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Edição 2056

16 de abril de 2008
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Trapaça com classe

Em Quebrando a Banca, um grupo de jovens
gênios da matemática leva a melhor em Las Vegas


Isabela Boscov

Spacey e seus ases do blackjack: nem tente fazer isso em casa

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Vídeo: Comentários de Isabela Boscov
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Trailer do filme

Roubar cassinos na cara dura, como fazem George Clooney & amigos na série iniciada com Onze Homens e Um Segredo, é, além de ilegal, impraticável fora da ficção; já contar cartas no jogo de blackjack, recalculando as probabilidades a cada novo lance, é possível, desde que se seja um gênio matemático, e está dentro da lei, desde que o jogador não receba dicas de outros – mas é menos empolgante do que a primeira opção, ao menos da forma como se vê em Quebrando a Banca (21, Estados Unidos, 2008), que estréia nesta sexta-feira no país. No filme, Jim Sturgess, de Across the Universe, é Ben, um rapaz de inteligência excepcional que está terminando uma temporada no MIT, o prestigiadíssimo Instituto de Tecnologia de Massachusetts, com notas suficientes para disputar uma bolsa na faculdade de medicina de Harvard. Se não conseguir ganhá-la, terá de pagar 300.000 dólares pelo curso, que ele nem de longe possui. Pelo sim, pelo não, portanto, Ben derrota alguns dilemas morais e se junta a um grupo de outros alunos superdotados que, sob a orientação de um professor de matemática (Kevin Spacey), vive de ganhar da banca em Las Vegas. O problema é que, sim, esses jovens ases se comunicam entre si por meio de sinais – uma prática que, quando flagrada, costuma acarretar retaliações por parte dos seguranças dos cassinos, representados aqui por Laurence Fishburne.

Quebrando a Banca se baseia no best-seller de não-ficção Bringing Down the House, sobre um grupo de estudantes do MIT que, nos anos 90, viveu emoções intensas e ganhou milhões fazendo o que fazem os personagens do filme. Mas, na direção do australiano Robert Luketic, de Legalmente Loira, o foco sai da ansiedade dos jogadores para os entrechos de praxe: o romance do nerd com a garota bonita (e vale dizer que o inglês Jim Sturgess tem um algo mais para convencer como namorado de Kate Bosworth), os velhos amigos que ele larga pela montanha-russa de Vegas e pelo guarda-roupa um bocado mais elegante que ela lhe proporciona e os conflitos entre Ben e o professor, interpretado por Spacey com aqueles maneirismos que alguns anos atrás ele fazia passar por estilo. Fosse feito com mais apuro e consistência, Quebrando a Banca poderia de fato elevar a freqüência cardíaca, em vez de apenas divertir e entreter. Ainda assim, o diretor Luketic pode ser considerado um apostador inteligente: neste período anterior ao verão americano, de habitual entressafra cinematográfica, seu filme anda recolhendo todas as fichas da platéia.



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