Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 700 - 16 de maio de 2001
Geral Sociedade
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Sumário
Brasil
Internacional
Geral
  Roupas e dinheiro também são coisa de criança
A angústia provocada pelos exames genéticos
Os fortes restaurados da costa brasileira
Assessoria francesa melhora vinho chileno
Como vivem os jovens Orleans e Bragança
Ricos como nunca, velhos americanos se divertem
Mulher na faixa dos 30 precisa cuidar do coração
A evolução das duas rodas nos últimos 100 anos
Carro da Mercedes lembra nave dos Jetsons
Visto americano para brasileiros muito qualificados
FDA aprova em tempo recorde droga contra leucemia
A execução de McVeigh passo a passo
A Broadway paulistana
É possível deixar de ser gay?
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Claudio de Moura Castro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Hipertexto
Notas internacionais
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

O poder grisalho

Ricos como nunca, idosos americanos
trocam o pijama pelos prazeres da vida

Gabriela Carelli

 
AP/Santa Monica Outlook

Aposentados gaitistas: 44% dos idosos acham a velhice a melhor fase da vida

Um estudo da Universidade do Kentucky com um grupo de 678 freiras com mais de 65 anos ganhou notoriedade ao revelar que hábitos simples mas disciplinados, como escrever e trabalhar diariamente, podem evitar o mal de Alzheimer. A pesquisa é um achado. Oferece a possibilidade de prevenção de uma doença que provoca a demência, ainda não tem cura e atinge hoje 4 milhões de americanos, todos idosos. As estimativas apontam que dentro de cinqüenta anos o mal acometerá 14 milhões de pessoas. O estudo do Kentucky, que foi parar na capa da revista Time, é um reflexo da enorme preocupação que os americanos têm com a qualidade de vida na chamada terceira idade. Nunca os velhos viveram tanto tempo e com tanto dinheiro nos Estados Unidos. O censo concluído no ano passado informa que há atualmente 35 milhões de pessoas acima de 65 anos no país. A renda média das famílias chefiadas por elas é de 157.000 dólares por ano, somando patrimônio, ações e outros investimentos financeiros. É quase o dobro da renda das famílias que têm como chefe pessoas com idade entre 45 e 54 anos.

Os números da indústria farmacêutica são os maiores indicadores do poder de consumo dos velhos americanos. Só neste ano estão sendo pesquisados 700 novos remédios para curar os males do envelhecimento, como Alzheimer, Parkinson, artrite, diabetes e problemas cardiovasculares. Cada uma dessas pesquisas tem o custo médio de 300 milhões de dólares. No ano passado o estudo de drogas que aumentam a qualidade de vida dos idosos movimentou 26 bilhões de dólares nos Estados Unidos e a previsão deste ano é que beire os 30 bilhões. O mercado de medicamentos é um dos segmentos que mais lucram com o gray power – o "poder grisalho". Estudo publicado nesta semana pelo Sistema Nacional de Saúde Pública dos Estados Unidos aponta que o envelhecimento da população e o aumento de doenças degenerativas fizeram os americanos aumentar em 20,8 bilhões de dólares seus gastos com remédios no ano passado. Segundo a consultoria IMS Health, só os tratamentos oferecidos para doenças cardiovasculares e do sistema nervoso central renderam 78 bilhões de dólares para os maiores laboratórios do mundo em 2000.

O potencial econômico representado pela população de aposentados nos Estados Unidos é estupendo. Eles são capazes de façanhas surpreendentes (veja quadro). Gastam cerca de 16 bilhões de dólares por ano comprando óculos de grife. Arrematam para seus netos 25% do total de brinquedos oferecidos pelas prateleiras do país e enriquecem as agências de turismo gastando 30 bilhões de dólares por ano com férias. Eles preferem cruzeiros de luxo e safáris na África. Empresas pontocom criaram 50.000 sites especialmente para eles, vorazes consumidores de computadores. Dos idosos, 50% têm computador próprio e 70% navegam na internet. Toda essa extravagância transformou-os na menina-dos-olhos das agências de publicidade. "Eles são uma força poderosa de nossa economia", disse a VEJA a publicitária Maryalice Kennedy, diretora de comunicação da agência Young & Rubicam em Nova York. Dos idosos americanos, 75% lêem revistas e 87% lêem jornais com regularidade, 10% vêem novelas e 90% ficam atentos aos programas de notícias.

