
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
Crie
seu grupo

|
|
O poder
grisalho
Ricos
como nunca, idosos
americanos
trocam
o pijama pelos prazeres da vida
Gabriela
Carelli
AP/Santa Monica Outlook

Aposentados
gaitistas: 44% dos idosos acham a velhice a melhor fase da vida |
Um
estudo da Universidade do Kentucky com um grupo de 678 freiras com mais
de 65 anos ganhou notoriedade ao revelar que hábitos simples mas
disciplinados, como escrever e trabalhar diariamente, podem evitar o mal
de Alzheimer. A pesquisa é um achado. Oferece a possibilidade de
prevenção de uma doença que provoca a demência,
ainda não tem cura e atinge hoje 4 milhões de americanos,
todos idosos. As estimativas apontam que dentro de cinqüenta anos
o mal acometerá 14 milhões de pessoas. O estudo do Kentucky,
que foi parar na capa da revista Time, é um reflexo da enorme
preocupação que os americanos têm com a qualidade
de vida na chamada terceira idade. Nunca os velhos viveram tanto tempo
e com tanto dinheiro nos Estados Unidos. O censo concluído no ano
passado informa que há atualmente 35 milhões de pessoas
acima de 65 anos no país. A renda média das famílias
chefiadas por elas é de 157.000 dólares
por ano, somando patrimônio, ações e outros investimentos
financeiros. É quase o dobro da renda das famílias que têm
como chefe pessoas com idade entre 45 e 54 anos.
Os números
da indústria farmacêutica são os maiores indicadores
do poder de consumo dos velhos americanos. Só neste ano estão
sendo pesquisados 700 novos remédios para curar os males do envelhecimento,
como Alzheimer, Parkinson, artrite, diabetes e problemas cardiovasculares.
Cada uma dessas pesquisas tem o custo médio de 300 milhões
de dólares. No ano passado o estudo de drogas que aumentam a qualidade
de vida dos idosos movimentou 26 bilhões de dólares nos
Estados Unidos e a previsão deste ano é que beire os 30
bilhões. O mercado de medicamentos é um dos segmentos que
mais lucram com o gray power o "poder grisalho". Estudo
publicado nesta semana pelo Sistema Nacional de Saúde Pública
dos Estados Unidos aponta que o envelhecimento da população
e o aumento de doenças degenerativas fizeram os americanos aumentar
em 20,8 bilhões de dólares seus gastos com remédios
no ano passado. Segundo a consultoria IMS Health, só os tratamentos
oferecidos para doenças cardiovasculares e do sistema nervoso central
renderam 78 bilhões de dólares para os maiores laboratórios
do mundo em 2000.
O potencial
econômico representado pela população de aposentados
nos Estados Unidos é estupendo. Eles são capazes de façanhas
surpreendentes (veja quadro).
Gastam cerca de 16 bilhões de dólares por ano comprando
óculos de grife. Arrematam para seus netos 25% do total de brinquedos
oferecidos pelas prateleiras do país e enriquecem as agências
de turismo gastando 30 bilhões de dólares por ano com férias.
Eles preferem cruzeiros de luxo e safáris na África. Empresas
pontocom criaram 50.000 sites especialmente
para eles, vorazes consumidores de computadores. Dos idosos, 50% têm
computador próprio e 70% navegam na internet. Toda essa extravagância
transformou-os na menina-dos-olhos das agências de publicidade.
"Eles são uma força poderosa de nossa economia", disse a
VEJA a publicitária Maryalice Kennedy, diretora de comunicação
da agência Young & Rubicam em Nova York. Dos idosos americanos,
75% lêem revistas e 87% lêem jornais com regularidade, 10%
vêem novelas e 90% ficam atentos aos programas de notícias.
"Eles sabem
da importância de seu papel social e de sua força política",
disse Elizabeth Markson, socióloga da Universidade de Boston especializada
em terceira idade. Estima-se que mais de dois terços das pessoas
com 65 anos ou mais tenham votado nas últimas eleições.
Em 1996, pouco menos da metade dos americanos mais novos aptos a votar
49% dos eleitores se deu ao trabalho de comparecer às
urnas, na maior abstenção desde 1924. Os idosos dos EUA
que desfrutam aposentadorias e patrimônios polpudos atualmente são
uma geração privilegiada. Eles culminam a trajetória
da primeira geração de americanos que conheceu períodos
de fartura e paz durante a maior parte da vida. Pelo menos 63% deles têm
poupança, 38% investem em fundos de pensão, 21% têm
ações na bolsa de valores e 79% possuem casa própria.
O paraíso
financeiro na aposentadoria é uma conquista que os idosos brasileiros
estão longe de alcançar. Em geral, com a idade avançada
vem a perda de poder aquisitivo. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea) mostram que a renda das pessoas com idade entre 65 e 70
anos é 30% inferior à da população dez anos
mais jovem. Mas, de certa forma, a atual geração da terceira
idade é a que possui maior solidez financeira da história
do país. Cerca de 37% dos idosos brasileiros ajudam financeiramente
seus filhos e netos. Os fundos de pensão no Brasil somam 320 bilhões
de reais, cerca de 30% do PIB. "Os velhos americanos se preparam para
a aposentadoria durante cinqüenta anos. Entre nós ninguém
planeja o futuro com tanta antecedência", diz Roberto Apelfeld,
diretor executivo do Citigroup Asset Management. As pessoas entre 40 e
55 anos nos Estados Unidos já atraem a atenção dos
empresários especializados em produtos para idosos. "Nós
também temos de nos preparar com antecedência para o momento
em que os adultos serão idosos consumidores", diz Maryalice Kennedy.
Se elas seguirem a estratégia dos pais, provavelmente vão
perpetuar um dos indicadores levantados pelos institutos de pesquisas
dos Estados Unidos: 44% da população idosa americana define
o momento atual como o mais feliz de sua vida. Não é para
menos. Os avanços da medicina e da tecnologia permitem aos velhos
conviver melhor com as fragilidades típicas da idade. Os automóveis
são mais fáceis de conduzir e mais seguros do que os que
existiam quando os pais da atual geração de americanos idosos
começaram a dirigir. Drogas como os antidepressivos de última
geração e o Viagra mantêm os idosos com uma idade
real bem abaixo de sua idade biológica, abrindo para eles a possibilidade
de desfrutar a natureza e a vida sexual mais intensamente. Há alguns
anos, George Bush, o ex-presidente americano, pai do atual, George W.
Bush, saltou espetacularmente de pára-quedas. Ele estava com 72
anos quando repetiu a façanha dos tempos em que lutou contra os
japoneses na II Guerra Mundial.
|
Quase
três em cada dez americanos têm acima de 50 anos.
São
74 milhões de pessoas que:
compram 41% dos carros novos e
48% dos carros de luxo
detêm 77% dos bens patrimoniais
de pessoas físicas
79%
têm
casa própria
são portadoras de quase metade dos cartões de crédito
do país
são responsáveis por mais de 60%
dos gastos com saúde no país
consomem 74% dos medicamentos
vendidos sob receita médica
ocupam 70% das vagas nos cruzeiros
de luxo nos Estados Unidos
Fonte: Age Wave
|
|
|
 |
|
 |

|
 |