|
Cartas
Maldade contra crianças Foi com
um misto de tristeza e revolta que li, com a ajuda de meus pais, a reportagem
"Quando o mal triunfa" (9 de abril), sobre as atrocidades que têm
sido cometidas contra as crianças. Por que tanta fúria contra nós,
se só propiciamos alegria e felicidade? Por que tanta violência,
se somos seres indefesos, símbolos da paz? Por que tanta humilhação,
se retratamos a candura, a inocência e a ingenuidade? Tenho
um filho de 4 meses e quanto mais olho para ele menos entendo como um ser humano
pode fazer mal a uma criança, um ser inocente, com um coração
tão puro, que tanto nos ensina e nos traz alegria. Parabéns
a VEJA pela reportagem de capa tão majestosa. Antigamente
ensinávamos aos nossos filhos que eles tinham de tomar cuidado com os estranhos
até que eles se tornassem conhecidos. Atualmente temos de ensinar que os
conhecidos podem, em algum momento, se tornar estranhos. Tenho
18 anos e mais uma vez VEJA me surpreendeu, agora com a reportagem "Quando
o mal triunfa". É cada vez mais triste ver o mundo dominado por
pessoas insanas, que fazem da tortura um ato para extravasar raivas, ou até
mesmo "educar". Isso deveria ser considerado crime inafiançável.
Crianças vítimas desse tormento levam para sempre na mente os maus-tratos
a que foram submetidas. Sou
professora de puericultura/pediatria e atendo vítimas de violência.
Em recente pesquisa no Ambulatório de Pediatria Comportamental do
Hospital das Clínicas do Recife constatamos que o primeiro diagnóstico
foi: "alterações das relações familiares";
o segundo, "violência familiar por uso de álcool". Outras
revelações: falta de paciência, gritos e dar "lapadas
com cipó de goiabeira" são o cotidiano de muitas famílias
para castigar os filhos ou relacionar-se com eles, inclusive adolescentes. É
possível que, com essa tragédia, o país desperte para a necessidade
contínua de que todos os segmentos da sociedade, e não apenas os
profissionais, estejam alerta para combater esta verdadeira doença que
é mundial: a violência familiar. Parabéns pela escolha da
capa e pela importante reportagem. A
reportagem sobre o mal do ser humano nos leva a questionar muitas coisas. Aqui
em Curitiba, na quinta-feira 3, o filho de um amigo meu foi espancado por um grupo
de skinheads. Sofreu desmaio e terá de passar por cirurgias para reparação
do rosto. Motivo: ele tem o cabelo tingido de vermelho e, para os skinheads, parece
um punk; logo, merece violência. Isso ocorreu numa praça central,
por volta das 22 horas. A humanidade está desesperadamente enferma. Quem
poderá nos curar? Creio que somente o amor de Deus. Há
séculos o homem vive na crença de que os problemas do mal da humanidade
terminem. Aqui estamos, na primeira década do século XXI, engasgados
com tanta crueldade.
Governadores Gostaria
de externar quanto fico feliz com essas notícias sobre política
e administração pública. Mas principalmente parabenizar
VEJA pela iniciativa de dar destaque ao que se faz de bom neste país. Se
valorizarmos os administradores públicos que retribuem a confiança
da população com bons serviços, estaremos incentivando-os
a continuar e estimulando outros a fazer o mesmo. Excelente notícia. Parabéns.
("Seis homens, um destino", 9 de abril.) A
credibilidade, o respeito e a excelência da gestão pública
passam pelo trabalho de administradores que, como o governador José Roberto
Arruda, investem na melhoria da qualidade de vida da comunidade do Distrito Federal.
