Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 700 - 16 de maio de 2001
Geral Bebidas
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Sumário
Brasil
Internacional
Geral
  Roupas e dinheiro também são coisa de criança
A angústia provocada pelos exames genéticos
Os fortes restaurados da costa brasileira
Assessoria francesa melhora vinho chileno
Como vivem os jovens Orleans e Bragança
Ricos como nunca, velhos americanos se divertem
Mulher na faixa dos 30 precisa cuidar do coração
A evolução das duas rodas nos últimos 100 anos
Carro da Mercedes lembra nave dos Jetsons
Visto americano para brasileiros muito qualificados
FDA aprova em tempo recorde droga contra leucemia
A execução de McVeigh passo a passo
A Broadway paulistana
É possível deixar de ser gay?
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Claudio de Moura Castro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Hipertexto
Notas internacionais
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

Quase um francês

Com a ajuda de vinicultores da
França, o Chile produz vinhos
de muito melhor qualidade

 
Divulgação
Cuidado no preparo do superchileno Almaviva: melhor custo-benefício

O Chile produz vinho desde a chegada dos espanhóis, no século XVI. Apesar da boa qualidade, sua produção esteve por muito tempo longe da galeria dos melhores vinhos do mundo. Faltavam-lhe nobreza de sabor e reputação, que diferenciam o excelente do comum. Há dez anos, quando os chilenos viviam a euforia da redemocratização e da prosperidade econômica, o país adotou como meta produzir um vinho premiado, capaz de dar maior notabilidade a suas vinícolas e aumentar o volume de exportações – o resultado foi espantoso. Já há vinhos chilenos em condições de agradar ao paladar francês. O segredo? Bem, o salto de qualidade só foi possível porque encontraram produtores franceses dispostos a dar uma mãozinha. A primeira grande tacada de franceses e chilenos foi uma joint venture da Concha y Toro, a maior vinícola do país, com o selo de qualidade do barão Philippe de Rothschild, que produz o Château Mouton Rothschild, pérola dos tintos franceses. Em 1997, os chilenos cederam 40 hectares de sua melhor vinícola para que os franceses criassem o Almaviva, que se transformou no melhor tinto do Chile. Quem também se estabeleceu no país foi a família Marnier-Lapostolle, tradicional vinicultora do Vale do Loire, na França. Numa vinícola nos arredores de Santiago, a Casa Lapostolle criou o Clos Apalta, que se tornou outro grande chamariz da indústria chilena.

A mão dos franceses é tão visível que uma garrafa de Don Melchor, o vinho mais caro da Concha y Toro e 100% chileno, custa perto de 40 dólares, a metade do preço do Almaviva, produzido na mesma vinícola mas sob a supervisão francesa. Graças a esses vinhos premiados, batizados de "superchilenos", o país ganhou espaço na faixa do mercado internacional em que uma garrafa custa mais de 100 dólares. O mais importante para sua vinicultura foi que esses vinhos superiores melhoraram a imagem do produto chileno no mercado externo. Com isso, as marcas mais baratas (de 20 a 40 dólares a garrafa) passaram a ser mais vendidas na Europa e nos Estados Unidos. A própria Concha y Toro colheu frutos ao se tornar, no ano passado, a maior exportadora da bebida para os Estados Unidos. O Chile exporta hoje pouco mais de 500 milhões de dólares anuais em vinhos. Há dez anos não passava de 50 milhões. O produto, junto com a uva fresca, passou a ser a segunda maior fonte de receita chilena, atrás apenas dos derivados do cobre.

 
Foto Julio Bernardes
Divulgação

A opção dos franceses pelo Chile tem explicação. Com uma combinação excepcional de solo e clima, o país é o único produtor de vinho livre da filoxera, inseto que devora as raízes da videira e dizimou vinícolas do mundo inteiro no século XIX. "Fazer vinho não é como seguir uma receita de bolo, por isso contam muito os séculos de experiência dos franceses", diz o expert Jorge Lucki, que dá aulas de degustação em São Paulo. Existem fatores locais que ajudam bastante, como a mão-de-obra barata e uma carga tributária irrisória, que garantem o preço competitivo. É o custo-benefício. Para atingir o grau de excelência, os produtores franceses tiveram de virar as vinícolas chilenas de cabeça para baixo. Trouxeram da Europa equipamentos modernos para colheita, poda e armazenamento. O resultado é que superchilenos disputam o paladar internacional com vinhos que podem custar o dobro de seu preço, como os melhores californianos (150 dólares a garrafa) e os premiuns franceses, que ultrapassam facilmente a marca dos 500 dólares. Não é à toa que alguns dos melhores restaurantes da Europa e dos Estados Unidos estão incluindo os "superchilenos" em sua concorrida carta de vinhos.

   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS