Edição 1896 . 16 de março de 2005

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Saúde
Sonho de felicidade

Um sono mais pesado e sem efeitos
colaterais: é a promessa dos novos
remédios contra a insônia


Giuliana Bergamo

Três entre dez brasileiros adultos sofrem de insônia. Para cerca de 30 milhões de homens e mulheres, ou o sono não vem ou, quando vem, é muito interrompido. Pois bem, há boas-novas na luta contra as noites maldormidas. Começam a ser lançados os primeiros remédios de uma nova classe de indutores do sono. Até o fim do mês, o sonífero Lunesta chegará às farmácias americanas. Depois dele, virão o Ambien CR, o indiplon e o ramelteon (os dois últimos ainda sem nome comercial). Além de mais eficazes, os medicamentos modernos são mais seguros – ao menos é o que garantem seus fabricantes. Sob o risco de causarem dependência, os soníferos tradicionais não devem ser usados por mais de três semanas ininterruptas. Já com o Lunesta, por exemplo, o tratamento pode se prolongar por até seis meses.

Os quatro novos soníferos pertencem à terceira geração de remédios contra a insônia. Diferentemente das duas primeiras, eles têm ação específica sobre a química cerebral reguladora do sono. O tratamento medicamentoso contra as noites em claro começou nos anos 50, com os benzodiazepínicos, cujos representantes mais famosos são o Dormonid e o Rohypnol. Esses medicamentos até colocam os insones para dormir, mas o sono que eles proporcionam não é dos mais proveitosos. Muitos usuários acordam com uma sensação de embriaguez que os acompanha durante o dia. A partir da década de 90, chegaram ao mercado os remédios da família do zolpidem, princípio ativo do Stilnox – ou Ambien, nos Estados Unidos. Mais seguros do que os benzodiazepínicos, eles têm um inconveniente: podem perder o efeito rapidamente, interrompendo o sono. Os novos, aparentemente, não oferecem esse problema. Previsto para chegar ao Brasil em 2007, o indiplon, do laboratório Pfizer, é liberado em duas etapas. A primeira ocorre no momento da ingestão do medicamento, para induzir o sono. A segunda dá-se paulatinamente, ao longo de toda a noite, para garantir que a pessoa continue dormindo (veja quadro).

A indústria farmacêutica acredita que o mercado de soníferos dobrará até 2010. Hoje, o setor movimenta anualmente 3,5 bilhões de dólares no mundo. Apesar da maior eficácia e segurança dos soníferos de última geração, convém não abusar: há sempre o risco de o organismo se acostumar a essas substâncias. A conseqüência disso costuma ser paradoxal: mais insônia, agora provocada por remédios antiinsônia.

 

 

 
 
 
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