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DVD
Passou o cinema
O DVD realiza um feito jamais alcançado
pelo vídeo: superar a bilheteria dos filmes
O DVD está provocando uma revolução
na indústria do entretenimento. Com apenas oito anos de existência,
o mercado dos discos digitais de vídeo acaba de superar uma
forma de diversão tão tradicional e lucrativa quanto
o cinema. Dados recém-divulgados revelam que, nos Estados
Unidos, as vendas de DVDs ultrapassaram a renda de bilheteria dos
filmes feito jamais alcançado pelo mercado de vídeo.
No ano passado, o faturamento do setor de DVDs aumentou em 33%.
Foi de 15 bilhões de dólares, contra 9 bilhões
do cinema. A trajetória comercial de um sucesso como Ray,
que valeu o Oscar de melhor ator a Jamie Foxx, dá uma
medida do fenômeno. Em menos de uma semana de seu lançamento
americano, o disco do filme arrecadou 80 milhões de dólares,
mais que o obtido em cinco meses de exibição nos cinemas.
Na Inglaterra, a história se repete: no ano passado, pela
primeira vez foram vendidos mais DVDs que ingressos de cinema. No
Brasil, a mesma virada deve acontecer em breve. As vendas do setor
praticamente dobraram em 2004 em relação ao ano anterior.
Em 2005, devem atingir a marca de 900 milhões de reais e
ficar acima das bilheterias anuais de cinema, hoje na casa dos 760
milhões de reais. Especialistas prevêem que o crescimento
prossiga por mais dois anos. Só então deve atingir
um teto e se estabilizar.
Graças à qualidade do som e
da imagem, à durabilidade do material com que é feito,
à facilidade de uso e aos "extras" que costuma oferecer,
o DVD, logo de cara, tornou jurássicas as fitas VHS. Essas
fitas tendem a sumir. Na Blockbuster, a maior rede de locadoras
do país, elas serão retiradas das prateleiras até
o fim do ano. Agora, é a indústria de cinema que procura
entender o impacto que o DVD terá sobre ela. Previsões
apocalípticas parecem despropositadas. O crescimento do DVD
não fez com que encolhesse o faturamento dos cinemas americanos.
Ele permanece no mesmo nível desde 2000. No Brasil, o número
de espectadores vem até crescendo foram 114 milhões
de ingressos vendidos em 2004, contra 75 milhões em 2001.
Ao que tudo indica, a relação entre as duas mídias
será mesmo de simbiose. O lançamento de um filme em
tela grande será a hora de fazer barulho em torno dele. O
DVD será uma chance para um polpudo ganho extra e
até para redimir fracassos comerciais. O cineasta Oliver
Stone, por exemplo, viu seu épico Alexandre naufragar
nas bilheterias. As projeções indicam, contudo, que
uma parte considerável dos prejuízos vai ser coberta
com o DVD da superprodução.
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