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VEJA ofereceu em sua capa a mais eloqüente imagem desta guerra fratricida
e que enluta toda a humanidade. A expressão do soldado iraquiano
traduz a que ponto chegamos nos degraus mais inferiores da natureza humana
(edição 1 797, 9 de abril). A
capa de VEJA da edição 1 797 me fez lembrar minha infância,
quando adorava me fantasiar de soldado, fingindo que era herói.
O equipamento de plástico era o mesmo. É
de dar pena a expressão do soldado iraquiano que ilustrou a capa
de VEJA. Nessa situação, parece mais uma vida em vão
por um regime que mal consegue lhe dar condições de luta. Será
que a guerra de Bush e Saddam é diferente daquela com a qual estamos
acostumados a conviver no Brasil? Será que mata mais que a ausência
de pão no prato do nordestino das Vidas Secas e dos Grandes
Sertões Veredas? As
guerras estão evoluindo, concordo, mas para pior, incluindo cada
vez mais mulheres e crianças entre as vítimas. O que o mundo
precisa é de menos desenvolvimento militar e mais compromisso real
com a paz e os problemas sociais e ambientais do planeta. Parabéns
ao jornalista Jaime Klintowitz pela excelente reportagem sobre a guerra
no Iraque. Com lucidez e objetividade, ele fez uma análise muito
clara da situação atual. Não adianta tapar o sol
com a peneira, ignorar a realidade e apenas gritar pela paz, como se por
milagre fosse possível de repente parar a história e congelar
um processo que começou há tanto tempo e que um dia, inevitavelmente,
acabaria numa situação de conflito armado.
Na entrevista a VEJA (Amarelas, 9 de abril), o piloto Michael Schumacher
mostrou uma face até então desconhecida do povo brasileiro.
Vimos que ele é uma pessoa simples, que reconhece seu talento e
o dos outros e que tem uma vida bem definida psicologicamente. Schumacher
sabe que é o melhor piloto da atualidade, e, mesmo quando questionado
se seria o melhor piloto de todos os tempos, vem a resposta mais modesta
que se poderia dar: nunca! Então respondo no lugar dele e sem modéstia:
você é o melhor piloto de todos os tempos!
Acho que a Igreja Católica está totalmente certa em banir
o sexo fora do casamento. O problema da juventude está totalmente
relacionado à péssima educação oferecida pela
maioria dos pais. Quer sexo seguro? Faça-o em seu casamento ("A
bomba do Vaticano" e Carta ao leitor, 9 de abril)! Em
pleno século XXI, o homem é obrigado a deparar com cenas
do período medieval. O massacre e a bestial truculência do
Vaticano contra os gays são um trágico exemplo disso. As
normas de comportamento sexual ditadas pela Igreja Católica não
são "claramente inaplicáveis na vida real das pessoas".
Existem milhões de pessoas que as vivem. Concordo que talvez não
lhes seja fácil, mas o conseguem com consciência, autodomínio,
equilíbrio e até alegria, sem que isso lhes acarrete problema
algum de ordem física ou emocional.
A Igreja Católica aplica as teorias freudianas para explicar suas
posições, mas esquece todo o conjunto de sua obra. Doutores
católicos, deixemos de ambigüidade. Ciência é
ciência, e religião é religião. As
palavras da Igreja se dirigem ao mundo, porém ninguém é
obrigado a segui-las. Segue quem quiser, como é o meu caso. Seria
bom que a Igreja Católica reavaliasse seus conceitos, começando
por eliminar de seu corpo superior pessoas frustradas, frígidas
e reprimidas. Essas atitudes extremistas fazem com que as pessoas em geral,
hétero ou homossexuais, se afastem da Igreja Católica, procurando
outras religiões ou seitas que as aceitem e não as reprimam
tanto. Ninguém
é obrigado a ser católico. Há cerca de 2.000 anos
a Igreja defende "a relação sexual monogâmica no matrimônio"
e a abstenção de relações sexuais antes do
casamento. A posição quanto à homossexualidade também
não mudou. A
Igreja Católica chamou os homossexuais de doentes para justificar,
diante do mundo, o "hábito" da pedofilia em seus sacerdotes.
A nota "Um cargo de estimação", publicada na coluna Radar
(2 de abril), não corresponde à realidade. Portanto, convém
esclarecer: o presidente do PL, deputado Valdemar Costa Neto, não
indicou nenhum nome para a inspetoria da Receita Federal do aeroporto
de Cumbica. A
nova logomarca do governo federal é uma vergonha! Desta vez Duda
Mendonça se perdeu no riscado. Parece um anúncio de pousada
litorânea, onde o dono nunca ouviu falar de publicidade. Que péssimo
gosto ("A psicodélica marca do governo Lula", Radar, 9 de abril). Boicotar
produtos americanos é impensável. Não podemos prejudicar
milhares de empregos por capricho burro de um homem ("A Coca-Cola entra
na guerra", Radar, 9 de abril).
