Edição 1892 . 16 de fevereiro de 2005

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VEJA Recomenda

DVDs

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Queimando ao Vento: a solidão terrível dos expatriados


Queimando ao Vento
(Brucio nel Vento,
Itália/Suíça, 2002. LK-Tel) – Acreditando ter matado seu pai, Tobias foge do Leste Europeu para a Suíça, onde vai virar menino de orfanato, depois operário de fábrica e eternamente amante – em pensamento – de Line, a garota por quem se apaixonou ainda nos bancos da escola. Quando a reencontra, também como imigrante e operária – além de casada e mãe –, o taciturno Tobias a reconhece de imediato e decide que de forma nenhuma a deixará sair de sua vida outra vez. Dirigido pelo italiano Silvio Soldini em registro bem diverso de seu recente Ágata e a Tempestade (em cartaz nos cinemas), Queimando ao Vento é menos um romance do que um estudo da solidão terrível dos expatriados, que ganha peso e nuance com a atuação notável de Ivan Franek.

Ô-Gênio: Live in Brazil, Ray Charles (Warner) – Esse DVD traz duas apresentações históricas do cantor e pianista Ray Charles (1930-2004), que tocou em São Paulo em setembro de 1963, no auge de sua carreira. Os shows foram gravados e exibidos, pela rede de televisão Excelsior, com o nome de Ray Charles entre Nós. São mais de quarenta músicas para lembrar a voz e o piano inconfundíveis de Charles – como em Hallelujah I Love Her So, que ilustra bem a mistura do gospel com rhythm'n'blues que Charles inventou e se tornou a soul music. O DVD é fiel à exibição original, com imagens em preto-e-branco. Conta inclusive com os comerciais da época – da extinta loja Erontex, que patrocinou o show.

Divulgação
Allen e Biggs: medindo forças


Igual a Tudo na Vida
(Anything Else,
Estados Unidos/França, 2004. Europa) – Não é novidade que Woody Allen ponha outros atores no papel de seu alter ego. O que torna esse filme diferente é que o Allen original comparece para medir forças com sua encarnação mais jovem. Como David Dobel, um comediante frustrado, ele se intromete na vida de um colega iniciante (interpretado com muita competência por Jason Biggs, da série American Pie) com conselhos e palpites da pior qualidade – o pretexto de Allen para ventilar, em ótimos diálogos, suas persistentes neuroses. Como sempre, o elenco é um espetáculo à parte, em que se destacam as participações de Christina Ricci e Stockard Channing. Veja cenas.

 

DISCO

Let Go, Nada Surf (Inker/Bizarre Music) – Enquanto a cena do rock independente americano é dominada por um tipo de som mais acelerado e energético – como o dos grupos The White Stripes e Strokes, por exemplo –, o Nada Surf vai na contramão dessa tendência. Surgida nos anos 90, a banda nova-iorquina tem influências que vão do pop melódico do New Order à psicodelia moderninha do Flaming Lips. O trio investe em baladas plácidas e letras despretensiosas, como as que se encontram em Let Go, seu terceiro disco. Bons exemplos disso são as faixas Inside of Love e Blizzard of '77, que abre o CD. Há também rocks com maior presença de guitarras, como The Way You Wear Your Head. Outro destaque é a faixa Là pour Ça, cantada em francês.

 

LIVROS

O Grande Inimigo, de Milt Bearden e James Risen (tradução de S. Duarte; Objetiva; 568 páginas; 66,90 reais) – Escrito pelo jornalista do New York Times James Risen e pelo ex-agente secreto Milt Bearden, O Grande Inimigo oferece revelações inéditas sobre a guerra entre o serviço de inteligência americano e o soviético – a CIA e a KGB – nos anos 80, às vésperas do fim da Guerra Fria. O livro traz elementos dignos de filmes de espionagem: treinamento secreto de espiões nas ruas de Washington, mensagens com tinta invisível, ações clandestinas. Sobretudo, apresenta uma verdadeira guerra de delatores entre as agências. Vários espiões americanos foram descobertos e eliminados em Moscou graças a informações fornecidas por três traidores da CIA. Bearden revela que existe ainda um quarto traidor, cuja identidade até hoje o serviço secreto americano não conseguiu descobrir.

O Pensamento Árabe na Era Liberal, de Albert Hourani (tradução de Rosaura Eichenberg; Companhia das Letras; 440 páginas; 52 reais) – Poderoso e relativamente esclarecido ao longo da Idade Média, o mundo islâmico viu-se diante de um dilema durante o século XIX e o início do XX: como sobreviver à expansão do colonialismo europeu sem comprometer sua identidade religiosa e cultural? O impacto das idéias européias sobre o Islã nesse período de decadência é o tema desse ensaio escrito em 1962 pelo historiador inglês Albert Hourani (1915-1993), autor do já clássico Uma História dos Povos Árabes. Analisando a obra de pensadores sociais do Egito e do Líbano, Hourani identifica duas tendências fortes no pensamento muçulmano de então: uma buscou reafirmar os princípios sociais do Islã, enquanto a outra tentava separar religião e política. No choque entre essas duas correntes, os países árabes testemunharam o nascimento de um inflamado nacionalismo – o que faz desse livro uma leitura essencial para compreender o fundamentalismo islâmico dos dias de hoje. Leia trecho.

Mundos Sujos, de José Latour (tradução de Sylvio Gonçalves; Record; 304 páginas; 36,90 reais) – Elliot Steil leva uma existência miserável como professor de inglês em Havana – até que um desconhecido lhe oferece a chance de fugir para os Estados Unidos. No meio do caminho, Steil é lançado ao mar, para morrer. Ele sobrevive e consegue se estabelecer em Miami, onde busca se vingar do homem que tentou matá-lo. Esse é o eletrizante enredo desse sétimo livro do cubano Latour – o primeiro que ele escreveu em inglês. É um romance policial, que tem como pano de fundo o cotidiano opressivo da Cuba comunista e a vida difícil dos imigrantes nos Estados Unidos.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Siciliano, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Livraria Porto Alegre, Cultura, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Saraiva; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Siciliano; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; internet: Cultura, Laselva, Saraiva, Sodiler, Siciliano, Submarino, Nobel.
 
 
 
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