Edição 1896 . 16 de março de 2005

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Tecnologia
Para ver, ouvir e até falar

Nos novos modelos de celular pode-se
assistir a vídeos curtos, ouvir música e,
no futuro, "baixar" uma namorada

 
Montagem sobre foto Digital Vision

EXCLUSIVO ON-LINE
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Muito tempo atrás (uns três anos, mais ou menos, o que no caso é uma eternidade), celular era usado para fazer ligações e armazenar os números dos amigos. Não mais. Com cada vez mais funções, o aparelho agora funciona como câmera fotográfica, videogame e rádio, envia e checa e-mails, transmite vídeos e localiza pessoas. A febre mais contagiosa no momento, alimentada por visores de alta resolução e conexões rápidas, é o incessante download de vídeos curtos, nos mais variados conteúdos: trailer de filme, clipe de música, noticiário, programa humorístico e, para os mais crescidinhos, vídeos eróticos. Todos têm entre trinta segundos e um minuto e custam de 2 a 5 reais cada um – só a Oi, operadora do Rio de Janeiro, vende mais de 200.000 vídeos por mês. De olho nesse mercado, a produtora Fox decidiu realizar seriados – isso mesmo, seriados, como os da televisão – exclusivamente para celulares. Os dois primeiros foram lançados nos Estados Unidos no ano passado. Deram tão certo que ela resolveu fazer um terceiro, este ainda mais atraente: 24 Conspiracy é uma versão em episódios de um minuto cada um do campeão de audiência 24 Horas e está disponível desde o começo do ano através de operadoras americanas e inglesas. No Brasil, dependendo da operadora e do modelo de celular, o usuário pode assinar um pacote, como os de TV a cabo, que lhe dará acesso a programas noticiosos (com previsão meteorológica) e esportivos (inclusive os gols da rodada), em geral oferecidos por canais de TV aberta. A procura pelo serviço é grande e tende a se ampliar para além do vídeo, com informações inclusive em tempo real, como as fornecidas pelas 38 câmeras da CET que permitem ver no celular como está o trânsito nas principais vias do Rio de Janeiro.

Além de informar, o celular ajuda a localizar: em diversos pontos do país, dois aparelhos equipados com o sistema de localização GPS, conectados às antenas telefônicas ou a um satélite, permitem que um usuário saiba onde o outro se encontra. A margem de erro varia de 5 a 50 metros – o celular informa o endereço e disponibiliza um mapa de onde a pessoa está naquele momento. Mais do que um formidável vigia eletrônico, o recurso é usado, sobretudo por pais e filhos, por questão de segurança – até porque, se um não quer, dois não compartilham nenhum trajeto. O serviço custa caro: o aparelho mais barato equipado com esse sistema é vendido por 900 reais e cada localização sai por 2 reais. Pelo menos 25.000 pessoas acham que compensa. A paulista Loide Migliorini instalou o serviço no seu telefone e nos dos dois filhos há três meses e conta que o utiliza com a freqüência que o outro lado permite. "Minha filha de 10 anos pega muito táxi sozinha, e assim posso saber que caminho está fazendo", explica. Já o filho Pedro, 18 anos, admite que às vezes desliga o aparelho – "Senão, acaba virando uma coleira".

 
Fotos divulgação
Vídeo no celular: filmes de trinta segundos a um minuto com maior definição e conexão mais rápida

Na porta de entrada das novidades que estão para tomar conta dos celulares nacionais está a capacidade de "baixar" músicas da internet – praticamente todos os principais fabricantes prevêem oferecer o serviço em novos modelos de aparelhos que começam a chegar ao mercado. O download das músicas é feito pelo sistema de MP3, pelo computador, como sabem muito bem os jovens que passam a tarde inteira fazendo isso. Daí as canções são transferidas para o celular por cabo ou sem, por meio da tecnologia wireless. Os celulares têm capacidade de armazenar por volta de trinta músicas (só para comparar – o iPod mini armazena 1.000); alguns possuem som estéreo, outros permitem a acoplagem de um microamplificador. Outra novidade em fase de implementação no Brasil é o celular que pode ser utilizado a distância pelo rádio do carro. O aparelho em si pode estar até no porta-malas; atender, ligar, falar, tudo é feito através de um kit que, acionado por botão, transfere a ligação para o rádio e os alto-falantes de qualquer modelo de carro. No capítulo das inovações ainda não disponíveis no Brasil estão celulares para diabéticos (previsão de chegada: ano que vem), que conseguem medir a taxa de glicose numa amostra de sangue inserida no aparelho. Para esportistas, já existe um casaco com microfones instalados nos ombros, que permite conversar enquanto o usuário corre, além de celulares – inquebráveis, naturalmente – que medem os níveis de esforço físico.

Em um cenário praticamente sem limites, as empresas já anunciam o que ainda nem foi lançado. Uma fabricante de softwares de Hong Kong, por exemplo, espera oferecer até maio próximo, primeiro localmente, depois para o mundo, o supra-sumo da interatividade celular: a morena Vivienne, uma namorada virtual capaz de conversar sobre 35 000 assuntos, falar sete línguas – português, não; espanhol, sim – e fazer traduções (esta, aliás, sua única função, digamos, útil). Vivienne responde a questões digitadas. Mas ela fala, sim, com voz macia e aparece na tela de corpo inteiro, em formato tridimensional. É temperamental, gosta de mimos, como flores e chocolates (que custam entre 50 centavos e 2 dólares, pagos, claro, à operadora), e detesta ser chamada de gorda: sua roupa mais sexy é um uniforme de ginástica. Tem mãe, infelizmente – senhora de voz nada macia que vira e mexe telefona para o futuro genro, de madrugada, para saber se a filhinha está sendo bem tratada. Comportadíssima (está, inclusive, sendo programada para não mostrar o umbiguinho com piercing em países mais conservadores), Vivienne dribla questões sobre sexo e, no máximo, sopra beijinhos para o namorado. Para evitar que os usuários fiquem viciados, o programa deve limitar o acesso a Vivienne a uma hora por dia.

 
 
 
 
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