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Edição 1 700 - 16 de maio de 2001
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Governar não é só ganhar
a próxima eleição


Nani Góis

Geração de energia: erros de décadas não podem ser reparados em poucos meses


Os brasileiros preparam-se para sofrer os efeitos da mais previsível e evitável das tantas crises que pontuam a história recente do país, a falta de energia elétrica. O cenário que se prevê para os próximos meses é irritante para as pessoas em suas casas. E frustrante para os empresários. Animados com os rumos da economia, muitos deles anunciavam grandes investimentos geradores de empregos e prosperidade. Agora já se sabe que em virtude dos blecautes a economia crescerá menos neste ano e quase 1 milhão de novas vagas deixarão de ser abertas em fábricas, lojas e escritórios. O panorama se anuncia devastador para a imagem do governo. Os analistas prevêem que a soma das insatisfações com o racionamento de energia pode fazer fermentar uma crise pior que a CPI da corrupção que o governo tenta evitar a todo o custo.

Já se disse que a diferença entre o político e o estadista é que o primeiro pensa na próxima eleição, enquanto o segundo pensa na próxima geração. O Brasil teve sucessivos governantes que, confrontados com o desafio da produção de energia em quantidade suficiente para alimentar os sonhos de crescimento, escolheram outras prioridades. Pensaram mais nos efeitos imediatos e eleitoreiros de seus gastos do que em construir uma infra-estrutura sólida a ser desfrutada pelos brasileiros das gerações futuras. Entende-se. No longo prazo todos estaremos mortos, como diz o senso comum. Mas dos estadistas espera-se que pensem com mais grandeza do que a média de seus contemporâneos. O atual governo, embora não tenha toda a culpa pelo desastre, herdará todo seu custo social, econômico e político. Pecou por não ter repetido na área de energia elétrica a manobra impecável com que modernizou o sistema nacional de telecomunicações e, em poucos anos, deu ao Brasil uma telefonia digital e de voz com padrões de Primeiro Mundo. Não enxergou adiante, um exercício que todo governo tem de fazer para minimizar o sofrimento que as situações novas sempre trazem. Vamos todos pagar por essa falta de planejamento inadmissível. Veja reportagem de capa.

 
 
   
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