Edição 1896 . 16 de março de 2005

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EXPOSIÇÃO

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Miró: 200 gravuras em exposição


Mirabolante Miró
(A partir desta sexta-feira no Santander Cultural, em Porto Alegre) – Um dos grandes pintores modernistas, o catalão Joan Miró (1893-1983) criou um estilo inconfundível, marcado por cores fortes e formas abstratas. Essa mostra reúne o mais abrangente panorama de sua produção em gravura já exibido no país. São mais de 200 obras que remontam, em sua maioria, às duas últimas décadas de vida de Miró, quando ele explorou com maestria o gênero e suas várias técnicas. Há trabalhos de grandes dimensões, trazidos da Galeria Lelong, de Paris. De uma coleção particular brasileira vem uma das preciosidades da exposição: um livro do poeta João Cabral de Melo Neto sobre o artista, ilustrado pelo próprio. Veja fotos.

 

LIVROS

Juventude, de J.M. Coetzee (tradução de José Rubens Siqueira; Companhia das Letras; 192 páginas; 35 reais) – Nesse romance autobiográfico, o sul-africano Coetzee, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 2003, narra a sua formação como escritor. O personagem central, John (como o autor: J.M. é abreviação de John Maxwell), deixa a conturbada África do Sul, nos anos 60, para tentar a vida como poeta em Londres – mas só o que consegue é um emprego de programador de computadores. Diferentemente das autobiografias tradicionais, a narrativa de Juventude é em terceira pessoa, como se o autor quisesse guardar distância de si mesmo. Coetzee sabe o que faz: seu estilo seco só confere mais contundência aos dilemas de seu alter ego. Leia trecho.

Sobre a Vida Feliz, de Sêneca (tradução de João Teodoro d'Olim Marote; Nova Alexandria; 104 páginas; 26 reais) – Esse clássico latino em edição bilíngüe bem poderia ser um precursor dos livros de auto-ajuda: é, muito literalmente, uma "lição de vida". Recomenda a simplicidade e o desprezo à volúpia. Seu autor, Sêneca (4 a.C.-65 d.C.), foi uma figura influente na Roma de seu tempo. Dramaturgo, político e um dos principais pensadores da escola estóica – que almejava a impassibilidade diante da dor e do infortúnio –, tornou-se conselheiro de Nero. Acabaria caindo em desgraça com o imperador, que então ordenou a Sêneca que cometesse suicídio. Coerente com a sua filosofia, o filósofo cumpriu a ordem.

 

DVD

O Reverso da Fortuna (Reversal of Fortune, Estados Unidos/Inglaterra, 1990. PlayArte) – Em 1979, a socialite americana Sunny von Bülow entrou em coma. Seu marido, o aristocrata Claus, foi acusado de ter tentado assassiná-la. Julgado duas vezes, Claus foi absolvido, mas o veredicto nunca dissipou a suspeita do público de que ele tenha de fato cometido o crime. Narrado por Sunny (Glenn Close) de seu leito hospitalar, esse filmaço do diretor Barbet Schroeder não se propõe a conjeturar sobre a culpa ou inocência de Claus (soberbamente interpretado por Jeremy Irons). O que o torna especial é a maneira como conduz o espectador pelos meandros dessa história até demonstrar que, às vezes, quanto mais se procura a verdade mais ela se oculta. Veja cenas.

 

DISCOS

 
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A cantora Tori Amos: baladas confessionais  

The Beekeeper, Tori Amos (Sony) – A cantora e instrumentista americana Tori Amos é aquilo que os críticos costumam chamar de artista "confessional". Sua discografia é marcada por baladas derramadas e não raro autobiográficas. Em seu caso, isso está longe de significar chatice. Oitavo álbum da cantora, The Beekeeper não fica aquém de seus trabalhos anteriores. Um dos belos momentos do CD é a faixa Jamaica Inn, em que ela fala sobre seu dia-a-dia no litoral da Inglaterra, onde vive. Outro destaque é a música The Power of Orange Knickers, que tem participação do cantor Damien Rice, uma das revelações do pop irlandês atual.

 

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Moby: eletrônico e introspectivo  

Hotel, Moby (EMI) – O americano Moby é uma das figuras mais inquietas da música eletrônica. Descendente do escritor Herman Melville, autor do clássico Moby Dick (daí seu nome artístico), ele é um artista versátil. Lançou discos influenciados pelo tecnopop dos anos 80 e pelo heavy metal. Pacifista, no ano passado Moby entrou de cabeça na campanha do democrata John Kerry à Presidência dos Estados Unidos. O baque da derrota de Kerry contribuiu para o clima introspectivo de Hotel. A eletrônica ainda dá o tom do disco, mas num ritmo mais lento. Moby faz uma versão de arrepiar de Temptation, clássico dançante do grupo inglês New Order. Já a faixa Spiders é digna dos melhores discos de David Bowie – a quem, aliás, a canção é dedicada.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Siciliano, Nobel, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Livraria Porto Alegre, Cultura, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Saraiva, Sodiler, Nobel, Fnac, Siciliano, Submarino.
 
 
 
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