Japão
Vá entender o Japão
Na pátria da contradição,
a economia ainda está parada
mas as pessoas se dizem otimistas
O Japão é um dos exemplos mais deslumbrantes
de convivência do antigo com o novo no mesmo ambiente.
Ainda há quem circule nas ruas vestido de quimono,
lado a lado com os que aderiram à fatiota ocidental,
de terno e gravata. Em alguns centros de lazer para executivos,
gueixas servem chá e entretêm clientes de grandes
empresas fabricantes de produtos de tecnologia de ponta.
O país é a encarnação do contraditório.
Informações divulgadas na semana passada pelo
departamento de pesquisa do banco americano J.P. Morgan
a respeito do Japão dão a exata impressão
de que o país está sofrendo de um ataque de
esquizofrenia. As pessoas estão cada vez mais confiantes
em relação ao futuro do ponto de vista
do emprego, das condições de vida e da disposição
para o consumo , mas as lojas vendem cada vez menos. O
nível de empréstimos bancários está
em queda, as falências pessoais e o desemprego são
recordes, mas a produção industrial cresceu
no último ano. O governo japonês contabilizará,
no final deste ano, a maior dívida já assumida
por qualquer economia desenvolvida em tempo de paz. Um buraco
que foi criado para tentar estimular o crescimento, sem
nenhum sucesso.
Vá entender o Japão. Ocorre que, por mais
animados que os japoneses se declarem nas pesquisas, esse
entusiasmo não se transforma em gesto. Japoneses
são precavidos. Sabem que, para acertar o passo,
as empresas de seu país ainda terão de fazer
muitos ajustes. "Os quinze maiores bancos do Japão
pretendem eliminar 20.000 postos
de trabalho. Isso faz com que as pessoas economizem, com
medo do desemprego. E também leva as empresas a reduzir
investimentos", diz Alexandre Ratsuo Uehara, pesquisador
do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais
da Universidade de São Paulo. "É impossível
prever o que acontecerá nos próximos meses."