Parabenizamos a revista VEJA por mostrar ao povo brasileiro que ainda existem
políticos sérios, competentes e comprometidos com a transparência
de suas ações e em transformar o Brasil num país cidadão. Muito
oportuna a reportagem "Seis homens, um destino". Por Minas Gerais, posso
afirmar que o governador do estado, Aécio Neves, apresentou em seus dois
mandatos um novo modelo de administração, com resultados visíveis
em todo o país. Tendo o governo como parceiro, conseguimos desenvolver
grandes projetos sociais, que reduziram a criminalidade em Minas e devolveram
a dignidade a grande parte da população. Todos colhem os frutos:
a economia cresceu, temos mais emprego, renda, educação e segurança. Ótima
a reportagem sobre os governadores. Em relação ao governador do
Espírito Santo, Paulo Hartung, não é novidade para nós,
capixabas, seu alto índice de aprovação. Apesar da pouca
idade (50 anos), ele já está na vida pública há mais
de trinta anos. Foi presidente do DCE na época de faculdade, deputado estadual,
federal, senador, prefeito de Vitória e, agora, governador. Nunca teve
seu nome associado a nada errado; ao contrário, sempre combateu a corrupção
que durante muito tempo devastou nosso estado. Paulo Hartung é exemplo
para outros políticos e será um presente para o nosso país
se for escolhido vice-presidente na chapa do PSDB. Vejo
com muito ceticismo essas avaliações, pois as propaladas boas administrações
não se refletem no cotidiano dos cidadãos comuns. O pequeno comércio
que minha irmã possui na cidade mineira de Uberaba já foi assaltado
inúmeras vezes e a violência por lá não mostra sinais
de arrefecimento. A sensação de insegurança e a ineficiência
dos aparatos de segurança pública naquela cidade são desanimadoras,
embora, como afirma VEJA, Minas seja o estado que mais investe em segurança
pública e haja uma queda nos índices de criminalidade. A cidade
de Brasília e seu entorno crescem de forma caótica, com amontoados
de construções desordenadas em áreas com fartos incentivos
oficiais. É um espetáculo deprimente circular por lugares como Riacho
Fundo! O governo local é frouxo com aqueles que invadem áreas públicas
e, em vez de demolir as inúmeras construções irregulares,
trata de engendrar leis para beneficiar os fora-da-lei. É desnecessário
tecer comentários sobre a situação da saúde pública
no Rio de Janeiro, onde a inépcia do estado está ceifando a vida
de dezenas de pessoas. Mas, pudera, a eficiente administração de
seu governador reduziu em 54% o gasto, entre outros, com a saúde. Se esses
são os nossos melhores governadores, o que nos reservará o futuro?
Dossiê dos gastos corporativos Temos
de admitir que a ignorância está presente até nos mais altos
escalões da administração pública. Na reportagem "Só
falta o autor" (9 de abril), de Alexandre Oltramari, está clara e
transparente a responsabilidade pela autoria do "dossiê" com gastos
do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A ministra Dilma Rousseff, em mais
uma demonstração de arrogância e prepotência, esqueceu
de considerar a competência de seus assessores. Não há enigma,
não há chantagem política, muito menos funcionário
infiltrado pela oposição. Cara ministra, como funcionária
pública, vossa excelência é responsável por seus atos,
palavras e omissões. Minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa.
Será
que estamos diante de um novo Golbery de saia petista? O PT aprendeu bem as lições
da ditadura. Tende a fazer tudo igual ou pior que antes! Quebraram há muito
o cristal petista. Constantemente
se afirma, e eu concordo, que a maior característica deste governo é
o sistemático rebaixamento das instituições. Por ser sistemático,
ele se repete nos cacoetes. Lançam agora a Polícia Federal em uma
apuração direcionada sobre o dossiê, que avilta a independência
da autoridade policial. E para iludir a quem, ministro da Justiça? Caso
a PF se limite a indicar o autor do vazamento, perderá de modo irrecuperável
(pelo menos a curto prazo) a credibilidade, identificando-se com aquilo que Tarso
Genro preconizou: uma "staatpolizei". A partir de então, qual
será o valor da PF diante da população a qual serve?
Lula em campanha Parabenizo a
revista pela reportagem "O plano A e o B" (9 de abril), abordando os
planos presidenciais de sufocar a democracia brasileira. Em um governo que
faz de tudo para abafar as falcatruas e passar a mão na cabeça dos
poucos políticos que sofreram com as conseqüências de seus
atos ilegais, não é de admirar que haja luta pelo poder e tiros
para todos os lados. E agora era só o que faltava: ex-presidentes
com cargo vitalício no Senado. Não
acredito! Criar o cargo de senador vitalício para ex-presidentes da República
a partir do Sarney! Cá pra nós: o Brasil não é um
país sério.
Mauro Dutra ONGs, uma doença
crônica que já virou moda, são criadas com uma facilidade
incrível neste país. Existem no Brasil 300 000 ONGs, e grande
parte delas não apresenta documentação regular. O nome diz
Organização Não-Governamental, mas elas recebem dinheiro
do governo. E muitas delas dão sumiço a esse dinheiro, como fez
Mauro Dutra, o amigo do Lula, que criou a ONG Ágora para capacitar pobres
para o mercado de trabalho ("Dinheiro devolvido", 9 de abril). Até
o momento a ONG não capacitou ninguém.
