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Considero excelente o avanço tecnológico da medicina na
área da reprodução humana ("Tudo por um filho", 9
de maio). Muitas mulheres que queriam engravidar, mas não podiam,
agora podem. No entanto, vale um alerta: ter filhos significa muitíssimo
mais que simplesmente realizar um sonho, um desejo, inúmeras vezes
egoísta. Torço para que as mães estejam, a cada dia,
mais bem sintonizadas com o processo de formar uma criança. De
maneira que ela venha a ter participação ativa e harmonizada
na criação de um mundo cada vez melhor. Gostaria
de cumprimentar a equipe de VEJA pela reportagem sobre infertilidade.
Somos um casal que já passou por esse processo de tratamento na
Unicamp e não obtivemos sucesso. Começamos então
a pensar na hipótese da adoção. Até lermos
a matéria não conhecíamos a possibilidade da adoção
de embriões. Também gostaríamos de dizer que a adoção
está cada vez mais concorrida. A burocracia atrapalha bastante,
pois nos faz ter muitos gastos, e a demora desanima demais. Estamos aguardando
há oito meses, e até agora nada. Interessantíssima
a capa escolhida: para quem a mãe sorri senão para o próprio
reflexo no tubo de ensaio? Por isso, sou contra artifícios que
transformem pessoas em objetos, como a fecundação artificial.
Detalhe: sou estéril e adotaremos quantos filhos pudermos. Se
na década de 50 a princesa Soraya teve de ser rejeitada pelo xá
do Irã por não poder dar-lhe filhos, hoje, com certeza,
isso não ocorreria. Um avanço enorme no campo da reprodução
tornou a questão da infertilidade praticamente insignificante.
No entanto, os casais que querem ter um filho biológico, quando
não o conseguem de forma natural, têm de aceitar ser virados
pelo avesso, dispor de bastante dinheiro e de muito tempo, fazer viagens
e conviver com um clima de doença, por alguns meses, em clínicas
e hospitais. A mulher, principalmente, será examinada por centenas
de olhos e manipulada por inúmeras mãos enluvadas. Seu corpo
será apalpado, perscrutado por médicos, enfermeiros, máquinas
e instrumentos diversos. Deitada em uma mesa fria, com uma luz incandescente
voltada para sua vagina, deverá permanecer imóvel, quieta,
dócil, obediente, conformada com a dor e com o constrangimento
aos quais é submetida durante o processo. Essa experiência
dolorosa envolveu e marcou meu corpo e minha auto-estima por muito tempo.
Imolei-me por uma causa "legítima" e "sublime". Eu queria um filho.
Hoje vejo que as tecnologias reprodutivas mudaram o mundo, mas não
mudaram os seres humanos em seus sentimentos, angústias e medos.
Tampouco mudaram os preconceitos contra filhos que não sejam biológicos
nem contra mulheres que não engravidam.
Excelente, extraordinário, uma lição de história,
o artigo de Roberto Pompeu de Toledo. Se todas as outras revistas cumprissem
o papel de sempre informar e ensinar como faz VEJA, nosso país
teria muito menos Jader e ACM (Ensaio, 9 de maio).
Agora só falta o senhor Itamar Franco, para alguns um misto de
Forrest Gump, Policarpo Quaresma e Dom Quixote, plantar uma árvore
e escrever um livro, uma vez que, pelo menos no terreno da política,
ele já conseguiu a proeza de cometer todas as mancadas, incoerências
e gafes de que seria capaz. Sobretudo declarar moratória no início
de seu mandato, romper politicamente com FHC e ter aceito compor a chapa
de Collor nas eleições de 1989. Fazer de Newton Cardoso
seu vice no governo mineiro em 1998 é decerto a mais negra mácula
na biografia de Itamar, um erro que poderá custar-lhe a confiança
do eleitorado em 2002 ("Bons amigos", 9 de maio).
As palavras do artigo "A beleza dos casamentos" (Ponto de vista, 9 de
maio) me fizeram lembrar do meu. A cerimônia foi em uma manhã
de julho do ano passado, numa linda igrejinha cercada de árvores,
em um dos sítios históricos aqui do Recife. Tudo correu
bem, poucos convidados, mas muitos amigos e a família. O único
stress foi causado justamente pelo fotógrafo e sua equipe. Queria
que ficássemos mais de meia hora plantados no altar, posando de
tal forma que precisaríamos ter feito um curso de modelo. Meu marido
diz que nunca vai esquecer meu sorriso olhando para ele na porta da igreja.
E, para lembrar isso, como nos diz Kanitz, não necessitamos ver
o álbum de fotos nem o filme que está em nossa mesinha-de-cabeceira.
Está tudo gravado na memória de nossos afetos.
Um diagnóstico de toxoplasmose me causou o mesmo estupor: a mácula
do lindo olho azul de meu filho de 15 anos havia sido atingida, provocando
uma cegueira irreversível, e fizeram-me engolir a palavra fatalidade
como consolo. Meu pânico de que um estrago maior pudesse acontecer
me levou a propor-lhe uma terapia e, naquele momento, comecei a aprender
com o "meu jovem búlgaro". "Se isso não serve para me devolver
a visão, é melhor eu aprender a me enxergar por dentro,
sozinho", foi sua resposta. Agora, aos 19 anos, estudante de história,
ele disputa comigo VEJA aos domingos e vai sistematicamente a sua coluna
em primeiro lugar. No último domingo foi diferente: compartilhamos
a leitura em voz alta, ultrapassamos os comentários de conteúdo
e estilo e se instalou em nós um profundo sentimento de solidariedade
e um novo olhar sobre o colunista. Talvez a força do amor que nos
une o tenha feito também se preocupar com a mãe do pequeno
búlgaro e insistido tanto para que eu, pela primeira vez, me manifestasse
publicamente ("Meu pequeno búlgaro", 9 de maio). Fiquei
sensibilizada, mas ao mesmo tempo feliz, por ver que ainda existem pessoas
com a coragem de dizer que a paralisia cerebral é pública.
