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Edição 1 700 - 16 de maio de 2001
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De volta à vida

Fortes da costa brasileira
são restaurados
e começam
a ser abertos para turistas

Bia Barbosa

 
Jayme Moreira Crespo Filho
Fortaleza de Santa Cruz: restauração financiada por empresas privadas

Desde o século XVI, o litoral brasileiro já foi defendido por mais de 600 fortalezas. Muitas ruíram abandonadas, outras foram descaracterizadas por ampliações e reformas. Restam 109, a maioria em estado precário de conservação. Agora, duas dezenas delas, algumas erguidas nos dois primeiros séculos de colonização, começam a ser restauradas por arqueólogos e arquitetos. Sete estão no Rio de Janeiro e integram o projeto de restauração Fortificações da Baía da Guanabara, organizado pelo Exército, que mantém guarnições em todas elas. O primeiro a passar pelos trabalhos de recuperação, que começam neste mês, é o Forte São José, no bairro da Urca. Construído em 1578 no local da fundação da cidade durante a invasão francesa, ele está em mau estado de conservação. Abalado por infiltrações de água, o teto do prédio principal ameaça desabar.

Alberto Barckert/Proj. Fortalezas Mult.
Alberto Barckert/Proj. Fortalezas Mult.
Canhão do Forte São José, no Rio, e ruínas em Santa Catarina: técnicas e materiais iguais aos usados há 300 anos

O projeto prevê a restauração do teto, das paredes, das casamatas e dos nove canhões instalados em 1872. Também serão melhorados o sistema de iluminação e o acesso ao forte, para que possa ser visitado pela população. A obra deve demorar sete meses e está orçada em 778.000 reais. Por enquanto, o Exército só dispõe de 300.000, doados pelo BNDES. O restante, espera obter de parcerias com empresas privadas. "Restaurar não é o mesmo que reformar", diz a arquiteta Ana Lúcia Mota, responsável pelo projeto do São José. "Não podemos alterar as características originais." Depois de terminar o trabalho nesse forte, provavelmente será a vez da Fortaleza de Santa Cruz, erguida pelo corsário francês Villegaignon em Niterói, em 1555.

Além do Exército, os projetos de restauração de fortalezas estão sendo tocados por universidades, pelo governo federal e pelos Estados. Neste mês começa a restauração na Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição de Araçatuba, nos arredores de Florianópolis, sob responsabilidade da Universidade Federal de Santa Catarina. Construída em 1742, a fortaleza foi abandonada nos anos 20 e só restam ruínas. Arqueólogos e historiadores vão utilizar técnicas e material de construção de 300 anos atrás e esperam ter a obra pronta em novembro, a um custo de 500.000 reais. Os fortes deixaram de ter valor militar nos anos 50. Dono de 36 deles, o Exército os mantém em uso como forma de preservá-los, pois prédios vazios deterioram-se com maior rapidez. O objetivo das restaurações não é apenas recuperar o patrimônio histórico, mas também abrir as construções à visitação pública. O projeto mais ambicioso nesse sentido será na Fortaleza de Itaipu, erguida no início do século XX no meio de uma área preservada de Mata Atlântica, a 80 quilômetros de São Paulo. Com um museu de história militar, restaurante e trilhas ecológicas, será um centro turístico. É uma forma de exibir um gênero de arquitetura brasileira, a militar, que sempre foi inacessível à população.

   
 
   
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