Madeleine Albright Na entrevista de
Madeleine Albright a VEJA (Amarelas, 9 de abril), impressionaram-me sua coragem,
lucidez e a avaliação sobre Fernando Henrique Cardoso e Lula. O
destaque dado pela professora Madeleine a FHC mostra bem o valor desse brasileiro
que os atuais donos do poder PT e aliados insistem em jogar no limbo! A
entrevista com a senhora Madeleine Albright dá o tom exato da arrogância
consciente do americano. Ao mesmo tempo que reconhece que seu país não
pode ter carta-branca para fazer no mundo tudo o que achar certo, não
perde a pose. Considera os Estados Unidos indispensáveis e faz questão
de se posicionar sobre política internacional como se fosse a voz da razão.
Não é americana, mas adotou seus vícios.
Insegurança nas escolas A reportagem
"Medo na escola" (9 de abril) aborda um tema freqüente na vida
da maior parte dos jovens brasileiros. O mundo tornou-se excessivamente perigoso
e a violência se faz presente em todos os lugares. As escolas, que deveriam
ser seguras e tranqüilas, passaram de locais de aprendizagem para cenário
de temor constante. A violência internalizou-se em cada pessoa e está
fazendo com que inocentes sofram. Tornou-se comum ouvirmos que uma criança
foi atingida por uma bala perdida perto do colégio em que estudava ou que
houve um assassinato dentro da própria escola. Além disso, é
trágico que a segurança tenha se transformado em critério
de escolha; os pais deveriam escolher as instituições em que seus
filhos estudam pela qualidade do ensino, e não pela segurança que
elas oferecem. É, portanto, indispensável que o combate à
violência seja feito de forma eficaz. Pois a paz, almejada por muitos brasileiros,
pode se concretizar apenas com a construção diária da segurança
da população. A
questão da insegurança dentro das instituições de
ensino foi abordada de maneira brilhante por Camila Pereira. Em contrapartida,
o problema não se restringe às escolas públicas. Presencio
regularmente consumo de drogas, furtos e agressões físicas dentro
do colégio no qual estudo, localizado no bairro do Itaim Bibi, cuja mensalidade
supera os 1 500 reais. Resta a educadores e pais a dificílima tarefa
de mostrar ao jovem a desonestidade que nos rodeia e as razões para resistir
à tentação das drogas. A
reportagem "Medo na escola" reflete o amargor da realidade da violência
escolar, que se banalizou de tal forma, vulgarizou-se a tal ordem que notícias
de agressão a professores chamam a atenção da população
apenas quando a gravidade do ocorrido extrapola os muros da escola. Urge tomar
medidas que possam dar tranqüilidade aos pais, alunos e professores. Para
que isso aconteça, eles precisam ser ouvidos e suas queixas e sugestões
têm de atingir os mandatários educacionais do estado. A escola pública
não pode ser mera caixa de ressonância de uma sociedade marcada pela
violência. Deve ser paradigma de mudança social, primeiro e indispensável
passo em direção a um futuro promissor.
Colombiano refugiado no Brasil Sobre a reportagem "Fugindo
do terrorismo" (13 de fevereiro), o refugiado Luis Eduardo Rey Garzon não
sofreu perseguição por parte das Farc, mas de outros grupos armados
irregulares que compõem o triste cenário do conflito interno na
Colômbia, uma das maiores crises humanitárias da atualidade.
Governadores 2 Parabenizo
VEJA pela reportagem sobre as boas surpresas da atual safra de governadores e
pela abordagem do tema gestão, que é oportuno e necessário
ao sucesso dos estados. Nesse sentido, gostaria de destacar o estado de Santa
Catarina, que, apesar de não estar contemplado na matéria, tem sobressaído
na aplicação de uma gestão profissionalizada e que se reflete
nos resultados e bons indicadores que o estado vem apresentando. Por exemplo:
crescimento recorde da arrecadação, redução de despesas
e alto índice de investimentos feitos com recursos próprios.