Faz parte do meu dia-a-dia conviver com a frustração de
mães de filhos com esse problema, que percebem o estigma nos olhos
dos outros. Agradeço o amor e a atenção com que Mainardi
retratou essa realidade. As mães também agradecem. Bem-vindo
às minorias! Que essa sua nova condição não
lhe roube o encanto de produzir libelos contra as imbecilidades made in
Brazil. Um dos prazeres que encontro em VEJA é saber que alguém
neste país não se ufana dele.
Gostaria de cumprimentar VEJA por ter feito uma denúncia, que com
certeza muitos brasileiros gostariam de fazer, sobre o lixo que a Rede
TV! vem colocando no ar. Realmente esse canal não acrescentou nada
à televisão brasileira e seus programas são algumas
vezes uma agressão ao telespectador. Até o Otávio
Mesquita, de quem eu era fã, caiu na baixaria ("Muito família",
9 de maio).
Muito boa a reportagem sobre os carros verdes. Toda tecnologia que substitua
os poluentes e ultrapassados derivados de petróleo é bem-vinda.
Mas e o nosso álcool, que hoje é copiado e utilizado em
inúmeros países ("A lei dos carros verdes", 9 de maio)? Aqui
no Brasil não vai funcionar. A gasolina não presta. Já
temos problemas com nossos catalisadores por causa da qualidade da gasolina
brasileira.
Arc
Oi, Arc! Rapaz, eu sou seu fã pra caramba! Sabia que você
está famoso mesmo? Quando fiz vestibular, um dos temas da redação
era qual seria o diálogo se de repente eu me encontrasse com você.
Tenho um sobrinho de 10 anos que depois de assistir a um documentário
sobre desastres naturais ficou intrigado ao saber que o gelo e a neve
queimam: "Se o gelo queima, por que o fogo não congela?", foi a
pergunta dele. Então, Arc, por que o fogo não congela?
Só conheço a Bahia por fotos e posso dizer que o que já
vi não foi obra de homem algum, mas de Deus, ou, se vossa senhoria
preferir, da natureza (Veja essa, 9 de maio).
A
Vida Sexual de Immanuel Kant é um bom livro: embora apresentando
uma interpretação filosófica no mínimo bizarra,
é informativo, irônico e divertido, pois trata de maneira
curiosa um tema normalmente árido. Foram esses os principais motivos
que levaram a Editora Unesp a publicá-lo e que ainda nos permitem
atestar sua qualidade. Quanto à origem do texto, conforme as notícias
que nos chegam, o autor da obra seria o senhor Pagès e não
J.B. Botul, um personagem criado pelo senhor Pagès. Só nos
cabe lamentar que tenhamos involuntariamente veiculado um livro sob autoria
incorreta, livro que, na França, foi também publicado como
sendo de Botul pela insuspeita Editora Fayard, em coleção
que inclui títulos clássicos do próprio Kant (veja
quadro).
Com referência à reportagem "Fora de hora" (9 de maio), gostaríamos
de esclarecer que o Roacutan (Isotretinoína) é indicado
para o tratamento de acne grave, que ocorre entre 10% e 15% da população
jovem. Portanto, não é o "último recurso das desesperadas",
como foi publicado.
Muito me surpreende a matéria "Fui chipada" (9 de maio). Acreditar
ou não, é um direito do repórter, assim como meu.
Porém, chacotear e questionar minha fé e verdade não
é correto. Agradeço, apesar de tudo, a oportunidade que
essa revista nos concede ao abrir espaço para um assunto que fundamenta
uma realidade que urge se tornar clara e ser tratada condignamente por
todos os cidadãos de bem. Luz, amor e paz!
Numa sociedade aberta, plural e democrática, como supõe
ser a sociedade brasileira, ser parente de alguém que ocupa posição
de destaque passou a ser crime, ou pelo menos suspeita de crime. Ninguém
pode almejar sucesso para o cônjuge, primo ou cunhado, por mais
competentes que sejam, sob pena de estar praticando o crime de "favorecimento".
Sou funcionário público desde 1968. Ocupei cargos de relevo,
inclusive de ministro de Estado, dos quais poderia ter tirado muito mais
proveito que da posição que ocupo hoje, de mero chefe de
gabinete. O fato de Eda Machado de Souza, minha mulher, ser sócia
majoritária de uma entidade que mantém uma instituição
de ensino superior em Brasília nada tem a ver com minha função
atual. Ela é, sem nenhuma falsa modéstia, uma renomada educadora.
Seu nome está associado a importantes ações e projetos
desenvolvidos pela Universidade de Campinas, onde foi professora por longos
anos, pelo Ministério da Educação, pelo Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
e pela Universidade de Brasília, em que foi coordenadora da Cátedra
Unesco de Educação à Distância. Eda não
é uma aventureira, e sim uma empresária de ensino. Respeitada
no Brasil e no exterior por sua competência, decidiu criar uma instituição
de ensino superior para vivenciar, na prática, tudo que vinha pregando
e disseminando como professora e pesquisadora ("Ação entre
amigos", 2 de maio).
CORREÇÃO: Diferentemente do que VEJA publicou na reportagem "Ação entre amigos", o conselheiro Yugo Okida não aprovou, para as faculdades ligadas ao grupo Objetivo, o equivalente a 16% dos cursos autorizados pelo MEC entre 1996 e 2000. Esse porcentual se refere apenas ao total de cursos aprovados para o Objetivo, e não ao total de cursos aprovados no país.
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