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Edição 1 700 - 16 de maio de 2001
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"As tecnologias reprodutivas mudaram o mundo, mas não mudaram os seres humanos em seus sentimentos, angústias e medos."
Inês Detsi
Fortaleza, CE


Infertilidade

Considero excelente o avanço tecnológico da medicina na área da reprodução humana ("Tudo por um filho", 9 de maio). Muitas mulheres que queriam engravidar, mas não podiam, agora podem. No entanto, vale um alerta: ter filhos significa muitíssimo mais que simplesmente realizar um sonho, um desejo, inúmeras vezes egoísta. Torço para que as mães estejam, a cada dia, mais bem sintonizadas com o processo de formar uma criança. De maneira que ela venha a ter participação ativa e harmonizada na criação de um mundo cada vez melhor.
Doutor Edson F. Nascimento
enascim@keynet.com.br

Gostaria de cumprimentar a equipe de VEJA pela reportagem sobre infertilidade. Somos um casal que já passou por esse processo de tratamento na Unicamp e não obtivemos sucesso. Começamos então a pensar na hipótese da adoção. Até lermos a matéria não conhecíamos a possibilidade da adoção de embriões. Também gostaríamos de dizer que a adoção está cada vez mais concorrida. A burocracia atrapalha bastante, pois nos faz ter muitos gastos, e a demora desanima demais. Estamos aguardando há oito meses, e até agora nada.
Katia e Wilson Garcia
garciaw@uol.com.br

Interessantíssima a capa escolhida: para quem a mãe sorri senão para o próprio reflexo no tubo de ensaio? Por isso, sou contra artifícios que transformem pessoas em objetos, como a fecundação artificial. Detalhe: sou estéril e adotaremos quantos filhos pudermos.
Danilo Badaró Mendonça
Petrópolis, RJ

Se na década de 50 a princesa Soraya teve de ser rejeitada pelo xá do Irã por não poder dar-lhe filhos, hoje, com certeza, isso não ocorreria. Um avanço enorme no campo da reprodução tornou a questão da infertilidade praticamente insignificante. No entanto, os casais que querem ter um filho biológico, quando não o conseguem de forma natural, têm de aceitar ser virados pelo avesso, dispor de bastante dinheiro e de muito tempo, fazer viagens e conviver com um clima de doença, por alguns meses, em clínicas e hospitais. A mulher, principalmente, será examinada por centenas de olhos e manipulada por inúmeras mãos enluvadas. Seu corpo será apalpado, perscrutado por médicos, enfermeiros, máquinas e instrumentos diversos. Deitada em uma mesa fria, com uma luz incandescente voltada para sua vagina, deverá permanecer imóvel, quieta, dócil, obediente, conformada com a dor e com o constrangimento aos quais é submetida durante o processo. Essa experiência dolorosa envolveu e marcou meu corpo e minha auto-estima por muito tempo. Imolei-me por uma causa "legítima" e "sublime". Eu queria um filho. Hoje vejo que as tecnologias reprodutivas mudaram o mundo, mas não mudaram os seres humanos em seus sentimentos, angústias e medos. Tampouco mudaram os preconceitos contra filhos que não sejam biológicos nem contra mulheres que não engravidam.
Inês Detsi
Fortaleza, CE

 

Roberto Pompeu de Toledo

Excelente, extraordinário, uma lição de história, o artigo de Roberto Pompeu de Toledo. Se todas as outras revistas cumprissem o papel de sempre informar e ensinar como faz VEJA, nosso país teria muito menos Jader e ACM (Ensaio, 9 de maio).
Oscar Baptista
Recife, PE

 

Itamar Franco

Agora só falta o senhor Itamar Franco, para alguns um misto de Forrest Gump, Policarpo Quaresma e Dom Quixote, plantar uma árvore e escrever um livro, uma vez que, pelo menos no terreno da política, ele já conseguiu a proeza de cometer todas as mancadas, incoerências e gafes de que seria capaz. Sobretudo declarar moratória no início de seu mandato, romper politicamente com FHC e ter aceito compor a chapa de Collor nas eleições de 1989. Fazer de Newton Cardoso seu vice no governo mineiro em 1998 é decerto a mais negra mácula na biografia de Itamar, um erro que poderá custar-lhe a confiança do eleitorado em 2002 ("Bons amigos", 9 de maio).
Gustavo Henrique de Brito Alves Freire
Recife, PE

