Edição 1896 . 16 de março de 2005

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Tales Alvarenga
A conspiração

"As mulheres sabem que são superiores
aos homens e afirmam essa verdade por
todos os meios, menos com a língua, outra
esperteza delas"

Foi comemorado na semana passada o Dia Internacional da Mulher. Nesse dia, anúncios publicitários se dirigem à fêmea da espécie com elogios e ofertas de compras enquanto a mídia publica artigos que falam de suas conquistas. Você já se perguntou por que os homens até hoje não conseguiram criar um Dia Internacional do Homem? No reino animal, é o macho que desfila as penas mais coloridas, as jubas mais exuberantes e os chifres mais ameaçadores. No reino do animal que fala, são as mulheres que têm a juba e as unhas maiores e mais coloridas. São elas que exibem fendas de causar vertigem no sexo oposto, entre seios sempre erguidos – pela natureza ou por sustentação artificial. Enfeitam o nariz com diamante e a barriga com argolas. Usam saltos altos sem se dar ao trabalho de disfarçar a pretensão a uma estatura mais impressionante, mesmo que à custa de um elevador no calcanhar.

Pobres machos. São tão patéticos em sua luta para esconder o mais possível do corpo. Usam cabelos inexpressivos, não pintam os lábios, vivem a podar as unhas com medo de parecer sujos. Sentem pavor do ridículo. Essa linguagem corporal só tem um significado. As mulheres sabem que são superiores e reafirmam essa verdade por todos os meios, menos com a língua, outra esperteza delas.

Desde que a espécie humana vivia nas cavernas, as mulheres empurraram os homens para os perigos de caçar na savana e ficaram em casa trocando fofocas da Idade da Pedra com as vizinhas. Continuam as mesmas. Convenceram os homens de que eles eram melhores para trabalhos que requerem vigor físico e também para funções que exigem habilidade mental. Adularam a vaidade masculina deixando que eles passassem a acreditar que eram melhores em matemática, ciência, filosofia, literatura, pintura, arquitetura, mecânica, música, administração, culinária e alta-costura. É irônico que os mais inteligentes entre os homens são justamente aqueles que levam a vida mais miserável, trancados entre quatro paredes diante de computadores, pianos, estantes de livros ou instrumentos de pesquisa. A vastíssima maioria das mulheres, podendo escolher, prefere passatempos mais amenos.

Os homens são escravos do sexo, ou seja, da mulher. O assunto predileto deles é vangloriar-se. O segundo assunto predileto é mulher. Já as mulheres demonstram mais interesse a respeito de outras mulheres. Numa das dezenas de edições especiais publicadas no Dia Internacional da Mulher, há uma reportagem com o seguinte título: "Sexo frágil tem voz forte em 80% das compras". Numa propaganda de seus carros, a Volvo apareceu com o seguinte anúncio: "Se você atende às expectativas das mulheres, você supera as expectativas dos homens". O pessoal da Volvo sabe quem está ao volante do mundo.

Elas criaram o mito da Mulher. É uma espécie de ser cuja individualidade é esquecida em benefício dos interesses da categoria. Daí decorrem conceitos como a "luta da Mulher" por direitos iguais para ambos os sexos. Nenhuma mulher sustentou até hoje a tese da superioridade feminina no campo da inteligência. As mulheres não querem que os homens percebam a conspiração em que estão metidas desde o início dos tempos.

 
 
 
 
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