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Aviso às balzaquianas

Mulheres na faixa dos 30
anos devem
se preocupar
com a saúde do coração

Cristina Poles

Os médicos costumam dizer que a maioria das mulheres só precisa se submeter a exames preventivos contra males cardíacos depois da menopausa. Um estudo americano, no entanto, coloca em xeque esse preceito. Pesquisadores da Universidade de Pittsburgh acompanharam 380 pacientes e verificaram que os principais fatores de risco para doenças cardiovasculares começam a prejudicar o coração feminino cerca de vinte anos antes da chegada da menopausa. Os médicos notaram um aumento nos níveis do colesterol ruim e de triglicérides e uma baixa nas taxas do colesterol bom em mulheres já na faixa dos 30 anos. Há duas explicações para essas ameaças precoces. A primeira são os maus hábitos da vida moderna – sedentarismo, comidas gordurosas, tabagismo e stress. A segunda é que a produção do hormônio estrógeno começa a se tornar mais escassa a partir dos 35 anos. Publicado na revista Stroke, da Associação Americana do Coração, o trabalho leva à conclusão de que os exames preventivos contra os distúrbios cardíacos têm de ser antecipados. Sem falar das já manjadíssimas recomendações de não fumar, fazer ginástica, beber com moderação e manter uma dieta equilibrada.

Hormônio feminino por excelência, o estrógeno protege o coração ao manter normais os níveis de colesterol e ao impedir o depósito de placas de gordura nas artérias. Como o estrógeno funciona como um guardião do sistema cardiovascular, acreditava-se que as mulheres estariam mais propensas a sofrer de problemas cardíacos com a interrupção completa na produção do hormônio. E mesmo assim de dez a quinze anos depois da menopausa. Os fatores de risco só resultariam em danos para o coração depois desse período. O estudo de Pittsburgh afirma que o cenário propício para um infarto demora anos para ser montado. E que essa bomba-relógio é ativada muito tempo antes da menopausa – e não depois dela. Os pesquisadores americanos constataram que as maiores alterações que acompanham a última menstruação são o aumento na pressão arterial e a elevação nas taxas de glicose no sangue, indicador do diabetes. Essas duas mudanças, no entanto, não estão diretamente relacionadas ao depósito de placas de gordura nas artérias. "A pesquisa de Pittsburgh mostra que é possível determinar com vinte anos de antecedência quem tem mais probabilidade de sofrer um infarto na menopausa", afirma Mário Maranhão, presidente da Federação Mundial de Cardiologia. Agora, recomenda-se às mulheres que, a partir dos 35 anos, se submetam anualmente a exames de dosagem de colesterol e triglicérides.

 

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  Ouça entrevista com o presidente da Federação Mundial de Cardiologia, Mário Maranhão


   
 

 


Montagem sobre fotos de Marcio Capovilla e Science Photo Library
Fontes: Revista Stroke e Mário Maranhão, cardiologista

 

   
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