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Governar não
é só ganhar
a próxima eleição
Nani Góis

Geração
de energia: erros de décadas não podem ser reparados
em poucos meses |
Os brasileiros preparam-se para sofrer os efeitos da mais previsível
e evitável das tantas crises que pontuam a história recente
do país, a falta de energia elétrica. O cenário que
se prevê para os próximos meses é irritante para as
pessoas em suas casas. E frustrante para os empresários. Animados
com os rumos da economia, muitos deles anunciavam grandes investimentos
geradores de empregos e prosperidade. Agora já se sabe que em virtude
dos blecautes a economia crescerá menos neste ano e quase 1 milhão
de novas vagas deixarão de ser abertas em fábricas, lojas
e escritórios. O panorama se anuncia devastador para a imagem do
governo. Os analistas prevêem que a soma das insatisfações
com o racionamento de energia pode fazer fermentar uma crise pior que
a CPI da corrupção que o governo tenta evitar a todo o custo.
Já
se disse que a diferença entre o político e o estadista
é que o primeiro pensa na próxima eleição,
enquanto o segundo pensa na próxima geração. O Brasil
teve sucessivos governantes que, confrontados com o desafio da produção
de energia em quantidade suficiente para alimentar os sonhos de crescimento,
escolheram outras prioridades. Pensaram mais nos efeitos imediatos e eleitoreiros
de seus gastos do que em construir uma infra-estrutura sólida a
ser desfrutada pelos brasileiros das gerações futuras. Entende-se.
No longo prazo todos estaremos mortos, como diz o senso comum. Mas dos
estadistas espera-se que pensem com mais grandeza do que a média
de seus contemporâneos. O atual governo, embora não tenha
toda a culpa pelo desastre, herdará todo seu custo social, econômico
e político. Pecou por não ter repetido na área de
energia elétrica a manobra impecável com que modernizou
o sistema nacional de telecomunicações e, em poucos anos,
deu ao Brasil uma telefonia digital e de voz com padrões de Primeiro
Mundo. Não enxergou adiante, um exercício que todo governo
tem de fazer para minimizar o sofrimento que as situações
novas sempre trazem. Vamos todos pagar por essa falta de planejamento
inadmissível. Veja reportagem
de capa.
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