BUSCA

Revistas
Notícias
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
REVISTAS
VEJA
Edição 2056

16 de abril de 2008
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
André Petry
Diogo Mainardi
J.R. Guzzo
Lya Luft
Millôr
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Auto-retrato
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 


A tocha da discórdia

Desfile da chama olímpica vira uma
corrida de 13 700 km com barreiras


Thomaz Favaro

George Nikitin/AFP
Atletas com a tocha olímpica em
São Francisco, nos Estados Unidos: roteiro secreto para despistar os manifestantes


Ainda faltam quatro meses para a abertura dos Jogos Olímpicos em Pequim, mas já se tornou evidente que nesta olimpíada não será fácil separar esporte de política. Na semana passada, por onde passou, a tocha olímpica atraiu protestos irados e várias tentativas, todas frustradas, de apagar a chama como forma de protesto contra a repressão chinesa às manifestações pela independência do Tibete. E até agora foram apenas os primeiros desfiles de um roteiro que deverá passar por 135 cidades, em vinte países, em 130 dias. A China prepara-se há anos para transformar esse evento esportivo em uma exibição de riqueza e modernidade. A ameaça de o espetáculo ser prejudicado pela confrontação política, com protestos e boicotes, pairava no ar desde o momento em que a capital chinesa foi escolhida como sede dos Jogos. Ainda assim, surpreende a forma bem organizada com que os partidários da independência tibetana aproveitaram a oportunidade para fazer ouvir suas reivindicações.

Desde que foi acesa, no mês passado, na Grécia, a chama olímpica vem sendo caçada por grupos de ativistas. Nem o pelotão de guarda-costas enviado pela China para proteger a tocha conseguiu mantê-la totalmente a salvo. Na capital inglesa, um manifestante passou pela barreira policial e quase a tirou da mão da celebridade que a levava. Vários outros tentaram extinguir a chama com o uso de um extintor de incêndio. Em sete horas, 37 pessoas foram presas. Em Paris, dois símbolos da cidade – a Torre Eiffel e a Catedral de Notre Dame – foram decorados com bandeiras nas quais algemas substituíam as tradicionais argolas olímpicas.

Cada novo protesto aumenta a pressão sobre os líderes mundiais pelo boicote aos Jogos de Pequim – ou, pelo menos, para que se manifestem sobre a forma bruta com que o Partido Comunista Chinês lida com vozes dissidentes. Na semana passada, o Parlamento europeu pediu oficialmente aos chefes de governo que não compareçam à cerimônia de abertura dos Jogos se até lá a China não iniciar negociações com o Dalai-Lama sobre a situação do Tibete. O presidente da instituição até cogita convocar uma cerimônia paralela, com a presença do chefe do budismo tibetano. A chanceler alemã, Angela Merkel, anunciou que não vai a Pequim. Gordon Brown, da Inglaterra, só aparecerá na cerimônia de encerramento. Fazer desfeita pode trazer complicações similares para a Inglaterra, que abrigará os Jogos de 2012. Hillary Clinton e Barack Obama, os dois pré-candidatos democratas à Presidência dos Estados Unidos, pediram a George W. Bush que falte ao evento.

Ian Walton/AP

Em Londres (acima), 37 pessoas foram presas
durante os protestos contra os Jogos de Pequim.
Abaixo, policiais imobilizam manifestante em Paris,
na França


Joel Saget/AFP

A simpatia internacional pela causa tibetana deve-se bastante ao carisma e à popularidade do Dalai-Lama, o líder espiritual do budismo tibetano que vive exilado na Índia desde 1959. Com um discurso de não-violência, um Nobel da Paz no currículo e uma religião cujos fundamentos a maioria das pessoas desconhece, mas acredita que sejam baseados na paz e no amor, ele transformou a luta pela libertação do Tibete numa causa vista com bons olhos no Ocidente. Só no ano passado, o Dalai-Lama encontrou-se com os chefes de governo dos Estados Unidos, Canadá, Alemanha e Austrália. Cauteloso e ansioso por manter abertas as portas ao diálogo, ele se posicionou contra os protestos aos Jogos de Pequim.

