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Ciência
Essa é de doer
Cientistas americanos trabalham
junto com militares para criar uma
arma capaz de "disparar" dor

Thereza Venturoli
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| Ai, como dói: tornar a dor "segura" é tarefa
difícil, já que a tolerância a ela varia de indivíduo para indivíduo
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Uma das áreas mais interessantes da
pesquisa biomédica, o estudo da dor vinha sendo conduzido,
até hoje, com o objetivo de minorar o sofrimento humano.
Agora, porém, ele pode ganhar aplicações nada
nobres. Segundo uma denúncia da organização
germano-americana Projeto Sunshine, divulgada pela revista britânica
New Scientist, as Forças Armadas dos Estados Unidos
estão tentando desenvolver uma arma não letal que,
mesmo usada a uma distância de até 2 quilômetros,
desencadeie uma dor lancinante, capaz de paralisar indivíduos
ou multidões. A Sunshine conseguiu uma cópia do contrato
firmado entre a Agência de Pesquisa Naval e a Universidade
da Flórida para que esta última avaliasse "as conseqüências
sensoriais de pulsos eletromagnéticos emitidos por plasmas
induzidos a laser". Em bom português, o que essa pesquisa
deseja estabelecer é qual o máximo de dor que se pode
provocar numa pessoa sem levá-la à morte.
Os trechos que vieram a público revelam
que a tecnologia em estudo é a do projétil de energia
pulsada (PEP). A idéia é emitir pulsos de laser de
curtíssima duração, mas intensos o suficiente
para vaporizar, por exemplo, a roupa de um indivíduo. Dessa
vaporização resulta uma espécie de gás
"eletrificado", que atinge as terminações nervosas
responsáveis pela sensação de dor e as ativa.
A tarefa dos cientistas da Universidade da Flórida é
determinar, usando culturas de células, a dose certa de "choque"
para conter uma turba enfurecida, sem deixar lesão ou marca
no corpo das pessoas.
Será uma missão árdua
de ser cumprida e talvez nem se chegue a um resultado seguro.
Isso porque a tolerância à dor varia de indivíduo
para indivíduo. Crianças suportam menos dor que adultos,
e pessoas com doenças cardíacas ou vasculares podem
literalmente morrer de dor: o sofrimento agudo inunda o organismo
de hormônios como a adrenalina e a noradrenalina, relacionados
ao stress, que alteram drasticamente a pressão arterial.
"Não é incomum que essa oscilação leve
a uma parada cardiorrespiratória ou a um derrame", diz o
clínico Newton Barros, presidente da Sociedade Brasileira
para o Estudo da Dor. Edward Hammond, coordenador do braço
americano do Projeto Sunshine, aventa outras possibilidades ainda
para o uso do PEP. Como muito do texto do contrato está coberto
por tarjas negras, diz ele, é cabível supor que se
estejam estudando também usos letais para essa arma. Potencial
para isso a tecnologia, ao menos em teoria, oferece: quanto mais
intenso o pulso de laser, maior sua capacidade de vaporizar objetos,
incluídos aí seres humanos.
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No
limite
A nova arma em estudo pelo Pentágono
será capaz de provocar dores em níveis
paralisantes, comparáveis às piores que
o ser humano pode experimentar. São elas:
CONTRAÇÃO DE PARTO
CÁLCULO RENAL
INFARTO AGUDO
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