Edição 1896 . 16 de março de 2005

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Internet
Nisso eles são bons...

...mas, na hora de navegar na internet,
os adultos é que entendem do riscado

De acordo com uma idéia muito difundida, os adolescentes são os gênios do lar quando o assunto é o uso do computador e da internet. Cabe aos adultos a pecha de ignorantes e "por fora" nessa matéria. Mas novas pesquisas sobre os hábitos dos usuários da rede jogam esses mitos por terra. Segundo um estudo recém-divulgado da consultoria americana Nielsen Norman Group, que acompanhou a navegação de adolescentes de 13 a 17 anos nos Estados Unidos e na Austrália, ocorre o oposto: os adultos são bem mais hábeis que os jovens ao explorar a internet (veja quadro). O instituto mediu o índice de sucesso dos dois grupos etários ao lidar com sites de várias modalidades. Enquanto os adultos encontram a informação que procuram ou concluem a tarefa almejada ao entrar num site em 66% das ocasiões, os adolescentes obtêm sucesso em apenas 55% das suas empreitadas. Embora os adolescentes sejam os que gastam mais tempo na frente do computador em casa, eles encontram dificuldades para decifrar páginas de estrutura complexa ou baixar arquivos da rede. "Os adultos são mais preparados para obter o que querem. Salvo raras exceções, a imagem do adolescente como um navegador exímio não resiste aos fatos", diz Jakob Nielsen, organizador da pesquisa.

As dificuldades dos jovens em relação à internet se devem, em boa medida, à própria natureza da adolescência. "Nessa fase, a pessoa ainda não desenvolveu plenamente sua capacidade cognitiva. Ela tem limitações na hora de hierarquizar informações, por exemplo", diz o neuropsicólogo Daniel Fuentes, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. Por causa disso, o adolescente tem pouca paciência e menor habilidade do que o adulto para manter o foco na leitura – itens essenciais para um bom navegador da rede. A essa limitação natural acrescenta-se outro problema: o déficit educacional. A pesquisa da Nielsen Norman mostra que, por não ter muita bagagem de leitura, a maioria dos jovens tende a se confundir diante de frases mais elaboradas e a não usar de forma competente os sistemas de busca, que são as portas para a internet. O estudo lista uma série de táticas para os sites se tornarem mais acessíveis a esse público. Os textos precisam ser simples e o design das páginas, limpo. Ah, sim: a palavra "criança" deve ser evitada a todo custo, pois os adolescentes querem distância de tudo o que lembre a infância. Por um bom tempo, acreditou-se que, na era da informática, os adultos acabavam sendo aprendizes da juventude. A pesquisa conclui que há espaço para uma inversão de papéis: ao navegarem na internet junto com os pais, os filhos têm, sim, muito a aprender.

 


Montagem sobre fotos de Digitalvision

 

 
 
 
 
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