 

Stephen Kanitz

As palavras do artigo "A beleza dos casamentos" (Ponto de vista, 9 de maio) me fizeram lembrar do meu. A cerimônia foi em uma manhã de julho do ano passado, numa linda igrejinha cercada de árvores, em um dos sítios históricos aqui do Recife. Tudo correu bem, poucos convidados, mas muitos amigos e a família. O único stress foi causado justamente pelo fotógrafo e sua equipe. Queria que ficássemos mais de meia hora plantados no altar, posando de tal forma que precisaríamos ter feito um curso de modelo. Meu marido diz que nunca vai esquecer meu sorriso olhando para ele na porta da igreja. E, para lembrar isso, como nos diz Kanitz, não necessitamos ver o álbum de fotos nem o filme que está em nossa mesinha-de-cabeceira. Está tudo gravado na memória de nossos afetos.
Lúcia Salvari
Recife, PE

 

Diogo Mainardi

Um diagnóstico de toxoplasmose me causou o mesmo estupor: a mácula do lindo olho azul de meu filho de 15 anos havia sido atingida, provocando uma cegueira irreversível, e fizeram-me engolir a palavra fatalidade como consolo. Meu pânico de que um estrago maior pudesse acontecer me levou a propor-lhe uma terapia e, naquele momento, comecei a aprender com o "meu jovem búlgaro". "Se isso não serve para me devolver a visão, é melhor eu aprender a me enxergar por dentro, sozinho", foi sua resposta. Agora, aos 19 anos, estudante de história, ele disputa comigo VEJA aos domingos e vai sistematicamente a sua coluna em primeiro lugar. No último domingo foi diferente: compartilhamos a leitura em voz alta, ultrapassamos os comentários de conteúdo e estilo e se instalou em nós um profundo sentimento de solidariedade e um novo olhar sobre o colunista. Talvez a força do amor que nos une o tenha feito também se preocupar com a mãe do pequeno búlgaro e insistido tanto para que eu, pela primeira vez, me manifestasse publicamente ("Meu pequeno búlgaro", 9 de maio).
Aparecida Paiva
Belo Horizonte, MG

Fiquei sensibilizada, mas ao mesmo tempo feliz, por ver que ainda existem pessoas com a coragem de dizer que a paralisia cerebral é pública. Faz parte do meu dia-a-dia conviver com a frustração de mães de filhos com esse problema, que percebem o estigma nos olhos dos outros. Agradeço o amor e a atenção com que Mainardi retratou essa realidade. As mães também agradecem.
Lisa Valéria Vieira Torres
Goiânia, GO

Bem-vindo às minorias! Que essa sua nova condição não lhe roube o encanto de produzir libelos contra as imbecilidades made in Brazil. Um dos prazeres que encontro em VEJA é saber que alguém neste país não se ufana dele.
Antonio Edson
feitosacosta@ig.com.br

 

Rede TV!

Gostaria de cumprimentar VEJA por ter feito uma denúncia, que com certeza muitos brasileiros gostariam de fazer, sobre o lixo que a Rede TV! vem colocando no ar. Realmente esse canal não acrescentou nada à televisão brasileira e seus programas são algumas vezes uma agressão ao telespectador. Até o Otávio Mesquita, de quem eu era fã, caiu na baixaria ("Muito família", 9 de maio).
Miguel Nenevé
neneve@unir.br

 

Ambiente

Muito boa a reportagem sobre os carros verdes. Toda tecnologia que substitua os poluentes e ultrapassados derivados de petróleo é bem-vinda. Mas e o nosso álcool, que hoje é copiado e utilizado em inúmeros países ("A lei dos carros verdes", 9 de maio)?
Daniel Carlos Suman Brito
Curitiba, PR

Aqui no Brasil não vai funcionar. A gasolina não presta. Já temos problemas com nossos catalisadores por causa da qualidade da gasolina brasileira.
Eddy Beutter
São Paulo, SP

 

Arc

Oi, Arc! Rapaz, eu sou seu fã pra caramba! Sabia que você está famoso mesmo? Quando fiz vestibular, um dos temas da redação era qual seria o diálogo se de repente eu me encontrasse com você. Tenho um sobrinho de 10 anos que depois de assistir a um documentário sobre desastres naturais ficou intrigado ao saber que o gelo e a neve queimam: "Se o gelo queima, por que o fogo não congela?", foi a pergunta dele. Então, Arc, por que o fogo não congela?
Lazaro Gomes
lazarogomes@bol.com.br

