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Televisão O que faz da humorista Sarah
Silverman uma
Em setembro passado, Britney Spears, fora de forma e incapaz de cantar, fez uma apresentação constrangedora na premiação anual da MTV americana. Em vez de deixar passar em branco, Sarah Silverman, a mestre-de-cerimônias, ironizou: "Uau, Britney é incrível. Tem só 25 anos e já conquistou tudo o que vai conquistar na vida". A tirada resume o estilo "sem dó nem piedade" da humorista americana, que no Brasil pode ser vista na sitcom que leva seu nome (exibida pelo canal pago Sony). Sarah despontou na década de 90, no programa Saturday Night Live. Aos 37 anos, chama atenção por explorar uma vertente incomum no humor feminino. Ela não vai pela mesma trilha autodepreciativa das protagonistas de Sex and the City ou Ugly Betty. Também não exibe a sutileza de uma Tina Fey no seriado 30 Rock. Como uma espécie de versão americana da veterana Dercy Gonçalves, investe num tipo de humor mais associado aos homens, por ser chulo, agressivo e, em certo sentido, infantil. Em seu programa, ela pen-sa e age como criança. Leva tudo o que lhe dizem ao pé da letra e não admite ser contrariada. Também adora uma boa escatologia. "Muita gente diz que meu humor é calcado em preconceitos. Nada disso. É calcado em fatos", diz Sarah, que não se intimida principalmente quando o assunto são as minorias. Ela mesma é de origem judia. A Sarah da ficção não trabalha e é bancada pela irmã caçula (vivida pela irmã mais velha da comediante na vida real, Laura). Ela é infernal, e não poupa nada: a religião, as mulheres, os gays, nem mesmo os doentes de aids. No episódio da semana passada, Sarah chateou-se com uma corrida de deficientes em cadeira de rodas aos quais se referiu como "retardados". A certa altura, viu-se diante de um homem negro vestido de branco. "Você deve ser o ajudante de Deus", disse (na verdade, era Deus em pessoa). Seu humor tem um lado bagaceira pronunciado. No mesmo episódio, uma piada sobre flatulências foi arrematada com um clipe no qual Sarah entoava uma canção apoteótica sobre o tema. Esse tipo de sátira musical, aliás, é outra marca da comediante. Ela fez sucesso no YouTube com um vídeo intitulado "Transando com Matt Damon", em que faz um dueto com o ator. Seu namorado, Jimmy Kimmel, apresentador de um talk-show nos Estados Unidos, deu o troco com outro vídeo, em que se gaba de fazer sexo com o ator Ben Affleck (para "vingar-se" da namorada tosca, fez uma superprodução com a participação de Brad Pitt, Harrison Ford e Cameron Diaz, entre outros). Pode-se gostar ou não de Sarah Silverman. Mas não dá para negar que seu humor incomoda.
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