Grécia
Presente de grego
Com a economia rica e equilibrada,
a Grécia deve aderir ao euro em junho
Ed Viggiani
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| Vila
grega às margens do Mediterrâneo: antigo
com confortos da modernidade |
A Grécia, paraíso de casinhas brancas às
margens do mar azul do Mediterrâneo onde estão
as fundações da civilização
ocidental, era, até pouco tempo atrás, um
dos países mais pobres da Europa. Vivia do turismo,
da pesca, da produção de azeitonas. Quem visita
as pequenas vilas gregas, hoje, ainda se sente como um Anthony
Quinn no filme Zorba, o Grego. O país parece
ter parado no tempo. Mas isso é só impressão.
A Grécia vem passando por uma das transformações
mais rápidas e notáveis do planeta nos últimos
anos. Sua economia cresce, em média, mais que a da
União Européia. A bolsa de valores esteve
entre as mais agitadas e valorizadas, no continente, no
ano passado. A inflação está em queda
e os investimentos chovem por todos os lados. No próximo
mês, o governo grego pedirá para ser incluído
no clube dos países que adotam o euro como moeda
única. Deverá ser aceito em junho antes
de potências aparentemente mais saudáveis,
como a Dinamarca, que também andam se esforçando
para aderir à moeda européia.
O milagre grego tem sido promovido por um governo superaustero,
que cortou gastos públicos e reduziu seu déficit
até o nível exigido pelos países da
União Européia 3% do PIB. A Grécia
passou por uma onda de privatizações e de
desregulamentação da economia. Há uma
infinidade de novos pequenos negócios brotando na
península, e as fabriquetas de calçados, roupas
e queijos já ocupam 19% dos trabalhadores gregos.
Os números são demais, mas vale a pena observá-los.
O consumo de energia cresceu mais de 40% na última
década. A indústria (têxtil, de alimentação,
produtos químicos, material de construção
e de equipamentos de transporte) já é responsável
por quase 18% do PIB do país e a metade dos produtos
manufaturados é exportada. Calcula-se que até
o final do ano 10% da população grega terá
alguma poupança investida na bolsa de valores, o
que é no mínimo espantoso para quem tem, no
imaginário, o grego paupérrimo que come numa
tigela, com colher, e senta-se à mesa do bar para
apreciar o pôr-do-sol, sem nenhuma preocupação
com o valor do dracma.
O fato de Atenas ter sido escolhida como sede dos Jogos
Olímpicos de 2004, à parte toda a tradição
histórica da Grécia como criadora das Olimpíadas,
é em certa medida reflexo do desempenho do país
das ilhas em sua maratona econômica. Com dinheiro
para investimentos pesados, os gregos constroem no momento
duas estradas que cruzam o país de norte a sul e
de leste a oeste, com mais de 1.500
quilômetros. Instalam um novo aeroporto em Atenas,
modernizam estradas de ferro, expandem o metrô e tubulações
para a utilização de gás como fonte
de energia. Nada disso deve turvar o ambiente idílico
das terras helênicas. Ao contrário. Espera-se
que o turismo cresça.