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Ponto
de vista: Claudio de Moura Castro O
decálogo dos pais
"Se os pais seguirem
este decálogo, as conseqüências serão mais benéficas
do que qualquer plano de educação feito pelo governo"
Queiramos ou não, os pais e as escolas compartilham
a mesma empreitada de educar os alunos. Um não pode fazer o serviço
do outro. Mas, em parceria, os pais podem contribuir, se conhecerem as regras
do jogo e se dedicarem a tal tarefa cooperativa. Na prática, o desempenho
dos pais deixa muito a desejar.
Ilustração
Ale Setti
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Um
pai entendido em educação pode ajudar o filho em trabalhos criativos
ou pode debater com os professores a teoria pedagógica da moda. O presente
ensaio obra coletiva de muitos amigos não é para esses
pais. Seu objetivo é mostrar o que qualquer pai pode fazer em casa e na
escola.
Em casa, pode-se ajudar os filhos de muitas
maneiras. Vejamos as questões que um pai dedicado deve levar em conta:
Conversa com os filhos com freqüência?
As pesquisas mostram a importância dessas conversas, mesmo que não
sejam sobre educação. Sugere que estabeleçam metas pessoais
para a própria educação?
Acompanha minuciosamente o boletim escolar que é a fotografia de
seu desempenho? Ouve os filhos, para saber se estão sendo educados com
competência, desvelo e justiça? O pai pode não entender de
educação, mas descaso e displicência ele sabe detectar.
Promove leituras em voz alta? Traz para casa leituras
que os filhos acham interessantes? É preciso que seja alguma coisa que
capture sua curiosidade. Não há bons alunos que não sejam
também bons leitores. A leitura e a escrita são os fundamentos da
educação. São as ferramentas usadas pela educação
escolar. Cria, mesmo com sacrifício,
o espaço físico e a tranqüilidade necessária para os
filhos estudarem? Abre mão de seus confortos e conveniências para
criar o silêncio indispensável?
Administra o uso da TV, para que não conflite com os estudos? Algumas pesquisas
mostram alunos tendo mais horas de TV por dia do que de estudo por semana. Não
se trata de discutir se a TV é prejudicial em si mesma, mas de se preocupar
com as horas que ela rouba dos estudos. Na escola,
não é menor o papel dos pais. Eles podem e devem cobrar resultados.
E podem tornar desconfortável ou insuportável a vida de quem está
atrapalhando ou deixa de fazer sua parte. Eis as perguntas que um bom pai deve
fazer à escola: O professor
passa dever para casa? Corrige? Discute os erros e os acertos com os alunos? O
"para casa" é uma continuação do processo escolar. E bem
sabemos que, quanto mais tempo se passa estudando, mais se aprende.
Vai à escola indagar e tentar entender o que
está acontecendo? Aprende como e por que a escola avalia, aprova e reprova
os alunos? Vai ver como são as normas disciplinares? Busca estabelecer
parcerias produtivas com os professores que educam seus filhos? Nas visitas, verifica
como estão os espaços físicos? Os banheiros estão
limpos? Há vidraças quebradas? Mau sinal se a escola está
descuidada, é sintoma de enfermidades mais graves.
Acompanha a vida da escola, para ver se os professores faltam ou chegam atrasados?
Se ocorrem greves ou não há aulas, as causas de tais desarranjos
são problemas da escola, não seus. O assunto do pai é a falta
de aulas. Cobra dos professores ou do diretor
quando a escola não atende aos mínimos descritos acima? No caso
do ensino público, reclama com o secretário de Educação
quando a política atrapalha o ensino? Está disposto a acampar em
frente à casa do diretor ou secretário se outros métodos
não funcionarem? Só o fato de conhecer a férrea disposição
dos pais para protestar já pressiona a escola a resolver seus problemas
e dissuade os políticos de meterem o bedelho onde não devem. Mas
é preciso persistência. Apóia
os professores dedicados, com palavras e atos? Os bons professores têm de
ser ajudados e prestigiados. Sua missão é preciosa demais para não
ser reconhecida com generosidade. Mas os que parecem ser maus professores devem
ser questionados com insistência.
Se os pais seguirem este decálogo, as conseqüências serão
mais benéficas do que qualquer plano de educação feito pelo
governo. Claudio de Moura Castro
é economista (claudiodmc@attglobal.net)
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