Investidor tenta limpar
as contas bancárias da VarigLog e agrava crise na empresa
Fábio
Portela
Sergio
Castro/AE
Lap
Chan: o chinês decolou e deixou a VarigLog no chão
Há
dez dias, o chinês Lap Chan tornou-se o primeiro estrangeiro a controlar
uma companhia aérea no Brasil. Por decisão da Justiça paulista,
ele passou a comandar a VarigLog, líder no transporte aéreo de cargas
na América Latina. Sua tarefa, combinada com a Justiça, seria evitar
a quebra da companhia e arranjar um investidor brasileiro disposto a assumi-la.
Lap Chan fez diferente. Dois dias após assumir a direção
da empresa, tentou sacar 85 milhões de dólares que estavam em uma
conta da VarigLog em um banco suíço. Em seguida, sumiu do radar
segundo seus assessores, deixou o país. O vôo do chinês
pelo setor aéreo brasileiro começou em 2006, quando ele se associou
a três empresários nacionais para comprar a VarigLog, um braço
da antiga Varig que estava à beira da falência. Lap Chan representava
o fundo americano Matlin Patterson, que tinha 40 milhões de dólares
para investir no negócio. Associou-se, então, aos brasileiros, o
que atende a uma exigência legal (o Código Aeronáutico proíbe
estrangeiros de controlar empresas aéreas). Em 2007, o chinês e os
sócios brigaram. A disputa chegou aos tribunais. Lap Chan acusou os brasileiros
de má gestão. Já os empresários locais acusaram o
sócio estrangeiro de estrangular financeiramente a companhia.
Com
a briga, as finanças da VarigLog degringolaram. Preocupado com a sobrevivência
da empresa, o juiz José Paulo Magano afastou os brasileiros do negócio
e entregou o controle da companhia a Lap Chan, a quem fez duas exigências:
1) ele deveria arranjar novos sócios brasileiros; e 2) só poderia
usar os 83 milhões de dólares depositados na Suíça
para pagar despesas da VarigLog. O chinês concordou. Mas, uma vez no comando,
fez justamente o contrário. Na semana passada, foi flagrado tentando transferir
os 85 milhões de dólares para uma conta controlada por ele em Nova
York. A operação foi descoberta pelo advogado da VarigLog na Suíça,
surpreso com a movimentação repentina de tanto dinheiro. Alertado,
o juiz Magano aplicou uma multa de 1 milhão de dólares a Chan por
descumprir ordens judiciais e determinou que a polícia apreendesse seu
passaporte. Mas o chinês já tinha batido asas. No fim da tarde de
quarta-feira, viajou para Nova York. Os assessores do fundo Matlin Patterson no
Brasil dizem que tudo foi um grande mal-entendido e que o dinheiro seria devolvido
à VarigLog. Enquanto isso, a empresa tenta voar no piloto automático.
Com o caixa seco, já perdeu uma grande fatia de seu mercado e pode ser
obrigada a suspender as operações nas próximas semanas.
O peso da VarigLog
Antes
do conflito societário que hoje ameaça seu funcionamento, a empresa
liderava o setor de transporte aéreo de carga da América Latina
Ainda no ano passado, controlava
57% do mercado nacional de carga aérea
Chegou a faturar 1,3 bilhão de reais por ano
Já teve bases em 13 países e operações em outros
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Mesmo à beira
do colapso, mantém ativos avaliados em 200 milhões de dólares