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Edição 1 700 - 16 de maio de 2001
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Príncipes descalços

A ala jovem dos Orleans e Bragança
divide-se entre modernos e
conservadores bem de vida,
mas sem muito luxo

Silvia Rogar


Fotos Selmy Yassuda
Pedro, um dos príncipes herdeiros, pega ônibus no Rio: economia


Dois ramos dos Orleans e Bragança se digladiam há anos pelo direito ao assento em um trono inexistente: o da extinta monarquia brasileira. Enquanto o avô, dom Pedro Gastão, em Petrópolis, e o tio, dom Luiz, em Vassouras, cultivam a guerra intestina, o resto da família vai tocando a vida, cada qual no seu reduto. Na ala jovem, a turma se divide, sim, entre duas facções, mas a briga passa longe da pendenga sucessória. Os 24 membros do clã dos Orleans e Bragança na faixa dos 15 aos 23 anos formam ou no grupo dos moderninhos ou no dos certinhos – e um adora fazer futrica sobre o outro. Pedro, 18 anos, teoricamente o príncipe herdeiro do ramo de Vassouras, cidade fluminense do Vale do Paraíba, é estudioso e leva tudo muito a sério. Pedro, 22, o príncipe de Petrópolis, está mais para moderno: adora esportes meio radicais, como alpinismo e mountain bike. Ambos, como os demais parentes, vivem uma vida confortável, mas sem grandes luxos. Todo mundo precisa trabalhar para fechar as contas no fim do mês, talvez a melhor providência para manter a sanidade dos nobres.

Pedro Luiz Maria José Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Orleans e Bragança, o herdeiro vassourense, não tem carro por economia e circula de ônibus pelo Rio de Janeiro, onde estuda administração. Ele e a irmã, Amélia Maria, 17, gostam de sair para dançar, mas são comportados e juram que não namoram. "Ainda é cedo", avalia Pedro, seriíssimo. Os dois vão à missa todos os domingos e atribuem ao sobrenome ilustre uma responsabilidade equivalente. "A gente carrega esse fardo e precisa dar exemplo", recita Pedro, compenetrado do papel que lhe ensinaram, sob o olhar aprovador do pai e da irmã. Seu xará de Petrópolis, ao contrário, namora, joga tênis e se diverte. Na mesma cidade encontra-se o expoente máximo da modernidade entre os pequenos príncipes brasileiros: sua prima Paola Maria Bourbon de Orleans e Bragança Sapieha, 18 anos, arroz-de-festa com um pé nas passarelas. Paola usa maquiagem colorida, inventa penteados pouco convencionais e é fã de música eletrônica. Há um ano fez um piercing no umbigo, que, descoberto por acaso, quase matou a mãe de susto. "Adoro procurar coisas baratinhas em brechó", diz a moça, que gosta de moda, mas é econômica. "Jamais pagaria 200 reais por uma blusinha", garante. A princesa fashion integra há um mês o elenco de modelos da agência Next, mais em virtude da altura (1,77 metro) e, principalmente, do sobrenome do que de vocação natural para a profissão. "Ela bota o book embaixo do braço como todas as outras modelos e sai em busca de trabalho", diz Sérgio Mattos, diretor da agência. Com tantos interesses variados, Paola descuidou dos estudos – levou bomba duas vezes na mesma série do ensino médio e agora, vejam só, faz supletivo.

Renda garantida – Paola encontra-se no momento no centro de uma intriga palaciana: parte da família anda criticando os modos da rebeldezinha de Petrópolis. Tudo inveja, contestam os íntimos da corte, principalmente por parte de Júlia, prima mais conservadora, e de Pedro, o tal herdeiro esportista – eles também aspirantes à passarela, até agora sem sucesso. Anna Teresa, 19 anos, irmã de Paola, fica fora dessas picuinhas. Tímida toda vida, trabalha no negócio da mãe, o Antiquário da Princesa, na antiga residência da princesa Isabel, e à noite estuda contabilidade. Tudo em conformidade com o perfil da turma dos certinhos, não fosse por um detalhe delicioso para uma biografia aristocrata: o sushiman de origem japonesa que namora há quatro anos.


