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CINEMA
Divulgação
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| Dia
do Perdão: a guerra do Yom
Kippur |
O Dia do Perdão (Kippur, Israel/França, 2000.
A partir de sexta-feira em São Paulo) O diretor israelense
Amos Gitai (de Kadosh Laços Sagrados) diz que passou
a vida tentando esquecer sua experiência na Guerra do Yom Kippur,
em 1973. Como isso foi impossível, decidiu recriá-la em
filme. A história é conduzida por dois amigos integrados
a uma unidade de resgate de feridos. Por intermédio deles, Gitai
disseca cada uma das etapas por que passam os combatentes: o sentimento
de antecipação, o horror, a exaustão e, por fim,
o trauma indelével. O filme acompanha essa intensidade crescente
como numa cena terrível, que parece durar uma eternidade,
em que o grupo tenta tirar uma vítima de um lamaçal. Isento
de julgamentos morais ou políticos, O Dia do Perdão
é contudo implacável na sua visão da crueza e perturbação
da guerra.
LIVROS
História
do Amor no Ocidente, de Denis Rougemont (tradução
de Paulo Brandi e Ethel Brandi Cachapuz; Ediouro; 543 páginas;
59 reais) A polêmica tese central desta obra, que o suíço
Rougemont lançou em 1939 e revisou em 1956, é que a idéia
de amor romântico nasceu no Ocidente no século XII, do encontro
entre a poesia trovadoresca e o pensamento de uma seita herética.
Dizer isso, no entanto, é ocultar a enorme riqueza de reflexões
e percepções sagazes contidas neste ensaio clássico,
que vai do mito de Tristão e Isolda aos filmes hollywoodianos,
passando por Shakespeare, Mozart e Freud. O livro é considerado
um precursor do gênero que, nos anos 80, passou a ser conhecido
como "história das mentalidades". Com uma vantagem: a ausência
de qualquer ranço acadêmico.
O
Apanhador no Campo de Centeio, Franny & Zooey e
Nove Estórias, de J.D. Salinger (traduções
de Álvaro de Alencar, Antônio Rocha, Jório Dauster
e Álvaro Cabral; Editora do Autor; 208, 160 e 168 páginas;
81 reais) Escrito pelo recluso J.D. Salinger na década de
50, O Apanhador no Campo de Centeio é um romance tão
popular que sustenta uma editora inteira. No caso, a Editora do Autor,
que teve os escritores Fernando Sabino e Rubem Braga entre seus fundadores.
Por anos, esse clássico foi o único livro que a empresa
manteve no mercado. Agora ela o reedita, ao lado de outros dois trabalhos
de Salinger. Franny & Zooey narra a mesma história,
a da desintegração de uma família, do ponto de vista
de dois irmãos. Nove Estórias introduz o estilo ácido
que, mais tarde, seria burilado em O Apanhador...
Gueixa,
de Liza Dalby (tradução de S. Duarte; Objetiva; 358 páginas;
44,90 reais) Os ocidentais nunca esconderam sua curiosidade a respeito
do modo de vida das gueixas. Por que as moças se tornam cortesãs,
a que tipo de treinamento elas são submetidas, como se relacionam
com o mundo exterior? Essas são perguntas comuns. Este livro da
americana Lisa Dalby, lançado originalmente em 1983, é o
melhor guia sobre o assunto. A autora foi uma das raras ocidentais a adentrar
essa sociedade restrita e até hoje atua como consultora em filmes
e documentários. O principal mérito do livro é desmistificar
a visão ocidental de que a gueixa seria apenas uma espécie
de deusa do sexo. A versão que está chegando ao Brasil foi
revisada em 1998 e inclui um prefácio em que Dalby, de volta ao
Japão, comenta, desencantada, a perda de tradições
no mundo das gueixas.
