Edição 1 636 - 16/2/2000

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Japão

Vá entender o Japão

Na pátria da contradição, a economia ainda está parada
mas as pessoas se dizem otimistas

O Japão é um dos exemplos mais deslumbrantes de convivência do antigo com o novo no mesmo ambiente. Ainda há quem circule nas ruas vestido de quimono, lado a lado com os que aderiram à fatiota ocidental, de terno e gravata. Em alguns centros de lazer para executivos, gueixas servem chá e entretêm clientes de grandes empresas fabricantes de produtos de tecnologia de ponta. O país é a encarnação do contraditório. Informações divulgadas na semana passada pelo departamento de pesquisa do banco americano J.P. Morgan a respeito do Japão dão a exata impressão de que o país está sofrendo de um ataque de esquizofrenia. As pessoas estão cada vez mais confiantes em relação ao futuro – do ponto de vista do emprego, das condições de vida e da disposição para o consumo –, mas as lojas vendem cada vez menos. O nível de empréstimos bancários está em queda, as falências pessoais e o desemprego são recordes, mas a produção industrial cresceu no último ano. O governo japonês contabilizará, no final deste ano, a maior dívida já assumida por qualquer economia desenvolvida em tempo de paz. Um buraco que foi criado para tentar estimular o crescimento, sem nenhum sucesso.

Vá entender o Japão. Ocorre que, por mais animados que os japoneses se declarem nas pesquisas, esse entusiasmo não se transforma em gesto. Japoneses são precavidos. Sabem que, para acertar o passo, as empresas de seu país ainda terão de fazer muitos ajustes. "Os quinze maiores bancos do Japão pretendem eliminar 20.000 postos de trabalho. Isso faz com que as pessoas economizem, com medo do desemprego. E também leva as empresas a reduzir investimentos", diz Alexandre Ratsuo Uehara, pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo. "É impossível prever o que acontecerá nos próximos meses."