Edição 1896 . 16 de março de 2005

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DVD
Passou o cinema

O DVD realiza um feito jamais alcançado
pelo vídeo: superar a bilheteria dos filmes

O DVD está provocando uma revolução na indústria do entretenimento. Com apenas oito anos de existência, o mercado dos discos digitais de vídeo acaba de superar uma forma de diversão tão tradicional e lucrativa quanto o cinema. Dados recém-divulgados revelam que, nos Estados Unidos, as vendas de DVDs ultrapassaram a renda de bilheteria dos filmes – feito jamais alcançado pelo mercado de vídeo. No ano passado, o faturamento do setor de DVDs aumentou em 33%. Foi de 15 bilhões de dólares, contra 9 bilhões do cinema. A trajetória comercial de um sucesso como Ray, que valeu o Oscar de melhor ator a Jamie Foxx, dá uma medida do fenômeno. Em menos de uma semana de seu lançamento americano, o disco do filme arrecadou 80 milhões de dólares, mais que o obtido em cinco meses de exibição nos cinemas. Na Inglaterra, a história se repete: no ano passado, pela primeira vez foram vendidos mais DVDs que ingressos de cinema. No Brasil, a mesma virada deve acontecer em breve. As vendas do setor praticamente dobraram em 2004 em relação ao ano anterior. Em 2005, devem atingir a marca de 900 milhões de reais e ficar acima das bilheterias anuais de cinema, hoje na casa dos 760 milhões de reais. Especialistas prevêem que o crescimento prossiga por mais dois anos. Só então deve atingir um teto e se estabilizar.

Graças à qualidade do som e da imagem, à durabilidade do material com que é feito, à facilidade de uso e aos "extras" que costuma oferecer, o DVD, logo de cara, tornou jurássicas as fitas VHS. Essas fitas tendem a sumir. Na Blockbuster, a maior rede de locadoras do país, elas serão retiradas das prateleiras até o fim do ano. Agora, é a indústria de cinema que procura entender o impacto que o DVD terá sobre ela. Previsões apocalípticas parecem despropositadas. O crescimento do DVD não fez com que encolhesse o faturamento dos cinemas americanos. Ele permanece no mesmo nível desde 2000. No Brasil, o número de espectadores vem até crescendo – foram 114 milhões de ingressos vendidos em 2004, contra 75 milhões em 2001. Ao que tudo indica, a relação entre as duas mídias será mesmo de simbiose. O lançamento de um filme em tela grande será a hora de fazer barulho em torno dele. O DVD será uma chance para um polpudo ganho extra – e até para redimir fracassos comerciais. O cineasta Oliver Stone, por exemplo, viu seu épico Alexandre naufragar nas bilheterias. As projeções indicam, contudo, que uma parte considerável dos prejuízos vai ser coberta com o DVD da superprodução.

 
 
 
 
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