 

Zélia Gattai

Só conheço a Bahia por fotos e posso dizer que o que já vi não foi obra de homem algum, mas de Deus, ou, se vossa senhoria preferir, da natureza (Veja essa, 9 de maio).
Pedro Luís de Campos Vergueiro
pedrover@matrix.com.br

 

Kant

A Vida Sexual de Immanuel Kant é um bom livro: embora apresentando uma interpretação filosófica no mínimo bizarra, é informativo, irônico e divertido, pois trata de maneira curiosa um tema normalmente árido. Foram esses os principais motivos que levaram a Editora Unesp a publicá-lo e que ainda nos permitem atestar sua qualidade. Quanto à origem do texto, conforme as notícias que nos chegam, o autor da obra seria o senhor Pagès e não J.B. Botul, um personagem criado pelo senhor Pagès. Só nos cabe lamentar que tenhamos involuntariamente veiculado um livro sob autoria incorreta, livro que, na França, foi também publicado como sendo de Botul pela insuspeita Editora Fayard, em coleção que inclui títulos clássicos do próprio Kant (veja quadro).
Jézio H.B. Gutierre
Assessor editorial da Editora Unesp
São Paulo, SP

 

Acne

Com referência à reportagem "Fora de hora" (9 de maio), gostaríamos de esclarecer que o Roacutan (Isotretinoína) é indicado para o tratamento de acne grave, que ocorre entre 10% e 15% da população jovem. Portanto, não é o "último recurso das desesperadas", como foi publicado.
J.O. Ferreira e L. Pinheiro
Produtos Roche Químicos e Farmacêuticos S.A.
São Paulo, SP

 

Elba Ramalho

Muito me surpreende a matéria "Fui chipada" (9 de maio). Acreditar ou não, é um direito do repórter, assim como meu. Porém, chacotear e questionar minha fé e verdade não é correto. Agradeço, apesar de tudo, a oportunidade que essa revista nos concede ao abrir espaço para um assunto que fundamenta uma realidade que urge se tornar clara e ser tratada condignamente por todos os cidadãos de bem. Luz, amor e paz!
Elba Ramalho
elba.rlk@terra.com.br

 

Educação

Numa sociedade aberta, plural e democrática, como supõe ser a sociedade brasileira, ser parente de alguém que ocupa posição de destaque passou a ser crime, ou pelo menos suspeita de crime. Ninguém pode almejar sucesso para o cônjuge, primo ou cunhado, por mais competentes que sejam, sob pena de estar praticando o crime de "favorecimento". Sou funcionário público desde 1968. Ocupei cargos de relevo, inclusive de ministro de Estado, dos quais poderia ter tirado muito mais proveito que da posição que ocupo hoje, de mero chefe de gabinete. O fato de Eda Machado de Souza, minha mulher, ser sócia majoritária de uma entidade que mantém uma instituição de ensino superior em Brasília nada tem a ver com minha função atual. Ela é, sem nenhuma falsa modéstia, uma renomada educadora. Seu nome está associado a importantes ações e projetos desenvolvidos pela Universidade de Campinas, onde foi professora por longos anos, pelo Ministério da Educação, pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Universidade de Brasília, em que foi coordenadora da Cátedra Unesco de Educação à Distância. Eda não é uma aventureira, e sim uma empresária de ensino. Respeitada no Brasil e no exterior por sua competência, decidiu criar uma instituição de ensino superior para vivenciar, na prática, tudo que vinha pregando e disseminando como professora e pesquisadora ("Ação entre amigos", 2 de maio).
Edson Machado de Sousa
Chefe de gabinete do Ministério da Educação
Brasília, DF

 

CORREÇÃO: Diferentemente do que VEJA publicou na reportagem "Ação entre amigos", o conselheiro Yugo Okida não aprovou, para as faculdades ligadas ao grupo Objetivo, o equivalente a 16% dos cursos autorizados pelo MEC entre 1996 e 2000. Esse porcentual se refere apenas ao total de cursos aprovados para o Objetivo, e não ao total de cursos aprovados no país.