A nota sobre auxílio-doença (Pergunte ao Guia, 9 de abril)
deixou de esclarecer que a Previdência Social computa integralmente
o período de fruição desse benefício no cálculo
do tempo de contribuição para a aposentadoria. A interrupção
da contagem de tempo de serviço se dá apenas para fins trabalhistas.
É
estranha, porque totalmente sem nexo, a comparação feita
pelo colunista Diogo Mainardi entre as cidades de Bagdá (depois
de recuperada) e Teresina. A capital do Piauí é uma cidade
nova, de apenas 150 anos, que já nasceu planejada. Suas ruas e
avenidas se destacam pela limpeza e conservação. A cidade
está entre as mais arborizadas do país e oferece boa qualidade
de vida não só a seus 750.000 habitantes mas também
aos habitantes de outros Estados, como Maranhão, Pará e
Tocantins, que vêm para cá à procura da excelência
de nossos serviços médicos, que já se tornaram referência
em toda a região ("A comédia da fome", 9 de abril). Estou
na torcida de Mainardi: que o Iraque, após a guerra, fique igual
ao Brasil. Com uma capital como Teresina e duas de suas principais cidades
como Francinópolis e Guaribas, talvez o Iraque se torne uma potência
mundial como os Estados Unidos. Essa afirmação é
tão verdadeira quanto a de que o Iraque ainda possa vencer essa
guerra!
Arc, gostaria muito de acordar amanhã e descobrir que esta guerra
foi apenas um pesadelo. Mas, infelizmente, tudo isso é real. Vendo
aí de perto, deve ser ainda mais impressionante. A gente aqui de
longe fica lamentando e rezando pelos inocentes mortos, pelas crianças
que desde cedo deparam com tal violência. Sabe o que é pior,
Arc? O mundo assiste calado. Tenho medo de que as pessoas estejam se acostumando
à agressão. Você
é o único que pode ser correspondente no campo de batalha
da atual guerra sem correr o risco de morte. Como você é
invisível, nem americanos, nem iraquianos, nem britânicos
vão te acertar. Ah, certifique-se de que os americanos não
desenvolveram uma arma contra a invisibilidade.
A matéria "Bom desempenho na lua-de-mel" (9 de abril) contém
imprecisões no infográfico "O caminho da doação".
O programa Fome Zero só prevê a distribuição
de cestas básicas em caráter emergencial e apenas para os
quilombolas, os índios e os acampados que estejam em situação
de risco alimentar. Não passei a defender o leilão dos alimentos
e/ou dos produtos doados. Temos incentivado as empresas a distribuir as
doações às entidades assistenciais mais próximas
para evitar o custo de transporte. O leilão está previsto
apenas quando os produtos doados não forem processados. À
Conab caberá receber somente doações superiores a
12 toneladas para leiloar. O mutirão contra a fome, que envolve
as contribuições em dinheiro e a doação de
alimentos, é apenas uma das várias ações do
Fome Zero. Em Guaribas e Acauã, pilotos do projeto, foi implantado
o cartão-alimentação para 1.000
famílias, foram alfabetizados mais de 600 jovens e adultos, construídas
hortas urbanas e várias cisternas e também criadas feiras
livres para a venda direta dos produtos da própria comunidade.
Apenas em Guaribas 400 documentos de registro civil e outros foram emitidos
no mutirão do registro civil. Na
reportagem "Bom desempenho na lua-de-mel", o diretor de exploração
e produção da Petrobras, Guilherme Estrella, é citado
apenas como "ex-presidente do PT em Nova Friburgo", sem nenhuma informação
sobre seu trabalho na Petrobras, onde começou em 1965. Ele foi
gerente de exploração da Braspetro no Iraque, chefe dos
setores de interpretação de bacias da costa leste do Brasil,
de geoquímica orgânica e da divisão de exploração,
superintendente de pesquisa e desenvolvimento em exploração,
perfuração e produção e superintendente-geral
do centro de pesquisas da empresa.
CORREÇÕES: O crédito correto da foto publicada na página 84 da edição 1.786 é Silvia Salek/BBC BRASIL ("100 churrascarias brasileiras na China" "A China no centro do mundo", 22 de janeiro). Em 1945, em Dresden, na Alemanha, bombas de aviões americanos e britânicos mataram de 35 000 a 135 000 civis ("O desafio de conquistar a capital", 2 de abril).
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