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Internet
Nisso eles são bons...
...mas, na hora de navegar na internet,
os adultos é que entendem do riscado
De acordo com uma idéia muito difundida,
os adolescentes são os gênios do lar quando o assunto
é o uso do computador e da internet. Cabe aos adultos a pecha
de ignorantes e "por fora" nessa matéria. Mas novas pesquisas
sobre os hábitos dos usuários da rede jogam esses
mitos por terra. Segundo um estudo recém-divulgado da consultoria
americana Nielsen Norman Group, que acompanhou a navegação
de adolescentes de 13 a 17 anos nos Estados Unidos e na Austrália,
ocorre o oposto: os adultos são bem mais hábeis que
os jovens ao explorar a internet (veja
quadro). O instituto mediu o índice de sucesso
dos dois grupos etários ao lidar com sites de várias
modalidades. Enquanto os adultos encontram a informação
que procuram ou concluem a tarefa almejada ao entrar num site em
66% das ocasiões, os adolescentes obtêm sucesso em
apenas 55% das suas empreitadas. Embora os adolescentes sejam os
que gastam mais tempo na frente do computador em casa, eles encontram
dificuldades para decifrar páginas de estrutura complexa
ou baixar arquivos da rede. "Os adultos são mais preparados
para obter o que querem. Salvo raras exceções, a imagem
do adolescente como um navegador exímio não resiste
aos fatos", diz Jakob Nielsen, organizador da pesquisa.
As dificuldades dos jovens em relação
à internet se devem, em boa medida, à própria
natureza da adolescência. "Nessa fase, a pessoa ainda não
desenvolveu plenamente sua capacidade cognitiva. Ela tem limitações
na hora de hierarquizar informações, por exemplo",
diz o neuropsicólogo Daniel Fuentes, do Instituto de Psiquiatria
do Hospital das Clínicas de São Paulo. Por causa disso,
o adolescente tem pouca paciência e menor habilidade do que
o adulto para manter o foco na leitura itens essenciais para
um bom navegador da rede. A essa limitação natural
acrescenta-se outro problema: o déficit educacional. A pesquisa
da Nielsen Norman mostra que, por não ter muita bagagem de
leitura, a maioria dos jovens tende a se confundir diante de frases
mais elaboradas e a não usar de forma competente os sistemas
de busca, que são as portas para a internet. O estudo lista
uma série de táticas para os sites se tornarem mais
acessíveis a esse público. Os textos precisam ser
simples e o design das páginas, limpo. Ah, sim: a palavra
"criança" deve ser evitada a todo custo, pois os adolescentes
querem distância de tudo o que lembre a infância. Por
um bom tempo, acreditou-se que, na era da informática, os
adultos acabavam sendo aprendizes da juventude. A pesquisa conclui
que há espaço para uma inversão de papéis:
ao navegarem na internet junto com os pais, os filhos têm,
sim, muito a aprender.
Montagem sobre fotos de Digitalvision
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