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De
volta à vida
Fortes da costa brasileira
são restaurados e
começam
a
ser abertos para turistas
Bia
Barbosa
Jayme Moreira Crespo Filho
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| Fortaleza
de Santa Cruz: restauração financiada por empresas privadas |
Desde
o século XVI, o litoral brasileiro já foi defendido por
mais de 600 fortalezas. Muitas ruíram abandonadas, outras foram
descaracterizadas por ampliações e reformas. Restam 109,
a maioria em estado precário de conservação. Agora,
duas dezenas delas, algumas erguidas nos dois primeiros séculos
de colonização, começam a ser restauradas por arqueólogos
e arquitetos. Sete estão no Rio de Janeiro e integram o projeto
de restauração Fortificações da Baía
da Guanabara, organizado pelo Exército, que mantém guarnições
em todas elas. O primeiro a passar pelos trabalhos de recuperação,
que começam neste mês, é o Forte São José,
no bairro da Urca. Construído em 1578 no local da fundação
da cidade durante a invasão francesa, ele está em mau estado
de conservação. Abalado por infiltrações de
água, o teto do prédio principal ameaça desabar.
Alberto Barckert/Proj.
Fortalezas Mult.
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Alberto Barckert/Proj. Fortalezas
Mult.
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| Canhão
do Forte São José, no Rio, e ruínas em Santa
Catarina: técnicas e materiais iguais aos usados há
300 anos |
O
projeto prevê a restauração do teto, das paredes,
das casamatas e dos nove canhões instalados em 1872. Também
serão melhorados o sistema de iluminação e o acesso
ao forte, para que possa ser visitado pela população. A
obra deve demorar sete meses e está orçada em 778.000 reais.
Por enquanto, o Exército só dispõe de 300.000, doados
pelo BNDES. O restante, espera obter de parcerias com empresas privadas.
"Restaurar não é o mesmo que reformar", diz a arquiteta
Ana Lúcia Mota, responsável pelo projeto do São José.
"Não podemos alterar as características originais." Depois
de terminar o trabalho nesse forte, provavelmente será a vez da
Fortaleza de Santa Cruz, erguida pelo corsário francês Villegaignon
em Niterói, em 1555.
Além do Exército, os projetos de restauração
de fortalezas estão sendo tocados por universidades, pelo governo
federal e pelos Estados. Neste mês começa a restauração
na Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição de Araçatuba,
nos arredores de Florianópolis, sob responsabilidade da Universidade
Federal de Santa Catarina. Construída em 1742, a fortaleza foi
abandonada nos anos 20 e só restam ruínas. Arqueólogos
e historiadores vão utilizar técnicas e material de construção
de 300 anos atrás e esperam ter a obra pronta em novembro, a um
custo de 500.000 reais. Os fortes deixaram de ter valor militar nos anos
50. Dono de 36 deles, o Exército os mantém em uso como forma
de preservá-los, pois prédios vazios deterioram-se com maior
rapidez. O objetivo das restaurações não é
apenas recuperar o patrimônio histórico, mas também
abrir as construções à visitação pública.
O projeto mais ambicioso nesse sentido será na Fortaleza de Itaipu,
erguida no início do século XX no meio de uma área
preservada de Mata Atlântica, a 80 quilômetros de São
Paulo. Com um museu de história militar, restaurante e trilhas
ecológicas, será um centro turístico. É uma
forma de exibir um gênero de arquitetura brasileira, a militar,
que sempre foi inacessível à população.
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