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Partidos Uma
mancha na América Latina Recursos
das Farc vêm do narcotráfico e dos seqüestros Scott
Dalton/AP
 | Ricardo
Mazalan/AP
 | O
DRAMA DOS CATIVOS Lecompte, o marido, ao lado
do cartaz com foto de Ingrid Betancourt. Ao lado, guerrilheiro seqüestrador das
Farc |
A Abin descobriu que as Forças
Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) deram dinheiro para militantes
petistas. Mas de onde vem o dinheiro das Farc? A maior parte dos recursos do maior
grupo guerrilheiro colombiano é obtida por meio de três atividades
criminosas seqüestros, tráfico de drogas e roubo de gado. Entre
1997 e 2004, 4.734 pessoas passaram pelos cativeiros mantidos pelas Farc em seus
acampamentos no interior do país. Só no ano passado foram 700 cativos.
Os pagamentos de resgate somaram 37,5 milhões de dólares apenas
em 2003, de acordo com as últimas estimativas oficiais disponíveis.
No mesmo ano, a guerrilha lucrou 31,8 milhões de dólares com o roubo
de mais de 100.000 cabeças de gado. Especialistas calculam que as Farc
controlam 30% do mercado de distribuição e exportação
de cocaína na Colômbia. Em termos monetários, significa um
faturamento anual entre 600 milhões e 800 milhões de dólares.
O seqüestro é uma atividade
antiga da guerrilha colombiana. O envolvimento com o narcotráfico é
mais recente. Começou no início da década de 90, quando uma
ofensiva para erradicar as plantações de folha de coca na Bolívia
e no Peru levou os cartéis colombianos a se associar com a guerrilha para
o plantio nas áreas rurais sob controle dos esquerdistas. O negócio
fez uma tremenda diferença. De guerrilheiros pobres, que tinham perdido
a mesada de Cuba, as Farc se tornaram milionárias. Para administrarem o
ritmo acelerado de sua indústria de seqüestros, as Farc adotam um
procedimento padronizado. O valor do resgate é tabelado de acordo com a
região do país e varia entre 5.000 e 15.000 dólares, para
prisioneiros de classe média. No caso de grandes fazendeiros e funcionários
de empresas estrangeiras pagam-se valores bem maiores. A guerrilha pressiona os
familiares para que o pagamento seja efetuado em, no máximo, uma semana.
A partir desse prazo, são informados de que a vida do refém corre
risco. Situação ainda
mais dramática é a daqueles seqüestrados por motivos políticos.
Nesses casos, a guerrilha não aceita o pagamento de resgate. Os cativos
servem para ser trocados por guerrilheiros presos em negociações
com o governo. Hoje, 64 reféns estão nessa situação.
São 27 políticos, 34 militares e três civis americanos. O
caso mais conhecido é o da escritora e senadora Ingrid Betancourt, de 43
anos, mãe de um casal de adolescentes. Candidata à Presidência
nas eleições de 2002 por um pequeno partido ambientalista, Ingrid
já era uma celebridade internacional antes de ser seqüestrada pelas
Farc. Sua autobiografia, Coração Enfurecido, é best-seller
na França e nos Estados Unidos. Seu marido, o publicitário Juan
Carlos Lecompte, largou o trabalho para seguir obsessivamente qualquer pista sobre
o paradeiro da mulher. Há um mês, quando o seqüestro completou
três anos, ele lançou um livro relatando os 1.100 dias de seu sofrimento.
"Minha vida virou do avesso, a ponto de eu não ter idéia se Ingrid
vai me reconhecer quando for solta, de tão amargo e triste que me tornei",
disse Lecompte a VEJA. O desespero
é compartilhado com os familiares de outros reféns políticos.
Esses familiares mantêm um programa de rádio, As Vozes do Seqüestro,
no qual enviam mensagens aos parentes no cativeiro. Também se reúnem
todas as semanas na Praça Bolívar, em Bogotá, para pressionar
as autoridades. Apesar da mobilização, as chances de rever os parentes
são cada vez menores. A guerrilha chegou a estudar a troca dos reféns
por 500 guerrilheiros presos. Mas recuou depois que o governo colombiano extraditou
dois chefões das Farc para os Estados Unidos, onde respondem a processo
por participação no tráfico de drogas. O drama dos mortos-vivos,
como esses reféns são conhecidos, ainda está longe do fim.
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