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Edição 1 700 - 16 de maio de 2001
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Bicicleta era sua avó

Exposição mostra a evolução
técnica e estética das motos
nos últimos 100 anos

Marcelo Camacho

Marco de Bari


Divulgação

1908
Uma Peugeot, francesa, do começo do século passado: no princípio, todas as motos ainda pareciam bicicletas com motores adaptados


Pequena e leve (pesa apenas 3 quilos), a motocicleta Excelsior Split, de fabricação inglesa, parece até um patinete motorizado. Mas não é nenhum brinquedo. Na II Guerra Mundial, ela foi uma arma estratégica usada pelos aliados para atacar as tropas nazistas na Europa. Seu apelido era "A Descartável". Os pára-quedistas saltavam dos aviões carregando nas mãos caixotes com as motos dentro. No chão, elas eram montadas e serviam de veículo até as trincheiras mais distantes, onde eram abandonadas. Uma Excelsior Split, de 1935, é agora um dos destaques da exposição Motocicleta: História e Design, aberta ao público a partir desta semana no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro. São 100 motocicletas de todas as décadas do século XX. No conjunto, é um passeio pela evolução técnica e estética do veículo que, desde sua criação, esteve ligado ao gosto pela aventura e pela liberdade que une os motociclistas até este começo do século XXI.


Rosane Marinho

1935
A Excelsior Split, fabricada na Inglaterra, apelidada na II Guerra Mundial de "A Descartável": depois de usada, era jogada fora

A mostra – que em agosto chega a São Paulo – é uma atração à parte para o brasileiro, povo apaixonado não só por carros, mas também por motos. No ano passado, foram vendidas 574.000 unidades no Brasil, o que faz do país o sexto mercado mundial para os fabricantes do setor. O veículo é hoje associado à praticidade e à velocidade, mas nem sempre foi assim. O parente mais distante da motocicleta atual é a bicicleta. No final do século XIX, surgiram em diferentes pontos da Europa bicicletas que traziam rudimentares motores adaptados à sua estrutura. Eram as primeiras motocicletas. Na exposição carioca, há uma motocicleta Brown Precision, de 1907, com farol e tudo, cujo motor funciona até hoje. A ela, somam-se outros modelos antigos que ainda têm a aparência de bicicletas.


Divulgação

1960
Motocicleta com side-car, da alemã BMW: o modelo, que é sinônimo de charme, já foi uma poderosa arma de guerra


A evolução do veículo deu-se graças às provas de velocidade na primeira década do século passado, embora essas primeiras máquinas dificilmente ultrapassassem 30 quilômetros por hora. Na II Guerra Mundial, as motos ganharam papel de destaque. Só os Estados Unidos fabricaram 300.000 para ser usadas no conflito. Ficou famosa a infantaria motorizada alemã, com motocicletas equipadas com side-car (aquele compartimento lateral onde se podia transportar um passageiro). "Um soldado guiava a moto e o outro atirava com a metralhadora", diz o argentino Ernesto Texo, curador da exposição. Duas charmosas motos de passeio com side-car poderão ser vistas na exposição do Museu Histórico Nacional. Também marcam presença motocicletas que ficaram famosas no cinema, como uma réplica do modelo Harley-Davidson usado por Peter Fonda e Dennis Hopper em Sem Destino, filme de 1969. Acompanham a peça trechos da fita em que Fonda e Hopper falam sobre a liberdade individual e a emoção da vida sobre duas rodas. Quem visitar a exposição certamente se deixará impregnar por essa sensação.

 

   
 
   
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