Edição 1892 . 16 de fevereiro de 2005

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4 nohtas e uma anotação

1. A disputa interna no PT está de tal forma que, me disse um militante, ao comparecer a uma reunião teve o desagrado de ser revistado minuciosamente pra verificarem se estava armado. Como não estava, lhe deram uma arma.

2. Verifiquem agora, no acordo entre Israel e os palestinos, se eu não tenho razão em meu otimismo: "A guerra sempre traz a paz".

3. Não, não foi o nariz. A verdade é que Lula, noutro dia, falou mais de dois minutos sem um erro semântico, sem uma embromação retórica, ou uma autopromoção. Os médicos acharam que a coisa era urgente.

4. Nada tendes a temer senão os vossos próprios seguranças.

 

Trompe-l'oeil.

Escadaria no quadro de De Witte, pela qual Lula tenta todo dia entrar no Alvorada. Sempre dá com o nariz, mesmo operado, na tela.

Trompe-l'oeil é engana-o-olho, em francês. Pintura tão realista que parece tridimensional, a verdade. E, dizem, trompa mesmo a muitos, engana. No século XVII, os holandeses, donos da pintura na época (Van Henessen, Pierre de Hoosh, Ian de Venne, chega?), praticavam isso o tempo todo. Não vamos falar de Vermeer, que era todo um outro gênio.

A técnica, claro, já vinha da Renascença – o que é que não? –, quando uma porta era tão bem pintada que levava todo mundo a querer abri-la, um papel dobrado trazia a tentação de desdobrá-lo, uma mosca sobre um vidro dava o impulso de enxotá-la e você batia com a cara na parede achando que a colunata pintada realmente conduzia ao longe.

Os franceses, que criaram a expressão trompe-l'oeil (até o princípio do século XX o chique era falar francês, inglês não estava com nada, até as armas inglesas traziam o Dieu et mon droit), levaram o trompe à saturação.

E o que já não era considerado Arte passou a ser vulgar. Pois, afirmam os afirmativos, para que uma pintura seja Arte deve haver nela alguma sensível intervenção humana, que afaste a obra da cópia servil.

Mas até onde alguém se trompa mesmo? A lenda de que os pássaros bicavam as uvas pintadas por Zeles ou a de que um cavalo relinchava de tesão na ânsia de cobrir a égua pintada por Afiles devem ser engolidas com a famosa pitada de sal ático, que, aliás, já ninguém sabe o que é (mas o Google está aí mesmo pra ensinar). Hoje, fazer com que a gente veja o que não está vendo, acredite no inacreditável, é coisa de mágico de teatro ou de circo, para pobres platéias patetas (viram? uma aliteração! O Houaiss está aí mesmo pra ensinar).

Por que falo nisso? Porque considero Luiz Inácio Lula da Silva um grande mestre nessa arte enganadora, que ele não admite chamar de trompe. Chama de otimismo.

Mas só se trompa quem quer se trompar.

Ou profissional de estatística oficial.

 

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