Edição 1892 . 16 de fevereiro de 2005

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Carta ao leitor
O exemplo coreano

 
Monica, em Seul: "Competir nos estudos é um esporte nacional na Coréia"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na semana passada que "a família pode fazer mais pelas pessoas do que o Estado". No que diz respeito à educação, a frase ganha uma relevância ainda maior. Pais atentos ao desempenho escolar dos filhos e que estimulam a busca pelo conhecimento são fundamentais para o aprimoramento dos jovens. Essa é uma lição que a Coréia do Sul aprendeu faz tempo.

Há muito mais a aprender com os coreanos. Em 1960, a Coréia era um país miserável e destroçado por uma guerra civil que deixou um saldo de 1 milhão de mortos e a economia em ruínas. A renda per capita coreana não passava de 900 dólares por ano – a metade da brasileira na época – e o analfabetismo atingia 33% da população com mais de 15 anos. Nos últimos quarenta anos, a Coréia tornou-se uma economia fervilhante e esbanja bons indicadores de qualidade de vida. A renda dos coreanos é hoje mais que o dobro da dos brasileiros. O bem-sucedido caso da Coréia do Sul é um exemplo de como o investimento maciço na educação fundamental pode ser o motor para o crescimento de um país. Seu sistema público de ensino básico figura entre os melhores do mundo – e oferece oportunidades iguais a pobres e ricos.

VEJA enviou a repórter Monica Weinberg à Coréia do Sul para ver de perto como funciona esse modelo. Ela visitou escolas e universidades e entrevistou estudantes, professores e especialistas na área da educação. O que mais chamou a atenção de Monica foi a paixão que o tema desperta em qualquer lar coreano. "Competir nos estudos é um esporte nacional na Coréia", diz a repórter. Pais e mães são tão obcecados pelo assunto que sabem discorrer em detalhes sobre o que seus filhos estão aprendendo na sala de aula. Os estudantes coreanos passam quase doze horas diárias absorvidos pelos estudos – no Brasil a média é de cinco horas – e são movidos pelo objetivo de estar entre os melhores. Para a sociedade os ganhos são evidentes. O foco na educação alavanca o desenvolvimento social e econômico e todos ganham com isso.

 
 
 
 
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