 

EM DEFESA DA TERRA NATAL


O leitor Artur Palhares Neto, mineiro, escreve para dizer que está cansado de "tomar conhecimento de fatos que interessam somente aos locais da ocorrência, principalmente São Paulo e Rio de Janeiro, noticiados para todo o Brasil". Em contrapartida, a conquista do campeonato de vôlei masculino pelo Minas Tênis Clube não mereceu a publicação de "nenhuma linha", reclama. Volgane Oliveira Carvalho (volgane@uol.com.br), piauiense, não gostou da referência ao Piauí no artigo "Quando menos é melhor" (18 de abril): "Discordo veementemente da maneira como o autor se refere a meu Estado, que é grande produtor de conhecimento e possui muitas coisas das quais pode e deve orgulhar-se". Maurício Tadeu Garcia, paulistano, defende seu bairro, citado na reportagem "No lugar errado" (18 de abril): "Com que critérios VEJA chama a Bela Vista de decadente? Nasci nesse bairro e vivo nele até hoje, o conheço de cabo a rabo e não o considero decadente". Sobre a nota "Biografia em ritmo baiano" (Holofote, 2 de maio), Sandra Vivas, baiana que vive em Aracaju, escreveu: "Nós, baianos, somos trabalhadores dinâmicos, acordamos cedo e também somos pontuais. Por causa do senhor Dorival Caymmi, que é preguiçoso, indolente, nós, baianos, sofremos com essa fama de ser devagar".

É DOS CARECAS QUE ELAS GOSTAM MAIS?


A reportagem sobre o livro Cabelo! A Histórica Luta da Humanidade para Acabar com a Calvície, do jornalista americano Gersh Kuntzman (2 de maio), gerou críticas, incompreensões e uma surpresa: "A música É dos Carecas que Elas Gostam Mais se aplica a muito mais mulheres do que se imagina, inclusive a mim", escreveu Ana Paula Campideli, de Belo Horizonte, dando credibilidade à velha marchinha carnavalesca. Mas alguns leitores não são assim tão otimistas: "A calvície é um mal que aflige o portador. Pessoas calvas podem apresentar problemas de auto-estima", pensa Nilton Wood, de São Paulo. Fabiane Mulinari Brenner, de Curitiba, acredita que a reportagem apresenta o problema como se fosse insolúvel. "Tem solução", garante. Gerson Loyola de Aguilar, de Teófilo Otoni, Minas Gerais, achou que a matéria reforçou o preconceito: "Senti-me um excluído da sociedade por ser calvo", criticou.

POR QUE OS LEITORES ESCREVEM


Antonio Milena

Iwan Thomas Halasz: "Minha opinião pode mudar alguma coisa"


Para algumas pessoas opinar é tão natural, e inevitável, quanto respirar. É o que explica a existência das seções de cartas em todos os órgãos de imprensa e as mais de 1 000 mensagens recebidas por VEJA a cada semana. Muitos desses leitores, escritores compulsivos, se tornam correspondentes assíduos das redações e atuam com a freqüência de colaboradores profissionais. Alguns não escondem a vocação, inúmeras vezes frustrada, para o jornalismo.

Um deles é a funcionária pública aposentada Mirna Machado, 52 anos, gaúcha de São Leopoldo que mora em Guarulhos, São Paulo. Jogadora de basquete na adolescência e simpatizante do PT (que no momento governa Guarulhos) e de Marta Suplicy, ela escreve para cinco órgãos de imprensa num ritmo de duas a três cartas por mês. "Adoro comentar a política, mas falo sobre qualquer assunto que desperte meu interesse", diz Mirna, que admite o sonho de fazer jornalismo: "A necessidade acaba nos afastando de nossos grandes sonhos".

Sonho que ainda acalenta o húngaro Iwan Thomas Halasz, apesar de seus 79 anos. Aposentado da área de telecomunicações, ele não desiste: "Não tirei isso da cabeça. Acredito que minha opinião pode mudar alguma coisa". Nas páginas de VEJA, Veja São Paulo e Exame, entre 1996 e 2001, Iwan teve publicada sua opinião por 23 vezes. Mas acha insuficiente: "É muito trabalho para pouco resultado". A preocupação fundamental de suas cartas é com o país que o recebeu em 1948, aos 27 anos de idade. Sócio da Liga Americana de Radioamadores, é autor do Handbook do Radioamador, editado pela Edusp.

