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Carta ao leitor
Dieta para o governo
Ailton de Freitas/Ag. O Globo
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| Lula e Palocci: imposto não pode ser o grande
tema |
Ninguém precisa ser especialista para
saber que o volume de impostos, taxas e contribuições
compulsórias pagos pelos brasileiros superou o nível
do tolerável. Na semana passada, o governo do presidente
Lula deu uma demonstração pública de que começa
a perceber a gravidade desse obstáculo ao progresso e ao
bem-estar da população. Durante a reunião do
Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, José
Dirceu, ministro-chefe da Casa Civil, revelou que em 2004 o total
de impostos pagos por pessoas físicas e empresas brasileiras
cresceu ainda mais em relação ao ano anterior, chegando
a 35,4% do PIB.
Isso significa que mais de 35 de cada 100
reais produzidos no país foram parar nos cofres do Estado
brasileiro. Dito de outra forma mais dramática, significa
que as pessoas e as empresas trabalham quatro meses do ano para
o Estado e, só então, ganham o direito de custear
suas despesas, pagar suas dívidas, financiar a educação
dos filhos ou fazer poupança. Quando chegou sua vez de falar,
Antonio Palocci, ministro da Fazenda, reconheceu que a "carga tributária
atingiu seu limite e o compromisso do presidente é de que
ela não aumente".
No íntimo, o alto escalão do
governo sabe que a carga tributária pode ter um preço
político mais alto. O crescimento da economia neste ano ficará
1 ou 2 pontos abaixo dos 5,2% de 2004. Portanto, a economia deverá
crescer em um ritmo insuficiente para aliviar a crise social e criar
empregos na quantidade de que o país precisa. À luz
desse fato, vão se tornar mais e mais agudas as cobranças
para que o Estado aprofunde a receita clássica do crescimento
sustentado. Ou seja, que ele diminua seu peso sobre os ombros da
sociedade, deixe sobrar mais poupança para a produção
e o consumo, tornando o ambiente de negócios mais transparente,
seguro e previsível de modo a atrair investimentos.
Pela primeira vez o governo reconhece internamente
que, para não arriscar uma derrota em 2006, não pode
permitir que a carga tributária se torne a questão
principal da campanha. Para isso só existe um caminho: diminuí-la.
Eis aí mais um benefício das eleições
e da democracia.
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