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Cinema Feitos
de lata, mas com alma Robôs, co-dirigido
pelo brasileiro Carlos Saldanha, marca mais um ponto para o time do desenho
animado  Isabela
Boscov
Divulgação
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A cena do
nascimento de Rodney Lataria é um desses momentos destinados a entrar para
a história da animação: transbordando de felicidade, o casal
Lataria encaixa peças, aperta parafusos, rebita juntas e, com seu bebê-robô
finalmente já nos braços, percebe que se esqueceu de parafusar nele
uma pecinha. "Querida, não tínhamos encomendado um menino?", pergunta
o pai, espiando dentro da fralda de Rodney. Líder inconteste até
o momento no segmento dos desenhos animados 3D, a Pixar de Os Incríveis
acaba de ganhar concorrência à altura: Robôs (Robots,
Estados Unidos, 2005), produzido pela Blue Sky, o ateliê de animação
do estúdio Fox, é um feito de inspiração e competência
tão surpreendente, hoje, quanto Toy Story foi há dez anos.
Num mundo habitado por robôs de todos os
tipos e gerações, o pequeno Rodney cresce ganhando peças
de segunda mão de seus primos, já que a família Lataria não
é exatamente próspera, e sonha tornar-se um grande inventor. O pai
de Rodney, que queria ser músico mas virou máquina de lavar pratos
para garantir o sustento da casa, incentiva o filho a ir fazer sua própria
sorte na cidade grande e lá o rapaz descobre que robôs como
ele e seus amigos, meio remendados, com pontos de ferrugem e pintura lascada,
estão com os dias contados. A ordem agora é fazer "upgrades", e
quem não tiver dinheiro para comprá-los e se transformar num robô
aerodinâmico e reluzente que se prepare para terminar no ferro-velho. Alcir
N. da Silva
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carioca Saldanha, com o esquilo Scrat: talento para bolar cenas de ação atordoantes |
Dirigido pela mesma dupla de A Era do Gelo o americano Chris Wedge
e o brasileiro Carlos Saldanha , Robôs, que estréia
nesta sexta-feira no país, representa um gigantesco salto de ambição
em relação àquele esforço anterior. E um salto também
de realização: "Acho que ainda não temos a força e
a originalidade narrativas que a Pixar demonstra, mas afirmo sem medo que nosso
trabalho de animação, iluminação e textura é
o melhor do mercado", diz Saldanha. O diagnóstico é preciso, exceto
por uma omissão: graças em grande parte ao talento do brasileiro,
a Blue Sky é também uma especialista em criar seqüências
de ação sem rivais. É da autoria
de Saldanha (que vai assinar sozinho a direção de A Era do Gelo
II) o curta-metragem indicado ao Oscar Gone Nutty, em que o esquilo
Scrat acidentalmente provocava a divisão dos continentes, e é cria
dele também uma das cenas mais atordoantes de Robôs, na qual
Rodney viaja pelo complicadíssimo sistema de transporte de Robópolis.
Inspirada nas esculturas cinéticas do artista plástico americano
Rube Goldberg (1883-1970), a seqüência é um delírio
mas um delírio impecável tanto do ponto de vista da animação
quanto do da física (ou patafísica, como o irreverente Goldberg
preferiria). Como qualquer bom filme, porém,
Robôs é mais do que a soma de suas partes. Da excelente dublagem
de atores como Ewan McGregor e Robin Williams (não custa recomendar que
se assista à versão original) à delicadeza de personagens
como o pai de Rodney e Tia Turbina, uma senhora cujo traseiro só é
menor do que seu coração, o trunfo do desenho bolado por Wedge,
Saldanha e pelo escritor e artista William Joyce é a habilidade com que
ele equilibra os aspectos técnicos e criativos em prol do enredo. Robôs
trata de um mundo feito de lata e parafusos, mas o que não falta a ele
é alma. |