DVD
Sonhos
(Akira Kurosawa's Dreams, Japão/Estados Unidos,
1990. Warner) Já octogenário, o diretor Akira Kurosawa
ganhou o apoio financeiro, logístico e moral de três de seus
admiradores Steven Spielberg, George Lucas e Martin Scorsese ,
para transformar alguns dos roteiros de seu inconsciente em filme. Rodados
na forma de histórias separadas, seus sonhos abarcam desde a angústia
infantil com as rígidas convenções japonesas até
a paixão pela pintura (na qual ele se iniciou), o fantasma das
bombas nucleares e a reconciliação com a idéia do
fim próximo Kurosawa morreria em 1998, aos 88 anos. Em comum,
eles têm uma beleza que não raro atinge o sublime, além
do grande ator Akira Terao como o alter ego do diretor. Quase não
há extras no disco, mas a possibilidade de ver o filme numa cópia
tão limpa já é justificativa suficiente para o DVD.
DISCOS
The
Dark Side of the Moon, Pink Floyd (EMI) O lançamento
deste disco, em 1973, ajudou a turbinar as vendas de aparelhos de som.
The Dark Side of the Moon foi gravado num sistema chamado quadrifônico
e seria apreciado em sua totalidade apenas por quem possuísse um
estéreo provido de quatro caixas acústicas. Trinta anos
depois, a nova edição pretende causar outra corrida às
casas de quinquilharias eletrônicas. Isso porque o relançamento
foi feito para tocar no sistema digital 5.1, última palavra em
tecnologia sonora. Os donos de aparelhagens mais modestas, no entanto,
não precisam se sentir excluídos. Time e Money,
canções que ajudaram a transformar The Dark Side of the
Moon num clássico do rock, podem ser bem apreciadas num CD-player
comum.
Meia-Noite,
Meio-Dia, Chico Pinheiro (Seven) Escolado por participações
em festivais de MPB e discos de artistas como Pedro Mariano e Jairzinho
Oliveira, o violonista Chico Pinheiro, de 29 anos, chega ao disco de estréia.
Apesar das participações especiais de Ed Motta e dos compositores
Chico César e Lenine, Meia-Noite, Meio-Dia tem seus pontos
altos com o núcleo formado por Pinheiro, Luciana Alves e Maria
Rita Mariano. O trio burilou o repertório do álbum durante
oito meses de apresentações em São Paulo, Rio de
Janeiro e outras capitais brasileiras. Pinheiro se ocupa das composições
e dos arranjos, além de tocar um violão que emula o de Baden
Powell. Cabe a Luciana e a Maria Rita (num contraponto entre meiguice
e interpretação vulcânica) colocar suas vozes a serviço
de valsas, choros, sambas-canção e baladas. As faixas Ao
Vento, Popó e Choro
Calado são os pontos altos do CD.
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OS
MAIS VENDIDOs CRÍTICA
Aquilo
que O Diário de Bridget Jones fez pelas balzaquianas
sem namorado e com alguns quilos a mais inspirá-las
e garantir que elas são normais , Melancia
(tradução de Sônia Coutinho; Bertrand Brasil;
489 páginas; 49 reis), de Marian Keyes, pretende fazer por
outra porção do público feminino, a das mulheres
substituídas por outra nas afeições do parceiro.
Claire, a narradora, acha que é feliz no casamento. Mas,
mal dá à luz uma menina, recebe do marido a notícia
de que vai ter de tocar a vida sozinha: ele está apaixonado
pela vizinha do andar de baixo. Atônita e desconsolada, Claire
enfrenta primeiro a humilhação maior, a de ter se
tornado uma mulher "largada". Depois, vem a segunda grande derrota:
voltar para a casa dos pais pedindo socorro. Como a inglesa Helen
Fielding, autora de Bridget Jones, a irlandesa Marian tem
uma prosa fluente e um humor escrachado, que atenuam muito os clichês
do gênero a briga com o espelho (o título é
uma referência às formas de Claire após o parto),
as bebedeiras para afogar as mágoas, o bonitão que
faz com que a protagonista consiga ficar três horas inteiras
sem pensar no marido, o traidor que ressurge de cabeça baixa.
Melancia é, de fato, aquele tipo de ficção
que fica a um passo da auto-ajuda. Mas se desincumbe em ambas as
áreas, com o mérito de não ser meloso e de
divertir.

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