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Tecnologia Para
ver, ouvir e até falar Nos novos modelos de
celular pode-se assistir a vídeos curtos, ouvir música e,
no futuro, "baixar" uma namorada Montagem
sobre foto Digital Vision
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Muito tempo atrás (uns
três anos, mais ou menos, o que no caso é uma eternidade), celular
era usado para fazer ligações e armazenar os números dos
amigos. Não mais. Com cada vez mais funções, o aparelho agora
funciona como câmera fotográfica, videogame e rádio, envia
e checa e-mails, transmite vídeos e localiza pessoas. A febre mais contagiosa
no momento, alimentada por visores de alta resolução e conexões
rápidas, é o incessante download de vídeos curtos, nos mais
variados conteúdos: trailer de filme, clipe de música, noticiário,
programa humorístico e, para os mais crescidinhos, vídeos eróticos.
Todos têm entre trinta segundos e um minuto e custam de 2 a 5 reais cada
um só a Oi, operadora do Rio de Janeiro, vende mais de 200.000 vídeos
por mês. De olho nesse mercado, a produtora Fox decidiu realizar seriados
isso mesmo, seriados, como os da televisão exclusivamente
para celulares. Os dois primeiros foram lançados nos Estados Unidos no
ano passado. Deram tão certo que ela resolveu fazer um terceiro, este ainda
mais atraente: 24 Conspiracy é uma versão em episódios
de um minuto cada um do campeão de audiência 24 Horas e está
disponível desde o começo do ano através de operadoras americanas
e inglesas. No Brasil, dependendo da operadora e do modelo de celular, o usuário
pode assinar um pacote, como os de TV a cabo, que lhe dará acesso a programas
noticiosos (com previsão meteorológica) e esportivos (inclusive
os gols da rodada), em geral oferecidos por canais de TV aberta. A procura pelo
serviço é grande e tende a se ampliar para além do vídeo,
com informações inclusive em tempo real, como as fornecidas pelas
38 câmeras da CET que permitem ver no celular como está o trânsito
nas principais vias do Rio de Janeiro. Além
de informar, o celular ajuda a localizar: em diversos pontos do país, dois
aparelhos equipados com o sistema de localização GPS, conectados
às antenas telefônicas ou a um satélite, permitem que um usuário
saiba onde o outro se encontra. A margem de erro varia de 5 a 50 metros
o celular informa o endereço e disponibiliza um mapa de onde a pessoa está
naquele momento. Mais do que um formidável vigia eletrônico, o recurso
é usado, sobretudo por pais e filhos, por questão de segurança
até porque, se um não quer, dois não compartilham
nenhum trajeto. O serviço custa caro: o aparelho mais barato equipado com
esse sistema é vendido por 900 reais e cada localização sai
por 2 reais. Pelo menos 25.000 pessoas acham que compensa. A paulista Loide Migliorini
instalou o serviço no seu telefone e nos dos dois filhos há três
meses e conta que o utiliza com a freqüência que o outro lado permite.
"Minha filha de 10 anos pega muito táxi sozinha, e assim posso saber que
caminho está fazendo", explica. Já o filho Pedro, 18 anos, admite
que às vezes desliga o aparelho "Senão, acaba virando uma
coleira". | Fotos
divulgação |  |  |  | | Vídeo
no celular: filmes de trinta segundos a um minuto com maior definição e conexão
mais rápida |
Na porta de entrada das
novidades que estão para tomar conta dos celulares nacionais está
a capacidade de "baixar" músicas da internet praticamente todos
os principais fabricantes prevêem oferecer o serviço em novos modelos
de aparelhos que começam a chegar ao mercado. O download das músicas
é feito pelo sistema de MP3, pelo computador, como sabem muito bem os jovens
que passam a tarde inteira fazendo isso. Daí as canções são
transferidas para o celular por cabo ou sem, por meio da tecnologia wireless.
Os celulares têm capacidade de armazenar por volta de trinta músicas
(só para comparar o iPod mini armazena 1.000); alguns possuem som
estéreo, outros permitem a acoplagem de um microamplificador. Outra novidade
em fase de implementação no Brasil é o celular que pode ser
utilizado a distância pelo rádio do carro. O aparelho em si pode
estar até no porta-malas; atender, ligar, falar, tudo é feito através
de um kit que, acionado por botão, transfere a ligação para
o rádio e os alto-falantes de qualquer modelo de carro. No capítulo
das inovações ainda não disponíveis no Brasil estão
celulares para diabéticos (previsão de chegada: ano que vem), que
conseguem medir a taxa de glicose numa amostra de sangue inserida no aparelho.
Para esportistas, já existe um casaco com microfones instalados nos ombros,
que permite conversar enquanto o usuário corre, além de celulares
inquebráveis, naturalmente que medem os níveis de
esforço físico. Em um cenário
praticamente sem limites, as empresas já anunciam o que ainda nem foi lançado.
Uma fabricante de softwares de Hong Kong, por exemplo, espera oferecer até
maio próximo, primeiro localmente, depois para o mundo, o supra-sumo da
interatividade celular: a morena Vivienne, uma namorada virtual capaz de conversar
sobre 35 000 assuntos, falar sete línguas português, não;
espanhol, sim e fazer traduções (esta, aliás, sua
única função, digamos, útil). Vivienne responde a
questões digitadas. Mas ela fala, sim, com voz macia e aparece na tela
de corpo inteiro, em formato tridimensional. É temperamental, gosta de
mimos, como flores e chocolates (que custam entre 50 centavos e 2 dólares,
pagos, claro, à operadora), e detesta ser chamada de gorda: sua roupa mais
sexy é um uniforme de ginástica. Tem mãe, infelizmente
senhora de voz nada macia que vira e mexe telefona para o futuro genro, de madrugada,
para saber se a filhinha está sendo bem tratada. Comportadíssima
(está, inclusive, sendo programada para não mostrar o umbiguinho
com piercing em países mais conservadores), Vivienne dribla questões
sobre sexo e, no máximo, sopra beijinhos para o namorado. Para evitar que
os usuários fiquem viciados, o programa deve limitar o acesso a Vivienne
a uma hora por dia. |