"Eles sabem da importância de seu papel social e de sua força política", disse Elizabeth Markson, socióloga da Universidade de Boston especializada em terceira idade. Estima-se que mais de dois terços das pessoas com 65 anos ou mais tenham votado nas últimas eleições. Em 1996, pouco menos da metade dos americanos mais novos aptos a votar – 49% dos eleitores – se deu ao trabalho de comparecer às urnas, na maior abstenção desde 1924. Os idosos dos EUA que desfrutam aposentadorias e patrimônios polpudos atualmente são uma geração privilegiada. Eles culminam a trajetória da primeira geração de americanos que conheceu períodos de fartura e paz durante a maior parte da vida. Pelo menos 63% deles têm poupança, 38% investem em fundos de pensão, 21% têm ações na bolsa de valores e 79% possuem casa própria.

O paraíso financeiro na aposentadoria é uma conquista que os idosos brasileiros estão longe de alcançar. Em geral, com a idade avançada vem a perda de poder aquisitivo. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que a renda das pessoas com idade entre 65 e 70 anos é 30% inferior à da população dez anos mais jovem. Mas, de certa forma, a atual geração da terceira idade é a que possui maior solidez financeira da história do país. Cerca de 37% dos idosos brasileiros ajudam financeiramente seus filhos e netos. Os fundos de pensão no Brasil somam 320 bilhões de reais, cerca de 30% do PIB. "Os velhos americanos se preparam para a aposentadoria durante cinqüenta anos. Entre nós ninguém planeja o futuro com tanta antecedência", diz Roberto Apelfeld, diretor executivo do Citigroup Asset Management. As pessoas entre 40 e 55 anos nos Estados Unidos já atraem a atenção dos empresários especializados em produtos para idosos. "Nós também temos de nos preparar com antecedência para o momento em que os adultos serão idosos consumidores", diz Maryalice Kennedy. Se elas seguirem a estratégia dos pais, provavelmente vão perpetuar um dos indicadores levantados pelos institutos de pesquisas dos Estados Unidos: 44% da população idosa americana define o momento atual como o mais feliz de sua vida. Não é para menos. Os avanços da medicina e da tecnologia permitem aos velhos conviver melhor com as fragilidades típicas da idade. Os automóveis são mais fáceis de conduzir e mais seguros do que os que existiam quando os pais da atual geração de americanos idosos começaram a dirigir. Drogas como os antidepressivos de última geração e o Viagra mantêm os idosos com uma idade real bem abaixo de sua idade biológica, abrindo para eles a possibilidade de desfrutar a natureza e a vida sexual mais intensamente. Há alguns anos, George Bush, o ex-presidente americano, pai do atual, George W. Bush, saltou espetacularmente de pára-quedas. Ele estava com 72 anos quando repetiu a façanha dos tempos em que lutou contra os japoneses na II Guerra Mundial.

 

Quase três em cada dez americanos têm acima de 50 anos.

São 74 milhões de pessoas que:

compram 41% dos carros novos e 48% dos carros de luxo

detêm 77% dos bens patrimoniais de pessoas físicas

79% têm casa própria

são portadoras de quase metade dos cartões de crédito do país

são responsáveis por mais de 60% dos gastos com saúde no país

consomem 74% dos medicamentos vendidos sob receita médica

ocupam 70% das vagas nos cruzeiros de luxo nos Estados Unidos

Fonte: Age Wave



   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS