Edição 1896 . 16 de março de 2005

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Ciência
Essa é de doer

Cientistas americanos trabalham
junto com militares para criar uma
arma capaz de "disparar" dor


Thereza Venturoli


Ai, como dói: tornar a dor "segura" é tarefa difícil, já que a tolerância a ela varia de indivíduo para indivíduo

Uma das áreas mais interessantes da pesquisa biomédica, o estudo da dor vinha sendo conduzido, até hoje, com o objetivo de minorar o sofrimento humano. Agora, porém, ele pode ganhar aplicações nada nobres. Segundo uma denúncia da organização germano-americana Projeto Sunshine, divulgada pela revista britânica New Scientist, as Forças Armadas dos Estados Unidos estão tentando desenvolver uma arma não letal que, mesmo usada a uma distância de até 2 quilômetros, desencadeie uma dor lancinante, capaz de paralisar indivíduos ou multidões. A Sunshine conseguiu uma cópia do contrato firmado entre a Agência de Pesquisa Naval e a Universidade da Flórida para que esta última avaliasse "as conseqüências sensoriais de pulsos eletromagnéticos emitidos por plasmas induzidos a laser". Em bom português, o que essa pesquisa deseja estabelecer é qual o máximo de dor que se pode provocar numa pessoa sem levá-la à morte.

Os trechos que vieram a público revelam que a tecnologia em estudo é a do projétil de energia pulsada (PEP). A idéia é emitir pulsos de laser de curtíssima duração, mas intensos o suficiente para vaporizar, por exemplo, a roupa de um indivíduo. Dessa vaporização resulta uma espécie de gás "eletrificado", que atinge as terminações nervosas responsáveis pela sensação de dor e as ativa. A tarefa dos cientistas da Universidade da Flórida é determinar, usando culturas de células, a dose certa de "choque" para conter uma turba enfurecida, sem deixar lesão ou marca no corpo das pessoas.

Será uma missão árdua de ser cumprida – e talvez nem se chegue a um resultado seguro. Isso porque a tolerância à dor varia de indivíduo para indivíduo. Crianças suportam menos dor que adultos, e pessoas com doenças cardíacas ou vasculares podem literalmente morrer de dor: o sofrimento agudo inunda o organismo de hormônios como a adrenalina e a noradrenalina, relacionados ao stress, que alteram drasticamente a pressão arterial. "Não é incomum que essa oscilação leve a uma parada cardiorrespiratória ou a um derrame", diz o clínico Newton Barros, presidente da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor. Edward Hammond, coordenador do braço americano do Projeto Sunshine, aventa outras possibilidades ainda para o uso do PEP. Como muito do texto do contrato está coberto por tarjas negras, diz ele, é cabível supor que se estejam estudando também usos letais para essa arma. Potencial para isso a tecnologia, ao menos em teoria, oferece: quanto mais intenso o pulso de laser, maior sua capacidade de vaporizar objetos, incluídos aí seres humanos.

 

No limite

A nova arma em estudo pelo Pentágono será capaz de provocar dores em níveis paralisantes, comparáveis às piores que o ser humano pode experimentar. São elas:

CONTRAÇÃO DE PARTO
CÁLCULO RENAL
INFARTO AGUDO

 
 
 
 
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