A história dos Jogos Olímpicos mostra que as conexões entre a competição esportiva e manifestações políticas e sociais são inevitáveis. Mas desde a Olimpíada de Barcelona, em 1992, não há boicotes das dimensões daqueles promovidos durante a Guerra Fria. Os atletas festejam esse período de tranqüilidade. Chegar a uma edição do principal evento esportivo internacional é uma consagração para qualquer esportista e exige anos de dedicação. Em muitas modalidades nas quais a vida útil do atleta é curta, poucos têm a chance de competir em mais de duas ou três olimpíadas. "Os boicotes foram prejudiciais apenas aos atletas, que perderam a oportunidade de participar dos Jogos devido a razões políticas", diz o holandês Anthony Bijkerk, secretário-geral da Sociedade Internacional de Historiadores Olímpicos.

Toru Hanai/Reuters
O Dalai-Lama, líder espiritual do Tibete: viagens para divulgar a causa tibetana

O boicote também deprecia a competição. Em 1980, quando os Estados Unidos e outros sessenta países não participaram da Olimpíada de Moscou, o número de atletas caiu 15% e a União Soviética venceu facilmente com oitenta medalhas de ouro — mais de um terço do total. Nos Jogos seguintes, em Los Angeles, os comunistas não foram e os americanos levaram 83 medalhas de ouro. Não há garantias de que os protestos possam levar o governo da China a respeitar os direitos humanos no país. Ao contrário, o que se viu até agora foi uma reação irada e apelos ao orgulho nacional chinês. Em vários lugares, como em São Francisco, nos Estados Unidos, a comunidade de imigrantes chineses foi convocada a enfrentar os manifestantes pró-Tibete. O revezamento da tocha inclui uma passagem de três dias pelo Tibete e termina no Estádio Olímpico, em Pequim, em agosto. Nesta quinta-feira, a tocha estará em Nova Délhi, na Índia, país vizinho ao Tibete e onde vivem cerca de 130 000 exilados tibetanos. A previsão é de mais confusão. Para o governo chinês, a viagem da tocha olímpica tornou-se uma corrida de 13 700 quilômetros com barreiras.

 

 

Um maiô de alto risco

Ted Warren/AP

César Cielo após a vitória no GP de Ohio: novo recorde, mesmo com dedos deslocados

O nadador brasileiro César Cielo Filho superou três enormes barreiras no último domingo. Ele venceu o americano Michael Phelps, fenômeno mundial das piscinas e dono de seis medalhas olímpicas de ouro. De quebra, bateu o recorde sul-americano nos 100 metros nado livre. A marca anterior também era dele. Como se não bastasse, o paulista de Santa Bárbara d’Oeste enfrentou a dor de competir com dois dedos deslocados, que deixaram suas mãos inchadas e doloridas. Na vitória, Cielo usava o supermaiô LZR Racer, da Speedo, que com tecnologia desenvolvida pela Nasa, a agência espacial americana, ajudou a quebrar 22 dos 23 recordes mundiais de natação deste ano. Para entrar no maiô, extremamente colado ao corpo, cuja abertura tem apenas 40 centímetros de comprimento, o nadador precisa da ajuda de outras pessoas. O LZR Racer, no entanto, só dura seis provas, segundo o fabricante. Quando trocava seu maiô por outro modelo, demasiado apertado para seu tamanho, Cielo enroscou os dois polegares no tecido emborrachado e deslocou os dedos um dia antes da prova. No mesmo dia, o nadador disputou a final dos 50 metros, mas o incômodo causado pelas mãos machucadas prejudicou seu desempenho. "Meu pai, que é médico, e meu técnico chegaram a recomendar que eu também desistisse da prova dos 100 metros", diz Cielo. Como se sentiu bem no dia da competição, foi para a piscina e ganhou.


Publicidade

 
Publicidade

 
  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |