Edição 1 636 - 16/2/2000

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Grécia

Presente de grego

Com a economia rica e equilibrada,
a Grécia deve aderir ao euro em junho

 
Ed Viggiani
Vila grega às margens do Mediterrâneo: antigo com confortos da modernidade

A Grécia, paraíso de casinhas brancas às margens do mar azul do Mediterrâneo onde estão as fundações da civilização ocidental, era, até pouco tempo atrás, um dos países mais pobres da Europa. Vivia do turismo, da pesca, da produção de azeitonas. Quem visita as pequenas vilas gregas, hoje, ainda se sente como um Anthony Quinn no filme Zorba, o Grego. O país parece ter parado no tempo. Mas isso é só impressão. A Grécia vem passando por uma das transformações mais rápidas e notáveis do planeta nos últimos anos. Sua economia cresce, em média, mais que a da União Européia. A bolsa de valores esteve entre as mais agitadas e valorizadas, no continente, no ano passado. A inflação está em queda e os investimentos chovem por todos os lados. No próximo mês, o governo grego pedirá para ser incluído no clube dos países que adotam o euro como moeda única. Deverá ser aceito em junho – antes de potências aparentemente mais saudáveis, como a Dinamarca, que também andam se esforçando para aderir à moeda européia.

O milagre grego tem sido promovido por um governo superaustero, que cortou gastos públicos e reduziu seu déficit até o nível exigido pelos países da União Européia – 3% do PIB. A Grécia passou por uma onda de privatizações e de desregulamentação da economia. Há uma infinidade de novos pequenos negócios brotando na península, e as fabriquetas de calçados, roupas e queijos já ocupam 19% dos trabalhadores gregos. Os números são demais, mas vale a pena observá-los. O consumo de energia cresceu mais de 40% na última década. A indústria (têxtil, de alimentação, produtos químicos, material de construção e de equipamentos de transporte) já é responsável por quase 18% do PIB do país – e a metade dos produtos manufaturados é exportada. Calcula-se que até o final do ano 10% da população grega terá alguma poupança investida na bolsa de valores, o que é no mínimo espantoso para quem tem, no imaginário, o grego paupérrimo que come numa tigela, com colher, e senta-se à mesa do bar para apreciar o pôr-do-sol, sem nenhuma preocupação com o valor do dracma.

O fato de Atenas ter sido escolhida como sede dos Jogos Olímpicos de 2004, à parte toda a tradição histórica da Grécia como criadora das Olimpíadas, é em certa medida reflexo do desempenho do país das ilhas em sua maratona econômica. Com dinheiro para investimentos pesados, os gregos constroem no momento duas estradas que cruzam o país de norte a sul e de leste a oeste, com mais de 1.500 quilômetros. Instalam um novo aeroporto em Atenas, modernizam estradas de ferro, expandem o metrô e tubulações para a utilização de gás como fonte de energia. Nada disso deve turvar o ambiente idílico das terras helênicas. Ao contrário. Espera-se que o turismo cresça.