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Quase
um francês
Com
a ajuda de vinicultores da
França, o Chile produz vinhos
de muito melhor qualidade
Divulgação
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| Cuidado
no preparo do superchileno Almaviva: melhor custo-benefício
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O
Chile produz vinho desde a chegada dos espanhóis, no século
XVI. Apesar da boa qualidade, sua produção esteve por muito
tempo longe da galeria dos melhores vinhos do mundo. Faltavam-lhe nobreza
de sabor e reputação, que diferenciam o excelente do comum.
Há dez anos, quando os chilenos viviam a euforia da redemocratização
e da prosperidade econômica, o país adotou como meta produzir
um vinho premiado, capaz de dar maior notabilidade a suas vinícolas
e aumentar o volume de exportações o resultado foi
espantoso. Já há vinhos chilenos em condições
de agradar ao paladar francês. O segredo? Bem, o salto de qualidade
só foi possível porque encontraram produtores franceses
dispostos a dar uma mãozinha. A primeira grande tacada de franceses
e chilenos foi uma joint venture da Concha y Toro, a maior vinícola
do país, com o selo de qualidade do barão Philippe de Rothschild,
que produz o Château Mouton Rothschild, pérola dos tintos
franceses. Em 1997, os chilenos cederam 40 hectares de sua melhor vinícola
para que os franceses criassem o Almaviva, que se transformou no melhor
tinto do Chile. Quem também se estabeleceu no país foi a
família Marnier-Lapostolle, tradicional vinicultora do Vale do
Loire, na França. Numa vinícola nos arredores de Santiago,
a Casa Lapostolle criou o Clos Apalta, que se tornou outro grande chamariz
da indústria chilena.
A mão dos franceses é tão visível que uma
garrafa de Don Melchor, o vinho mais caro da Concha y Toro e 100% chileno,
custa perto de 40 dólares, a metade do preço do Almaviva,
produzido na mesma vinícola mas sob a supervisão francesa.
Graças a esses vinhos premiados, batizados de "superchilenos",
o país ganhou espaço na faixa do mercado internacional em
que uma garrafa custa mais de 100 dólares. O mais importante para
sua vinicultura foi que esses vinhos superiores melhoraram a imagem do
produto chileno no mercado externo. Com isso, as marcas mais baratas (de
20 a 40 dólares a garrafa) passaram a ser mais vendidas na Europa
e nos Estados Unidos. A própria Concha y Toro colheu frutos ao
se tornar, no ano passado, a maior exportadora da bebida para os Estados
Unidos. O Chile exporta hoje pouco mais de 500 milhões de dólares
anuais em vinhos. Há dez anos não passava de 50 milhões.
O produto, junto com a uva fresca, passou a ser a segunda maior fonte
de receita chilena, atrás apenas dos derivados do cobre.
| Foto Julio Bernardes |
Divulgação
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A
opção dos franceses pelo Chile tem explicação.
Com uma combinação excepcional de solo e clima, o país
é o único produtor de vinho livre da filoxera, inseto que
devora as raízes da videira e dizimou vinícolas do mundo
inteiro no século XIX. "Fazer vinho não é como seguir
uma receita de bolo, por isso contam muito os séculos de experiência
dos franceses", diz o expert Jorge Lucki, que dá aulas de degustação
em São Paulo. Existem fatores locais que ajudam bastante, como
a mão-de-obra barata e uma carga tributária irrisória,
que garantem o preço competitivo. É o custo-benefício.
Para atingir o grau de excelência, os produtores franceses tiveram
de virar as vinícolas chilenas de cabeça para baixo. Trouxeram
da Europa equipamentos modernos para colheita, poda e armazenamento. O
resultado é que superchilenos disputam o paladar internacional
com vinhos que podem custar o dobro de seu preço, como os melhores
californianos (150 dólares a garrafa) e os premiuns franceses,
que ultrapassam facilmente a marca dos 500 dólares. Não
é à toa que alguns dos melhores restaurantes da Europa e
dos Estados Unidos estão incluindo os "superchilenos" em sua concorrida
carta de vinhos.
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