Edição 1 636 - 16/2/2000

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DISCOS

Monk on Monk, T.S. Monk (Abril Music) — Para celebrar os oitenta anos do nascimento de Thelonious Monk (1917- 1982), um dos pianistas mais criativos da história do jazz e nome seminal do estilo bebop, só mesmo juntando os melhores instrumentistas do gênero. Foi o que pensou o baterista T.S. Monk, filho de Thelonious. Ele iniciou sua carreira na década de 70, tocando no grupo do pai. Desde 1986, T.S. preside o Instituto de Jazz Thelonious Monk, que se dedica a celebrar o talento do pianista. Lançado originalmente em 1997, o disco traz músicos renomados, como o pianista Herbie Hancock, o saxofonista Grover Washington Jr., o baixista Ron Carter e a cantora Dianne Reeves. Eles dão nova vida às composições de Thelonious, entre elas uma que permanecia inédita, Two Timer.


Chant Down Babylon, vários intérpretes (Island/Universal) — Na música pop, quase sempre os discos-tributo destroem o legado do homenageado. Não é o caso deste CD dedicado à obra do jamaicano Bob Marley (1945-1981), principal nome do reggae. Esse ritmo sacudiu o cenário pop mundial nos anos 70, com seu andamento manemolente e letras abordando temas políticos e religiosos. O reggae perdeu muito de sua força nas décadas seguintes, mas a obra de Marley permanece um monumento. Esta coletânea traz artistas de outros estilos musicais, como rap e rock. Eles dividem os vocais com Bob por meio de um recurso técnico que sobrepõe gravações novas e antigas. Algumas versões do disco chegam a superar a original. É o caso de Turn Your Lights Down Low, interpretada pela cantora americana Lauryn Hill.

LIVRO

Outras Histórias de uma Cidade, de Armistead Maupin (tradução de Vera Whately; Record; 460 páginas; 45 reais) — Este é o terceiro romance, de uma série de seis, que a Record está lançando no Brasil. Como os livros são independentes, não é preciso ter lido um para apreciar os outros. A cidade do título é San Francisco, nos Estados Unidos: bela, divertida e meca da cultura gay. É preciso mencionar esse fato, pois as histórias têm um certo viés homossexual. Maupin, no entanto, escreve para todo mundo. Seu texto se dedica a retratar a sociedade americana através de uma multidão de personagens, sempre com muito humor. Os capítulos são curtíssimos, como se fossem instantâneos da realidade desde os anos 70 até hoje.

TELEVISÃO

O Cinema de Billy Wilder (treze filmes do diretor, de 14 a 26 de fevereiro, às 22h, no Telecine 5) — "Ninguém é perfeito", diz um personagem na última cena de Quanto Mais Quente Melhor, comédia estrelada por Marilyn Monroe, Jack Lemmon e Tony Curtis. Só há uma falha na lógica proposta pelo roteirista e diretor do filme, Billy Wilder: ele, sim, era perfeito, pelo menos atrás da câmara. Autor de algumas das produções mais lembradas do cinema americano, entre elas o drama Farrapo Humano, o austríaco Wilder, hoje com 93 anos, sabia fazer filmes populares sem menosprezar a inteligência da platéia. Os filmes deste ciclo são prova disso.

FILME

Divulgação

Buena Vista Social Club: excelente documentário de Wim Wenders

Buena Vista Social Club (Alemanha/Estados Unidos/França/ Cuba, 1999. Estréia sexta-feira no Rio de Janeiro) — Este documentário é uma grata surpresa do cineasta alemão Wim Wenders. Em vez de mostrar dilemas existenciais de anjos, Wenders emociona o público ao contar histórias de gente de carne e osso. Boa parte desse êxito se deve aos protagonistas da história. O Buena Vista Social Club é um grupo de músicos cubanos que animavam os cassinos da ilha na década de 50. Com a subida de Fidel Castro ao poder, em 1959, eles ficaram sem emprego. Em 1996, foram resgatados pelo guitarrista americano Ry Cooder e desde então vêm mostrando a música cubana para o mundo. Buena Vista Social Club registra apresentações da trupe, entremeadas com depoimentos dos músicos. O cantor Ibrahim Ferrer conta que, até há pouco, trabalhava como engraxate para sobreviver. Aos 92 anos e gaiatíssimo, o cantor Compay Segundo diz estar disposto a gerar seu sexto filho. Mesmo longe de seus dias de glória, essa turma não perdeu a alegria de viver.