O Suspeito(Rendition, Estados Unidos/África
do Sul, 2007. Desde sexta-feira em cartaz no país)
Com base em evidências não mais do que
circunstanciais, um engenheiro químico de origem árabe
(Omar Metwally), criado nos Estados Unidos, é detido
num aeroporto americano sob suspeita de ligação
com o terrorismo. Tudo sugere que se trata do homem errado
mas uma senadora linha-dura (Meryl Streep) decide recorrer
à figura jurídica conhecida como "rendição
extraordinária" e despachá-lo para o Egito,
onde ele poderá ser interrogado por métodos
que, em território americano, seriam inconstitucionais
(leia-se, por meio de tortura). A mulher do engenheiro (Reese
Witherspoon), grávida do segundo filho, procura descobrir
o paradeiro do marido, recorrendo a um ex-namorado que trabalha
no Senado (Peter Sarsgaard); no Cairo, um analista júnior
da CIA (Jake Gyllenhaal) observa com repulsa a tortura ao
seqüestrado; e, enquanto isso, a filha do interrogador-chefe
(o ótimo Yigal Naor) se apaixona por um extremista.
O diretor sul-africano Gavin Hood, cujo Infância
Roubada levou o Oscar de produção estrangeira,
entrelaça todas essas histórias com habilidade,
em ritmo de thriller, até o final. Como ressalva, apenas
a sua inclinação, já observada no filme
anterior, para pintar os personagens em branco ou em preto,
sem meios-tons.
DVD
Divulgação
Mary-Louise Parker, dona-de-casa
e traficante em Weeds: sordidez e bom humor
Weeds A Primeira Temporada
(Estados Unidos, 2005. Sony) Na aparência, Nancy
(Mary-Louise Parker) é uma dona-de-casa como outra
qualquer do lugarejo suburbano onde vive. Mas, desde que seu
marido morreu, ela garante o sustento do lar graças
a uma atividade ilícita: o tráfico de maconha.
Explorar os desvios de conduta sob um prisma amoral é
uma tendência em alta nas séries americanas.
Weeds leva isso ao extremo: ao mesmo tempo em que posa
de mãe exemplar nas reuniões escolares, Nancy
é capaz de se prostituir para saldar dívidas
com seus fornecedores. A sordidez da série, contudo,
é temperada por doses de humor. Chamam atenção
as ótimas interpretações de Mary-Louise
e de Elizabeth Perkins, que faz as vezes de uma vizinha hipócrita.
Marcia Ramalho
Nelson
Rodrigues: entrevistas imaginárias e ironia com
os intelectuais de passeata
A
Cabra Vadia,
de Nelson Rodrigues (Agir; 476 páginas; 54,90 reais)
Celebrado como o dramaturgo que renovou o palco brasileiro
com Vestido de Noiva, Nelson Rodrigues foi também
um grande cronista, ao mesmo tempo conservador e irreverente.
Lançado originalmente em 1970, A Cabra Vadia reúne
crônicas publicadas entre 1967 e 1969, quase sempre
em O Globo. O cronista está na sua melhor forma,
debochando dos intelectuais de passeata e realizando "entrevistas
imaginárias" que teriam lugar em um terreno
baldio, onde pasta a tal cabra vadia com personalidades
como o arcebispo de esquerda dom Helder Câmara. O livro
já havia sido relançado nos anos 90, mas com
uma seleção diferente da original. A nova reedição
retoma os critérios do autor e até recupera
seu curioso vezo de numerar os parágrafos.
DISCOS
Michael
Loccisano/Getty Images
James Taylor: turnê
amparada no violão e nas músicas de sucesso
One
Man Band,James
Taylor (Universal) No ano passado, o cantor excursionou
por diversas cidades americanas munido apenas de sua guitarra,
uma bateria eletrônica e um tecladista além,
é claro, de seu extenso repertório de sucessos.
A boa repercussão da turnê resultou neste CD
e DVD, que traz os melhores momentos de três shows.
Taylor ganhou a fama injusta de "piegas", por causa
de baladas como Youve Got a Friend. Mas ele é
um dos principais compositores da música pop americana,
capaz de criar canções calcadas nos mais diferentes
estilos musicais como soul music, blues e folk. As
interpretações de Steamroller Blues e
Sweet Baby James são mais do que suficientes
para converter os incrédulos.
Introducing...,Robin
McKelle (Albatroz) Depois que a canadense Diana Krall
vendeu milhões de cópias com um repertório
baseado em clássicos do cancioneiro americano, centenas
de outras intérpretes adotaram o mesmo estratagema
com resultados que variam do bom ao absolutamente medíocre.
A americana Robin McKelle pertence à primeira categoria,
a começar por suas credenciais: ela é professora
da prestigiada Berklee School of Music, de Boston, e em 2004
ficou em terceiro lugar no concurso de jazz Thelonious Monk,
que revelou alguns dos principais talentos do gênero.
Introducing..., disco de estréia de Robin, se
destaca entre os trabalhos das novas cantoras pela qualidade
do repertório, composto basicamente de canções
das décadas de 40 e 50. Um dos muitos destaques do
disco é a versão dela para Somethings
Gotta Give, de Johnny Mercer.
OS
MAIS VENDIDOS
A primeira lista
dos mais vendidos de 2008 traz duas novas livrarias
entre as fontes consultadas por VEJA. Fundada em 1960,
em Santos, mas desde 1985 estabelecida em São
Paulo, a Martins Fontes tem duas lojas na capital paulista
uma delas recentemente ampliada e remodelada
e vende cerca de 25 000 exemplares por mês.
A Paraler é uma das maiores livrarias do interior
de São Paulo. Começou suas atividades
em 1975, em Ribeirão Preto, onde tem hoje quatro
lojas, que comercializam entre 30 000 e 35 000 livros
mensalmente. A lista de VEJA incrementa, assim, sua
abrangência e representatividade.