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Internacional O
contra-ataque dos turbantes Xiitas do Hezbollah mostram
sua força no Líbano com megamanifestação a favor
da Síria Ramzi
Haidar/AFP
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Meio milhão de pessoas no protesto do Hezbollah: "O Líbano não é a Ucrânia" |
Há duas semanas, milhares
de libaneses tomaram as ruas centrais de Beirute para exigir a renúncia
do governo imposto pela Síria, a própria retirada das tropas sírias
estacionadas no país desde 1976 e justiça para os assassinos de
Rafik Hariri, cuja morte num atentado tem todo o jeito de ter sido arquitetada
em Damasco. O presidente George W. Bush, dos Estados Unidos, saudou as manifestações
que passaram a ser chamadas de Revolução dos Cedros
como uma demonstração de que, finalmente, a democracia estava em
marcha no Oriente Médio. A comemoração terá sido prematura?
A resposta começou a ser formulada nas ruas de Beirute, na semana passada.
Agitando bandeiras, meio milhão de libaneses tomou as mesmas ruas centrais
da cidade da manifestação anterior, mas dessa vez para demonstrar
apoio à Síria e detratar Israel e os Estados Unidos. A passeata
a maior da história recente do país foi convocada
pelo Hezbollah, que recebe financiamento do Irã e é popular entre
os xiitas libaneses por ter ajudado a expulsar as tropas israelenses do sul do
país, em 2000.
Mahmoud
Tawl/AP
 | | Karami,
reconduzido ao poder: a Síria recupera sua influência |
Aproveitando
o cenário propício armado pelo grupo xiita, o presidente libanês,
Emile Lahoud, reconduziu Omar Karami à chefia do governo incumbindo-o de
governar até a formação de um novo gabinete pelo Congresso.
O Líbano deu um passo atrás. Mas as coisas não voltaram ao
ponto em que eram antes. A Síria começou a retirar suas tropas do
país, como exige uma resolução da ONU bancada pelos Estados
Unidos e pela União Européia. Por outro lado, Damasco demonstrou
que tem amigos no Líbano. A contra-revolução foi um ato dos
xiitas, que são a maioria entre os muçulmanos do país. A
manifestação anti-Síria tinha mobilizado cristãos,
drusos e muçulmanos sunitas, as três outras comunidades que compõem
o complicado mosaico étnico libanês. Hassan Nasrallah, chefe do Hezbollah,
declarou que o Líbano não deve ser confundido com a Ucrânia.
Que jamais irá fazer a paz com Israel. Na verdade, o projeto da milícia
é a destruição do Estado judeu, objetivo que os próprios
palestinos já abandonaram. Esse tipo de impasse, com as várias comunidades
colocadas em posições antagônicas a respeito do que querem
para o Líbano, foi o estopim da guerra civil nos anos 70. Morreram 150.000
libaneses e as feridas ainda estão abertas, apesar do acordo de paz assinado
no início dos anos 90.
O dilema do Líbano
não é entre ditadura e democracia. É entre duas visões
de mundo antagônicas. Pode mergulhar no pan-arabismo proposto pela Síria,
que viria acompanhado por fanatismo xiita ao estilo iraniano. A opção
é se tornar uma sociedade aberta, moderna e integrada à economia
global. É bem possível que, para evitar maior sofrimento, a maioria
da população prefira permanecer a meio caminho, do jeito que tem
vivido nos últimos quinze anos. Na semana passada, de acordo com o jornal
The New York Times, o governo dos Estados Unidos já tinha chegado
à conclusão de que é necessário rever sua política
em relação ao Hezbollah. Oficialmente, Washington o considera um
grupo terrorista. Nesta nova visão, ele seria aceito por seu valor de face
na geopolítica libanesa. "Os principais envolvidos estão subestimando
o Hezbollah", afirmou um diplomata ao jornal. A secretária de Estado dos
EUA, Condoleezza Rice, comentando a reportagem em sua visita ao México,
negou que a posição norte-americana tivesse mudado, mas só
por via das dúvidas evitou usar o termo "terroristas" dessa vez.
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