Roubar cassinos na
cara dura, como fazem George Clooney & amigos na série
iniciada com Onze Homens e Um Segredo, é, além
de ilegal, impraticável fora da ficção;
já contar cartas no jogo de blackjack, recalculando as
probabilidades a cada novo lance, é possível,
desde que se seja um gênio matemático, e está
dentro da lei, desde que o jogador não receba dicas de
outros mas é menos empolgante do que a primeira
opção, ao menos da forma como se vê em Quebrando
a Banca(21, Estados Unidos, 2008), que estréia
nesta sexta-feira no país. No filme, Jim Sturgess, de
Across the Universe, é Ben, um rapaz de inteligência
excepcional que está terminando uma temporada no MIT,
o prestigiadíssimo Instituto de Tecnologia de Massachusetts,
com notas suficientes para disputar uma bolsa na faculdade de
medicina de Harvard. Se não conseguir ganhá-la,
terá de pagar 300.000 dólares pelo curso, que
ele nem de longe possui. Pelo sim, pelo não, portanto,
Ben derrota alguns dilemas morais e se junta a um grupo de outros
alunos superdotados que, sob a orientação de um
professor de matemática (Kevin Spacey), vive de ganhar
da banca em Las Vegas. O problema é que, sim, esses jovens
ases se comunicam entre si por meio de sinais uma prática
que, quando flagrada, costuma acarretar retaliações
por parte dos seguranças dos cassinos, representados
aqui por Laurence Fishburne.
Quebrando a Banca
se baseia no best-seller de não-ficção
Bringing Down the House, sobre um grupo de estudantes
do MIT que, nos anos 90, viveu emoções intensas
e ganhou milhões fazendo o que fazem os personagens do
filme. Mas, na direção do australiano Robert Luketic,
de Legalmente Loira, o foco sai da ansiedade dos jogadores
para os entrechos de praxe: o romance do nerd com a garota bonita
(e vale dizer que o inglês Jim Sturgess tem um algo mais
para convencer como namorado de Kate Bosworth), os velhos amigos
que ele larga pela montanha-russa de Vegas e pelo guarda-roupa
um bocado mais elegante que ela lhe proporciona e os conflitos
entre Ben e o professor, interpretado por Spacey com aqueles
maneirismos que alguns anos atrás ele fazia passar por
estilo. Fosse feito com mais apuro e consistência, Quebrando
a Banca poderia de fato elevar a freqüência cardíaca,
em vez de apenas divertir e entreter. Ainda assim, o diretor
Luketic pode ser considerado um apostador inteligente: neste
período anterior ao verão americano, de habitual
entressafra cinematográfica, seu filme anda recolhendo
todas as fichas da platéia.