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16 de abril de 2008
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Economia
O chinês voador

Investidor tenta limpar as contas bancárias
da VarigLog e agrava crise na empresa


Fábio Portela

Sergio Castro/AE
Lap Chan: o chinês decolou e deixou a VarigLog no chão


Há dez dias, o chinês Lap Chan tornou-se o primeiro estrangeiro a controlar uma companhia aérea no Brasil. Por decisão da Justiça paulista, ele passou a comandar a VarigLog, líder no transporte aéreo de cargas na América Latina. Sua tarefa, combinada com a Justiça, seria evitar a quebra da companhia e arranjar um investidor brasileiro disposto a assumi-la. Lap Chan fez diferente. Dois dias após assumir a direção da empresa, tentou sacar 85 milhões de dólares que estavam em uma conta da VarigLog em um banco suíço. Em seguida, sumiu do radar – segundo seus assessores, deixou o país. O vôo do chinês pelo setor aéreo brasileiro começou em 2006, quando ele se associou a três empresários nacionais para comprar a VarigLog, um braço da antiga Varig que estava à beira da falência. Lap Chan representava o fundo americano Matlin Patterson, que tinha 40 milhões de dólares para investir no negócio. Associou-se, então, aos brasileiros, o que atende a uma exigência legal (o Código Aeronáutico proíbe estrangeiros de controlar empresas aéreas). Em 2007, o chinês e os sócios brigaram. A disputa chegou aos tribunais. Lap Chan acusou os brasileiros de má gestão. Já os empresários locais acusaram o sócio estrangeiro de estrangular financeiramente a companhia.

Com a briga, as finanças da VarigLog degringolaram. Preocupado com a sobrevivência da empresa, o juiz José Paulo Magano afastou os brasileiros do negócio e entregou o controle da companhia a Lap Chan, a quem fez duas exigências: 1) ele deveria arranjar novos sócios brasileiros; e 2) só poderia usar os 83 milhões de dólares depositados na Suíça para pagar despesas da VarigLog. O chinês concordou. Mas, uma vez no comando, fez justamente o contrário. Na semana passada, foi flagrado tentando transferir os 85 milhões de dólares para uma conta controlada por ele em Nova York. A operação foi descoberta pelo advogado da VarigLog na Suíça, surpreso com a movimentação repentina de tanto dinheiro. Alertado, o juiz Magano aplicou uma multa de 1 milhão de dólares a Chan por descumprir ordens judiciais e determinou que a polícia apreendesse seu passaporte. Mas o chinês já tinha batido asas. No fim da tarde de quarta-feira, viajou para Nova York. Os assessores do fundo Matlin Patterson no Brasil dizem que tudo foi um grande mal-entendido e que o dinheiro seria devolvido à VarigLog. Enquanto isso, a empresa tenta voar no piloto automático. Com o caixa seco, já perdeu uma grande fatia de seu mercado e pode ser obrigada a suspender as operações nas próximas semanas.

 

O peso da VarigLog

Antes do conflito societário que hoje ameaça seu funcionamento, a empresa liderava o setor de transporte aéreo de carga da América Latina

• Ainda no ano passado, controlava 57% do mercado nacional de carga aérea

• Chegou a faturar 1,3 bilhão de reais por ano

• Já teve bases em 13 países e operações em outros 37

• Mesmo à beira do colapso, mantém ativos avaliados
em 200 milhões de dólares

Fonte: VarigLog

 



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