BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
REVISTAS
VEJA
Edição 2056

16 de abril de 2008
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
André Petry
Diogo Mainardi
J.R. Guzzo
Lya Luft
Millôr
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Auto-retrato
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 

André Petry
Uma briga das boas

"O Google faz o serviço tecnológico da censura
para agradar à ditadura de Pequim e vem defender
a liberdade de expressão no Brasil encobrindo
racistas e pedófilos"

Há muito tempo, o Ministério Público Federal vem tentando combater a pornografia infantil que se dissemina nos álbuns de fotografia fechados do Orkut, o site de relacionamento mais popular do Brasil. Mas o Google, dono do Orkut, não ajuda. Quase dois anos atrás, a pendenga chegou à Justiça. É uma briga das boas porque discute o combate a crimes como ódio racial e pedofilia na internet, e seu pano de fundo é o debate sobre liberdade de expressão, garantia de privacidade e direitos do consumidor – tudo, é claro, com uma pitada de malandragem.

Na semana passada, a CPI da Pedofilia patrocinou um acordo entre o Ministério Público e o Google que merece aplausos. Aplausos dos usuários do Orkut, cuja maioria não está ali para cometer crimes, e aplausos dos pais de usuários do Orkut, que têm o direito de não gostar da idéia de ver seus filhos pregados num site utilizado por racistas e pedófilos. Nos termos do acordo, o Google concordou em manter os dados de usuários suspeitos por 180 dias, e não apenas trinta, como vinha fazendo. Também anunciou a instalação de um filtro para evitar a circulação de fotos pornográficas de crianças e terá de quebrar o sigilo de mais de 3.000 álbuns fechados. São aqueles álbuns aos quais só se tem acesso com a autorização do dono e que, por isso mesmo, viram clubes virtuais de pedófilos impunes.

A briga é boa porque há bons argumentos dos dois lados. É o combate ao crime em conflito com o direito à privacidade e, muitas vezes, à liberdade de expressão. O Google, no entanto, já andou utilizando argumento malandro para não ceder aos pedidos de informações sobre seus clientes. Já disse que o Orkut não lhe pertence, sendo apenas um parceiro de negócios virtuais, ou que apenas a sua sede mundial, na Califórnia, retém dados dos usuários. Era como dizer que aos brasileiros restavam apenas duas opções: recorrer à Justiça americana, o que é inviável, ou reclamar para o bispo, o que é inútil.

Quando o Google se coloca na posição de quem defende a liberdade de expressão, dá esperança de que a rede mundial pode ser mantida como um território livre. Um exemplo: o bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, queria que o YouTube, site de vídeos que também pertence ao Google, retirasse do ar as imagens em que aparece ensinando aos pastores como arrancar dinheiro dos fiéis. A Justiça mandou o bispo passear. Entendeu que o vídeo era de interesse público. Mas, como se sabe, nem sempre a defesa da liberdade de expressão é o negócio do Google. Um exemplo: para entrar na China, concordou em bloquear o acesso dos chineses a páginas que o governo considerava indesejáveis.

A briga é mesmo boa porque com ela é que se vai descobrir como evitar que a internet seja um espaço sem lei, um faroeste cibernético, sem perder seu atrativo inigualável de liberdade ampla, de fronteiras rompidas, de ser tão revolucionária hoje como foi a tipografia há seis séculos. Mas estava ficando difícil para o Google fazer o serviço tecnológico da censura para agradar à ditadura de Pequim e vir defender a liberdade de expressão no Brasil encobrindo racistas e pedófilos.

 

Escreva para o autor no endereço colunadopetry@abril.com.br



Publicidade

 
Publicidade

 
  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |