedistas
saltavam dos aviões carregando nas mãos caixotes com as
motos dentro. No chão, elas eram montadas e serviam de veículo
até as trincheiras mais distantes, onde eram abandonadas. Uma Excelsior
Split, de 1935, é agora um dos destaques da exposição
Motocicleta: História e Design, aberta ao público
a partir desta semana no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro.
São 100 motocicletas de todas as décadas do século
XX. No conjunto, é um passeio pela evolução técnica
e estética do veículo que, desde sua criação,
esteve ligado ao gosto pela aventura e pela liberdade que une os motociclistas
até este começo do século XXI.
Rosane Marinho

1935
A Excelsior Split, fabricada na Inglaterra, apelidada na II Guerra
Mundial de "A Descartável": depois de usada, era
jogada fora |
A mostra
que em agosto chega a São Paulo é uma atração
à parte para o brasileiro, povo apaixonado não só
por carros, mas também por motos. No ano passado, foram vendidas
574.000 unidades no Brasil, o que faz do país
o sexto mercado mundial para os fabricantes do setor. O veículo
é hoje associado à praticidade e à velocidade, mas
nem sempre foi assim. O parente mais distante da motocicleta atual é
a bicicleta. No final do século XIX, surgiram em diferentes pontos
da Europa bicicletas que traziam rudimentares motores adaptados à
sua estrutura. Eram as primeiras motocicletas. Na exposição
carioca, há uma motocicleta Brown Precision, de 1907, com farol
e tudo, cujo motor funciona até hoje. A ela, somam-se outros modelos
antigos que ainda têm a aparência de bicicletas.
Divulgação

1960
Motocicleta com side-car, da alemã BMW: o modelo, que é
sinônimo de charme, já foi uma poderosa arma de guerra
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A evolução do veículo deu-se graças às
provas de velocidade na primeira década do século passado,
embora essas primeiras máquinas dificilmente ultrapassassem 30
quilômetros por hora. Na II Guerra Mundial, as motos ganharam papel
de destaque. Só os Estados Unidos fabricaram 300.000
para ser usadas no conflito. Ficou famosa a infantaria motorizada alemã,
com motocicletas equipadas com side-car (aquele compartimento lateral
onde se podia transportar um passageiro). "Um soldado guiava a moto e
o outro atirava com a metralhadora", diz o argentino Ernesto Texo, curador
da exposição. Duas charmosas motos de passeio com side-car
poderão ser vistas na exposição do Museu Histórico
Nacional. Também marcam presença motocicletas que ficaram
famosas no cinema, como uma réplica do modelo Harley-Davidson usado
por Peter Fonda e Dennis Hopper em Sem Destino, filme de 1969.
Acompanham a peça trechos da fita em que Fonda e Hopper falam sobre
a liberdade individual e a emoção da vida sobre duas rodas.
Quem visitar a exposição certamente se deixará impregnar
por essa sensação.
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