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VEJA Recomenda DVDs
Divulgação
 | | Queimando
ao Vento: a solidão terrível dos
expatriados |
Queimando
ao Vento (Brucio nel Vento, Itália/Suíça, 2002. LK-Tel)
Acreditando ter matado seu pai, Tobias foge do Leste Europeu para a Suíça,
onde vai virar menino de orfanato, depois operário de fábrica e
eternamente amante em pensamento de Line, a garota por quem se apaixonou
ainda nos bancos da escola. Quando a reencontra, também como imigrante
e operária além de casada e mãe , o taciturno
Tobias a reconhece de imediato e decide que de forma nenhuma a deixará
sair de sua vida outra vez. Dirigido pelo italiano Silvio Soldini em registro
bem diverso de seu recente Ágata e a Tempestade (em cartaz nos cinemas),
Queimando ao Vento é menos um romance do que um estudo da solidão
terrível dos expatriados, que ganha peso e nuance com a atuação
notável de Ivan Franek.
Ô-Gênio:
Live in Brazil, Ray Charles (Warner) Esse DVD traz duas apresentações
históricas do cantor e pianista Ray Charles (1930-2004), que tocou em São
Paulo em setembro de 1963, no auge de sua carreira. Os shows foram gravados e
exibidos, pela rede de televisão Excelsior, com o nome de Ray Charles
entre Nós. São mais de quarenta músicas para lembrar
a voz e o piano inconfundíveis de Charles como em Hallelujah
I Love Her So, que ilustra bem a mistura do gospel com rhythm'n'blues que
Charles inventou e se tornou a soul music. O DVD é fiel à exibição
original, com imagens em preto-e-branco. Conta inclusive com os comerciais da
época da extinta loja Erontex, que patrocinou o show.
Divulgação
 | | Allen
e Biggs: medindo forças |
Igual
a Tudo na Vida (Anything Else, Estados Unidos/França, 2004. Europa)
Não é novidade que Woody Allen ponha outros atores no papel
de seu alter ego. O que torna esse filme diferente é que o Allen original
comparece para medir forças com sua encarnação mais jovem.
Como David Dobel, um comediante frustrado, ele se intromete na vida de um colega
iniciante (interpretado com muita competência por Jason Biggs, da série
American Pie) com conselhos e palpites da pior qualidade o pretexto
de Allen para ventilar, em ótimos diálogos, suas persistentes neuroses.
Como sempre, o elenco é um espetáculo à parte, em que se
destacam as participações de Christina Ricci e Stockard Channing.
Veja
cenas.
DISCO Let
Go, Nada Surf (Inker/Bizarre Music) Enquanto a cena do rock independente
americano é dominada por um tipo de som mais acelerado e energético
como o dos grupos The White Stripes e Strokes, por exemplo , o Nada
Surf vai na contramão dessa tendência. Surgida nos anos 90, a banda
nova-iorquina tem influências que vão do pop melódico do New
Order à psicodelia moderninha do Flaming Lips. O trio investe em baladas
plácidas e letras despretensiosas, como as que se encontram em Let Go,
seu terceiro disco. Bons exemplos disso são as faixas Inside of
Love e Blizzard of '77, que abre o CD. Há também rocks
com maior presença de guitarras, como The Way You Wear Your Head. Outro
destaque é a faixa Là pour Ça, cantada em francês.
LIVROS O
Grande Inimigo, de Milt Bearden e James Risen (tradução
de S. Duarte; Objetiva; 568 páginas; 66,90 reais) Escrito pelo jornalista
do New York Times James Risen e pelo ex-agente secreto Milt Bearden, O
Grande Inimigo oferece revelações inéditas sobre a guerra
entre o serviço de inteligência americano e o soviético
a CIA e a KGB nos anos 80, às vésperas do fim da Guerra Fria.
O livro traz elementos dignos de filmes de espionagem: treinamento secreto de
espiões nas ruas de Washington, mensagens com tinta invisível, ações
clandestinas. Sobretudo, apresenta uma verdadeira guerra de delatores entre as
agências. Vários espiões americanos foram descobertos e eliminados
em Moscou graças a informações fornecidas por três
traidores da CIA. Bearden revela que existe ainda um quarto traidor, cuja identidade
até hoje o serviço secreto americano não conseguiu descobrir.
O
Pensamento Árabe na Era Liberal, de Albert Hourani (tradução
de Rosaura Eichenberg; Companhia das Letras; 440 páginas; 52 reais)
Poderoso e relativamente esclarecido ao longo da Idade Média, o mundo islâmico
viu-se diante de um dilema durante o século XIX e o início do XX:
como sobreviver à expansão do colonialismo europeu sem comprometer
sua identidade religiosa e cultural? O impacto das idéias européias
sobre o Islã nesse período de decadência é o tema desse
ensaio escrito em 1962 pelo historiador inglês Albert Hourani (1915-1993),
autor do já clássico Uma História dos Povos Árabes.
Analisando a obra de pensadores sociais do Egito e do Líbano, Hourani identifica
duas tendências fortes no pensamento muçulmano de então: uma
buscou reafirmar os princípios sociais do Islã, enquanto a outra
tentava separar religião e política. No choque entre essas duas
correntes, os países árabes testemunharam o nascimento de um inflamado
nacionalismo o que faz desse livro uma leitura essencial para compreender
o fundamentalismo islâmico dos dias de hoje. Leia
trecho.
Mundos
Sujos, de José Latour (tradução de Sylvio Gonçalves;
Record; 304 páginas; 36,90 reais) Elliot Steil leva uma existência
miserável como professor de inglês em Havana até que
um desconhecido lhe oferece a chance de fugir para os Estados Unidos. No meio
do caminho, Steil é lançado ao mar, para morrer. Ele sobrevive e
consegue se estabelecer em Miami, onde busca se vingar do homem que tentou matá-lo.
Esse é o eletrizante enredo desse sétimo livro do cubano Latour
o primeiro que ele escreveu em inglês. É um romance policial,
que tem como pano de fundo o cotidiano opressivo da Cuba comunista e a vida difícil
dos imigrantes nos Estados Unidos. |