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Música Rap
do além Em discos, roupas e num
documentário que concorre ao Oscar, Tupac Shakur faz mais sucesso
morto do que em vida. Quem lucra é sua mãe  Paula
Aoyagui
Em 1996, aos 25 anos, o cantor de
rap americano Tupac Shakur foi assassinado a tiros depois de assistir a uma luta
do boxeador Mike Tyson em Las Vegas. Não se pode dizer que foi o fim de
uma carreira promissora. Muito pelo contrário. Como uma espécie
de James Dean do submundo do gangsta, a ala mais barra-pesada do rap, Shakur tornou-se
mais cultuado depois de morto do que em vida. Em volta dele criou-se uma indústria
lucrativa, cujos dividendos alimentam a conta bancária de Afeni Shakur,
a mãe que controla seu espólio com mão-de-ferro. Dona de
uma gravadora, ela lançou dezesseis discos do filho desde sua morte, contra
apenas quatro em vida. Roupas com sua marca ajudaram Afeni a faturar 24 milhões
de dólares nos últimos três anos. Shakur tem presença
assídua no ranking das celebridades mortas mais lucrativas da revista Forbes,
ao lado de figuras como o roqueiro Elvis Presley. Nada indica que essa fonte
vá secar, pois ele deixou mais de 200 canções inéditas,
além de dezenas de horas de depoimentos gravados. Esse material é
a base de Resurrection, biografia do artista que concorre ao Oscar de documentário
e acaba de sair em DVD no Brasil. A produção é da MTV americana
e da própria Afeni, que zelou para que nada manchasse a imagem de um rapper
durão, mas sensível às causas sociais uma lorota marqueteira,
manjada entre os artistas do gênero e que vem a calhar para os negócios.
Resurrection tem edição
ágil de videoclipe e sua narrativa impressiona por ser construída
somente com falas do rapper, que conta sua vida desde a infância. Tudo no
filme é feito para transformá-lo no santo que ele não foi.
Populista, Shakur fala de sua juventude sofrida e se autoproclama um porta-voz
dos negros e oprimidos. Na vida real, o cantor ficou mais conhecido como autor
de letras machistas e que faziam apologia da violência. Chegou a ser preso
por assédio sexual e foi um incitador da rivalidade sangrenta entre os
rappers das costas leste e oeste dos Estados Unidos provável razão
de seu assassinato, ainda não desvendado. Sua mãe, é claro,
aparece em destaque. Os primeiros dez minutos da fita são um longo elogio
a Afeni, ex-militante do grupo radical Panteras Negras que passou quase toda a
gravidez na cadeia e se afundou nas drogas enquanto o filho levava uma vida desgarrada
nas ruas. Com uma mãozinha do além, ela riu por último.
TUPAC SHAKUR S/A
Depois de sua morte, em 1996, foram lançados 16 discos do
artista, contra apenas 4 em vida
Somente
nos últimos três anos sua obra rendeu 24 milhões de dólares
O filme Resurrection, que mostra a biografia do cantor narrada
por ele mesmo, concorre ao Oscar de melhor documentário em longa-metragem
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