Trofeuzinhos – O cearense Aldo Angelim Dias é dentista e tem 27 anos. Faz mestrado em saúde pública e pós-graduação em prótese. Tem um consultório particular e é coordenador de odontologia no município de Itaitinga. Ele confessa que sempre sonhou com o jornalismo: "Escrevo muito bem. Gosto de minha profissão, mas, se alguma reportagem desperta meu interesse, eu não me contenho". E tome carta! Esse comportamento já se tornou hábito também para Isaac Soares de Lima, membro da Sociedade Brasileira de Médicos-Escritores. Aposentado, toda manhã ele leva "Bandit" e "Madonna", suas cadelas, para uma caminhada pela orla de Maceió. Depois, lê uma revista ou um jornal e escreve para comentar o assunto que mais o interessou. Prática que já lhe rendeu cerca de sessenta cartas publicadas: "São meus trofeuzinhos".

Familiares e amigos acreditam que a carreira de jornalista seria o caminho natural para Vasco Vasconcelos. Mas o administrador público de 50 anos prefere a política. Até se candidatou a deputado federal, em 1998, mas não foi eleito. Constantemente apresenta sugestões e projetos para os parlamentares levarem adiante no Congresso. Há vinte anos ele escreve para os órgãos de comunicação do país. Suas mais de 1 000 cartas publicadas em jornais e revistas estão arquivadas em quarenta pastas, das quais extraiu o material para a composição do livro Espírito de Brasilidade, ainda inédito.

O estudante carioca Mário Annuza, 23 anos, escreve para as redações desde os 16. Seus comentários são publicados com freqüência nos jornais do Rio de Janeiro. Em VEJA, somam-se seis suas participações na seção de Cartas, desde 1998. "É uma forma de provar que não sou apenas uma esponja que absorve, um ser passivo que recebe os dados e não filtra", explica. Annuza chegou a cursar o 1º ano de jornalismo, mas trancou a matrícula. Escolado, ele dá uma dica útil a quem quer ter a opinião publicada: "Procuro mandar comentários curtos, para que sejam aprovados com mais facilidade".

 

Com reportagem de Vera Farkas e Eduardo Tedesco



JEAN-BAPTISTE FRÉDÉRIC BOTUL PAGÈS


Na resenha "Desrazão pura" (9 de maio), VEJA comentou o livro A Vida Sexual de Immanuel Kant (Editora Unesp) e atribuiu sua autoria ao intelectual francês Jean-Baptiste Botul. Essa informação, contudo, não procede, pois Jean-Baptiste Botul nunca existiu. Segundo a editora francesa Fayard, responsável pelo lançamento original do livro, ele é um heterônimo do jornalista francês Frédéric Pagès, autor do texto. Desde 1995, Pagès alimenta o mito em torno do intelectual nascido de sua imaginação. Mantém um site na internet sobre ele e fundou, em Paris, uma Associação dos Amigos de Botul (na qual preenche todos os cargos de direção). Como local de nascimento do personagem, escolheu o vilarejo de Lairière, nos Pireneus, que possui apenas 37 habitantes e onde um colega de Pagès se encarrega de prestar esclarecimentos aos curiosos, dizendo morar "na mesma casa onde outrora viveu Botul". Os jornais franceses Le Monde e Le Monde Diplomatique publicaram artigos sobre A Vida Sexual de Immanuel Kant. No Brasil, a Unesp lançou a obra com a recomendação de dois especialistas na filosofia de Kant, mas sem mencionar o truque da autoria. Em carta enviada a VEJA, na semana passada, a editora registrou sua posição sobre a qualidade do livro. Excetuada a confusão em torno de Botul-Pagès, A Vida Sexual de Immanuel Kant traz, de fato, inúmeras informações verídicas e divertidas a respeito da vida do filósofo. O trabalho foi avaliado pela revista como "curioso" e "impagável". VEJA não entrou no mérito das interpretações de Botul-Pagès. Os dados e as anedotas citados na resenha podem ser conferidos em obras do próprio Kant, como Metafísica dos Costumes e Reflexões sobre a Educação, em sua correspondência, em biografias como Kant Intime, que reúne reminiscências de três contemporâneos do pensador, e ainda no texto Os Últimos Dias de Immanuel Kant, clássico do escritor inglês Thomas De Quincey. A leitura de tais obras, feita diligentemente pelo resenhista de VEJA, teria poupado a imprensa amadora brasileira dos comentários tolinhos que andou publicando a respeito.



 
 
   
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