Paola, a mais moderna, com a irmã Anna Teresa em Petrópolis: das festas para o supletivo

Paola e seus primos de Petrópolis vivem juntos no Palácio Grão-Pará, construção imponente (muito embora, nos tempos de dom Pedro II, alojasse os serviçais) de dois andares, nove quartos, um salão, quatro salas, escritório e um jardim digno da realeza. A família dispõe de uma rendazinha garantida: até hoje, 2,5% de qualquer transação imobiliária no centro histórico de Petrópolis vai para os Orleans e Bragança, a quem as terras pertenciam, uma taxa – chamada laudêmio – que, pelos cálculos dos corretores locais, deposita nos cofres familiares por volta de 1 milhão de reais por ano. Dá para o gasto da grande família, mas não sobra, e os Orleans e Bragança de Petrópolis têm lojas (como a mãe de Paola) e outros afazeres.

O clã de Vassouras não tem laudêmio para ajudar a fechar as contas do mês e a maioria de seus nobres ganha a vida em pequenas e médias empresas. Em compensação, são aferradíssimos à tradição – lá se concentra o grupo dos certinhos, a começar pelo herdeiro-passageiro Pedro. Uma característica típica dessa turma é o nome quilométrico. Pedro tem o seu, que deu pane no computador quando foi tirar carteira de identidade (o Bragança histórico virou um reles Braga). Sua prima de 19 anos tem o dela – tanto que recebeu intimação do Tribunal Superior Eleitoral para ir pessoalmente confirmar as abreviações no título de eleitor de seu nome completo: Maria Elisabeth Josepha Ângela Michaela Rafaela Gabriela Gonzaga de Orleans e Bragança. Maria Elisabeth tem duas irmãs gêmeas e também Marias, a Eleonora e a Thereza, 17 anos, que não ficam atrás na sopa de letras, mas não reclamam. Pelo contrário, gostam. "Vou manter essa tradição quando tiver filhos", diz Maria Eleonora.

Golfe, estudo e trabalho – Ilustra bem o modo de ser da realeza comportada o esporte escolhido pelos irmãos Eudes, Guy e as também gêmeas e Marias Antônia e Francisca, todos muito apropriadamente de Vassouras: é no golfe que se realizam, e já arremataram a primeira colocação em vários torneios. Eudes, o mais velho, chegou a ser campeão sul-americano juvenil e adulto, mas agora só Guy, o caçula, tem tempo para treinar religiosamente. Eudes estuda administração e trabalha numa consultoria. Francisca cursa desenho industrial e faz estágio. Antônia está no último ano de arquitetura e já dá duro num escritório. O quarteto é unido entre si, mas não freqüenta o resto da família real, muito menos a facção que mora em Petrópolis. "A gente se dá mais com os parentes da minha mãe", desconversa Francisca. Antônia brinca. "Paola? Só conheço porque vi numa revista".



As irmãs Marias, Elisabeth e as gêmeas Eleonora e Thereza: orgulho dos nomes compridos

As facções e as briguinhas se desfazem quando o assunto é viagem ao exterior. Aparentados com a maioria das famílias reais européias, os jovens Orleans e Bragança nunca têm falta de hospedagem, nem de companhia. "A grande vantagem é que em qualquer viagem a gente encontra um primo, nunca fica sozinha", diz Maria Antônia, que morou seis meses na França. Aqui, no entanto, há dúvidas sobre a conveniência de ter um sobrenome nobre. Ele ajuda a abrir portas a carreiras e amizades? "Não ajuda nem um pouco. Só prejudica. Acham que somos mauricinhos e esnobes", garante o jovem Eudes. Mas reconhece: "Tem muita gente na família que ainda vive em função disso".

   
 
   
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