Edição 1 636 - 16/2/2000

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Meninas, voltei

Leonardo DiCaprio mente e trai em A Praia,
mas sem perder aquele jeitinho adorável

Isabela Boscov

 
Divulgação
Leonardo como o mochileiro Richard: músculos delineados para não decepcionar o público feminino

Calma, garotas. Ao contrário do que sugerem as imagens mais recentes flagradas por paparazzi, Leonardo DiCaprio está magro, ligeiramente musculoso e bem queimado de sol, em perfeita forma para aparecer quase o tempo todo sem camisa, só de calção. Qualquer coisa menos que isso, é claro, seria motivo de desgosto para a jovem platéia feminina de A Praia (The Beach, Estados Unidos, 2000), com estréia nacional nesta sexta-feira, o primeiro grande filme de Leonardo desde o recordista de bilheteria Titanic. Como o mundo não é composto só de moçoilas, a fita joga várias iscas também para a porção masculina da audiência – trilha de inspiração clubber, menções a videogames e cenas de bravura alimentada a testosterona, como aquela em que o astro enfrenta um tubarão no muque. Tudo milimetricamente calculado por Danny Boyle, o diretor inglês que estourou no circuito alternativo com o radical Trainspotting e agora se dedica a produções bem mais amenas.

Adaptado do best-seller homônimo, A Praia conta a história de Richard, um mochileiro que, numa pensão tailandesa, encontra um mapa que leva a um tesouro diferente: uma praia paradisíaca perdida numa ilha remota. Acompanhado de um casal de franceses, ele ruma para esse éden tropical. Logo a atmosfera de aventura será substituída por uma realidade mais dura: para que a praia permaneça em segredo, atrocidades terão de ser cometidas. Tudo bem light, para garantir o entusiasmo dos adolescentes. Que ninguém espere ver Leonardo repetir seus feitos heróicos de Titanic. Em A Praia, o astro fuma maconha, mente, trai a namorada (a francesa Virginie Ledoyen) e tem fetiche por armas de fogo. Tudo com aquele jeitinho adorável que o transformou no bem de valorização mais rápida em Hollywood. Dos 2,5 milhões de dólares recebidos por Titanic, o cachê de DiCaprio saltou para assombrosos 20 milhões em A Praia. É o que ganham astros experimentados como Tom Hanks, John Travolta e Arnold Schwarzenegger. A pergunta, agora, é se o rapaz vai se provar merecedor do investimento.

Divulgação
A atriz Virginie: não, ela não
está grávida do astro


Vida de astro do primeiro time, essa Leonardo já leva há tempo. Desde as filmagens de Romeu & Julieta, sua inseparável turma de amigos é conhecida como "a gangue dos ricardões". Viajam em jatos fretados, alugam andares inteiros de hotéis e, por onde passam, deixam um rastro de festas, namoradas, eventuais quebra-quebras e, inevitavelmente, fofocas. "Meus amigos não são uma gangue. Gangue são vocês", dispara para os repórteres. Como se adiantasse. Aos 25 anos, Leonardo diz que está sem namorada. Segundo atesta o dono de um clube noturno freqüentado pelo ator, em Los Angeles, a questão é outra: "Leo arruma uma garota nova a cada meia hora". De sua folha corrida constam casos com as modelos Kate Moss e Eva Herzigova e com atrizes como Alicia Silverstone e Claire Danes, além de um sem-número de anônimas. Recentemente, Leo causou furor ao ser flagrado aos amassos, em público, com a aspirante a estrela Carmen Electra – aquela que se casou com o extravagante jogador de basquete Dennis Rodman durante uma bebedeira em Las Vegas. O astro nega o namorico. Como, de resto, nega qualquer boato a seu respeito. "Durante as filmagens de A Praia, divulgaram que eu teria engravidado Virginie Ledoyen. Não importa o que eu diga ou faça, tudo vai ser distorcido", queixa-se. Difícil é distorcer os olhos roxos e escoriações com que ele é visto ocasionalmente, e que costumam ser atribuídos ao seu pendor para resolver (ou provocar) encrencas com os punhos.

"Não uso drogas" – Leonardo, é certo, adora uma farra. Mas não com sua carreira. Filho de um casal de hippies (a assistente social alemã Irmelin e o artista de quadrinhos udigrúdi George, que se separaram antes do primeiro aniversário do filho), ele demonstra um grande talento empresarial. Entre seus assessores, inclui-se um consultor de campanhas políticas. Também controla com mão de ferro sua própria página na internet e, nos últimos dois anos, recusou-se a falar à imprensa. Sua primeira entrevista desde Titanic está na edição de fevereiro da revista americana Talk, e foi objeto de negociações intensas. Quando quer refugiar-se dos olhares do público, sai rodando de carro sozinho. "Como fui criado em Los Angeles, adoro dirigir", conta. Atento às críticas ao seu comportamento, resolveu ironizar a si mesmo interpretando um astro mimado em Celebrity, de Woody Allen. Mas afirma que é assim só na ficção. "Não uso drogas, nunca usei. Também sou frugal e não gasto dinheiro em besteiras", diz. "Desde pequeno, eu vivia preocupado com a falta de dinheiro em casa. Atuar me parecia uma boa saída para essa bagunça."

E como. Embora afirme preferir os filmes independentes do início de sua carreira às superproduções como Titanic, Leonardo embolsou 2,5 milhões de dólares por um comercial de um minuto no Japão, e está em conversações com George Lucas para fazer o papel de Anakin Skywalker no próximo episódio da série Guerra nas Estrelas. Antes, porém, vai desfrutar a honraria máxima para qualquer ator americano: ser dirigido por Martin Scorsese em seu próximo filme, The Gangs of New York. A única coisa que ele reluta em fazer, conforme confessou à Talk, é assumir de vez que já se tornou um adulto. "Quem quer crescer de fato?", desabafa. Suas fãs, certamente, não desejam para ele destino tão cruel.

 

Bonito. E com uma conta bancária...

Leonardo DiCaprio já tem uma nova meta a almejar: igualar seu cachê ao de Mel Gibson. O galã de olhos azuis acaba de cravar um recorde na escalada dos salários em Hollywood. Por seu novo filme, o épico O Patriota (que deve estrear no Brasil no segundo semestre), ganhou nada menos do que 25 milhões de dólares. É a retribuição pelo seu dom de aprumar na bilheteria qualquer filme em que apareça. Mesmo que se trate de um enredo requentado como o de Máquina Mortífera 4, que há dois anos amealhou 270 milhões de dólares em todo o mundo.

O incrível é que esses 25 milhões são só para começar. Hoje todos os grandes astros fazem acordos que lhes dão direito a faturar um gordo porcentual sobre a bilheteria de suas fitas. Nos últimos dias, veio à tona uma informação capaz de dar uma idéia do quanto isso significa. Quando rodou Missão Impossível, em 1996, Tom Cruise recebeu um fixo de 20 milhões. Com o sucesso da aventura, teve direito a uma bolada adicional de 50 milhões. Não se sabe qual a porcentagem de Gibson sobre a bilheteria de O Patriota – mas deve ser parecida com a de Tom Cruise.