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Aos amigos
Numa
desavença rara, STF ceifa
poder
de seu futuro presidente
Policarpo
Jr, de Brasília
Ana Araujo
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| Mello,
em seu gabinete: apenas mais uma tentativa de reduzir sua autonomia |
Na semana passada, a vinte dias da posse, o futuro presidente do Supremo
Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, descobriu que a cordialidade
de seus colegas se resume ao chá com bolacha no intervalo das sessões.
Na surdina, sete dos onze ministros ceifaram uma parte do futuro poder
de Mello. Eles mudaram o regimento do STF para impedi-lo de afastar funcionários
que, apesar de aposentados, têm cargos comissionados no tribunal.
Antes, a decisão cabia ao presidente do STF. Agora, só o
colegiado de ministros pode deliberar sobre o tema. Como Mello antecipara
que afastaria aposentados para preencher os cargos com gente da ativa,
Moreira Alves, um dos ministros mais respeitados da corte, manobrou para
proteger seu reumatologista, Célio Menicucci, que atende outros
ministros e suas mulheres. Ele ganha 17.825 reais por mês
são 11.223 reais de aposentadoria e 6.602 reais por expediente
de quatro horas diárias no STF.
Além de proteger os amigos, os ministros queriam impedir a entrada
de inimigos. Mello pretendia indicar para diretor-geral do STF o ex-funcionário
do Tribunal Superior Eleitoral Ataíde Fontoura. Há dois
anos, ele ameaçou denunciar que carros oficiais do TSE foram usados
para transportar convidados à festa de casamento da filha do ministro
Ilmar Galvão com o filho do ministro Nelson Jobim. O nome de Fontoura,
agora, tem de passar pelo colegiado, mas Mello desistiu de indicá-lo.
Na estrutura do Judiciário, o STF é a casa menos contaminada,
mas não está livre de exageros. No ano passado, cada ministro
ganhou mais dois motoristas. Como já tinham um, ficaram com três.
É tal o excesso que alguns foram remanejados para as residências,
onde ficam à disposição de mulher e filhos dos ministros.
Marco Aurélio Mello é um juiz polêmico, dado a decisões
inovadoras, e, por isso, é tido como imprevisível
o que assusta Brasília. No ano passado, o governo baixou uma medida
provisória em que retirou do presidente do STF a competência
de, sozinho, decidir sobre o destino de liminares. Agora, liminar só
é suspensa ou mantida por decisão do colegiado. "Foi, claro,
para tirar poder do presidente", admite um ministro do STF. O governo
temia que a privatização do setor elétrico, marcada
para este ano, acabasse nas mãos de Mello. Por isso, a iniciativa
foi apelidada de "Lei Marco Aurélio". No começo deste ano,
tentou-se outra rasteira: prorrogar o mandato do presidente do STF até
o fim do ano para fazê-lo coincidir com o início do ano orçamentário.
Pode ser uma boa idéia, mas levaria Mello a só tomar posse
em 2002. No tribunal, a proposta, apresentada no Senado, causou mal-estar
depois que se descobriu que um de seus discretos defensores era ninguém
menos que Nelson Jobim.
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Sem
pijama
Moreira Alves
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| Alves:
pelo reumatologista |
Confira os principais números dos funcionários que
acumulam um cargo e uma aposentadoria no Supremo Tribunal Federal
Há vinte aposentados exercendo cargo comissionado no STF.
Juntos, eles recebem 178 000 reais
de aposentadoria e mais 121 000 reais
pela função que ocupam hoje
Wilson Pedrosa/AE
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| Jobim:
atrás da prorrogação |
Dos vinte funcionários, seis são aposentados do próprio
STF. Os demais eram servidores de outros órgãos da
administração pública
O
maior salário é do assessor José Santacruz
Paim. Ele
recebe 17 500 reais mensais
de aposentadoria mais 5 000 reais
pela nova função. No total, dá 22
500 reais
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