Roberto Pompeu de Toledo O
Ensaio "Direto do laboratório das idéias nefastas" (9
de abril), de Roberto Pompeu de Toledo, aprofundou significativamente o assunto
"desejo de estar no poder no Brasil". O mais grave de tudo é
a falta de seriedade com que os nossos políticos conduzem os assuntos
republicanos. A maior preocupação deles é com sua perpetuação
no poder. A democracia brasileira é tão frágil!
André Petry Parabéns pelo artigo "Zombando
de nós" (9 de abril), no qual o jornalista André Petry enfoca
a vergonha de comportamento e a lama que habita no coração
da Casa Civil do país. A ministra Dilma Dossiê e sua trupe não
apenas zombam de nós como transformam todo o povo brasileiro em verdadeiros
imbecis. Estão usando a tese fascista de repetir uma mentira mil vezes
e transformá-la em verdade.
Gustavo Ioschpe Merece nosso aplauso o artigo "E
se plantássemos cérebros?" (26 de março), de Gustavo
Ioschpe, pois retrata, de forma brilhante, o pensamento de grande parte dos empresários
brasileiros, sobretudo os que buscam, de forma incessante, conciliar desenvolvimento
com preservação ambiental. Não há dúvida de
que preservar o meio ambiente é dever de todos nós. Entretanto,
não podemos permitir que isso seja feito a qualquer custo, e o que deve
prevalecer sempre é o bem-estar do povo brasileiro. Não é
justo que paguemos pelos erros cometidos pelas nações ricas, como
Ioschpe demonstra com bastante pertinência e lucidez em seu artigo. Esperamos
que as palavras de Gustavo Ioschpe encontrem o necessário eco junto àqueles
que podem reverter esse quadro. Nós, empresários, estamos fazendo
a nossa parte, enquanto ainda há tempo.
Religião A
reportagem "Demografia da fé" (9 de abril), de Duda Teixeira,
mostra que o islamismo é a maior religião do mundo e que o catolicismo
"encolheu", como reconheceu monsenhor Vittorio Formenti, porque as famílias
muçulmanas têm mais filhos. Essa é uma parte da explicação
que é mais complexa sobre a diminuição de católicos
no Brasil e na Europa. Aqui a diminuição se deve à política
adotada pela CNBB desde os anos 70, que praticamente abandonou a classe média
e fez uma opção preferencial e exclusiva pelos pobres. Paradoxalmente,
como me disse um amigo jesuíta, os pobres optaram pelos evangélicos.
A Igreja Católica, segundo uma dominicana de um colégio de Belo
Horizonte, onde estudava minha filha, não iria mais cuidar dos filhos dos
burgueses, e a descristianização foi total, como hoje se vê.
Holofote Dá-nos
asco saber que o governo Lula usa nosso dinheiro, sem nenhuma responsabilidade
nem parcimônia, para atrapalhar o desenvolvimento do país ("Movimento
sem governadora", Holofote, 9 de abril). O montante repassado ao MST já
foi suficiente para resolver os problemas dos sem-terra. Ainda bem que a governadora
do Pará, Ana Júlia Carepa, deu as costas para o senhor Stedile,
o chefão boa-vida. É uma piada!
Cultura Entendo
ser correta a posição dos Estados Unidos de barrar a entrada do
escritor inglês Sebastian Horsley por "torpeza moral" ("Fronteira
fechada", 9 de abril). Todos os países deveriam adotar medidas idênticas
com relação a pessoas que são formadoras de opinião
e assumidas consumidoras de drogas. Somente agindo assim é que poderemos
iniciar um combate sério a essas pragas que dominam o mundo.
Cinema Não
poderia ter sido mais feliz o título da reportagem "Enterrado vivo"
(9 de abril), sobre Wilson Simonal. Conheci Simonal mais de quarenta anos
atrás e pude acompanhar os problemas pelos quais ele passou, causados pelo
macarthismo às avessas, que aqui ganhou o nome de "patrulhamento".
Os que o enterraram vivo são os mesmos que agora mamam nas tetas do governo
através de polpudas e indevidas pensões.
Correções: ao contrário do que foi publicado na nota "Estradas ruins" (Radar, 9 de abril), os contêineres que trafegam pelas estradas americanas têm um limite de peso máximo não por causa de problemas nas estradas, mas para preservá-las. O livro Uma Breve História do Mundo, de Geoffrey Blainey, foi erroneamente excluído da lista dos mais vendidos na edição de 9 de abril. Ele deveria ter constado no segundo lugar da categoria não-ficção.
|
|
VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter | ![]() |
|