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Música
É bom passear no Leblon Assim
canta Ricardo Duna em seu disco de bossa nova  | |
Desde
que sua mulher foi fotografada trocando carícias com o compositor Chico
Buarque na Praia do Leblon, há cerca de dez dias, a vida do carioca Ricardo
Duna virou de pernas para o ar. Mas ele pode colher um benefício dessa
crise pessoal. Cantor e pianista cuja fama não superava os bastidores da
MPB, Duna enfim consegue chamar atenção para seu trabalho. Ele é
autor de três discos, e o mais recente deles, O Vendedor de Flores (Ouver
Records), gravado em 2001, merece uma audição. Sua musicalidade
não deixa nada a dever à bossa nova que se ouve nos melhores botecos
do país. Nas gravações, Duna contou com a participação
especial de um bossa-novista pioneiro, o também pianista João Donato.
Além disso, ele compartilhou três músicos com Chico Buarque.
Jorge Helder, Wilson das Neves e Marcelo Bernardes costumam se apresentar com
o ídolo de olhos verdes. As letras de Duna tratam de temas recorrentes
da música popular: paixões inocentes, dor-de-cotovelo e mulheres
de parar o trânsito. Na faixa O Amor, Duna canta: "Foi descobrindo
a ilusão / Que aprendi que o grande amor / Não era bem assim". Em
A Mulher do Botequim, ele fala sobre uma morena que encanta os homens num
bar carioca. Mas avisa que ela não é para qualquer um. "Pra conversar
é bom que seja artista", entoa. Até mesmo aquele tipo de composição
ingênua e meio nonsense que floresceu no auge da bossa nova coisas
do tipo "um barquinho no mar" encontra espaço no disco. É
o caso de Passear no Leblon, canção alto-astral em que o
autor fala sobre o que se pode ver nessa praia carioca. "É bom passear
no Leblon / Na beira da praia / É bom olhar o mar / É bom olhar
o mar", diz a música. Só é proibido imaginar um clipe para
ela. |