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Edição 2043

16 de janeiro de 2008
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CINEMA

O Suspeito (Rendition, Estados Unidos/África do Sul, 2007. Desde sexta-feira em cartaz no país) – Com base em evidências não mais do que circunstanciais, um engenheiro químico de origem árabe (Omar Metwally), criado nos Estados Unidos, é detido num aeroporto americano sob suspeita de ligação com o terrorismo. Tudo sugere que se trata do homem errado – mas uma senadora linha-dura (Meryl Streep) decide recorrer à figura jurídica conhecida como "rendição extraordinária" e despachá-lo para o Egito, onde ele poderá ser interrogado por métodos que, em território americano, seriam inconstitucionais (leia-se, por meio de tortura). A mulher do engenheiro (Reese Witherspoon), grávida do segundo filho, procura descobrir o paradeiro do marido, recorrendo a um ex-namorado que trabalha no Senado (Peter Sarsgaard); no Cairo, um analista júnior da CIA (Jake Gyllenhaal) observa com repulsa a tortura ao seqüestrado; e, enquanto isso, a filha do interrogador-chefe (o ótimo Yigal Naor) se apaixona por um extremista. O diretor sul-africano Gavin Hood, cujo Infância Roubada levou o Oscar de produção estrangeira, entrelaça todas essas histórias com habilidade, em ritmo de thriller, até o final. Como ressalva, apenas a sua inclinação, já observada no filme anterior, para pintar os personagens em branco ou em preto, sem meios-tons.

 

DVD

Divulgação
Mary-Louise Parker, dona-de-casa e traficante em Weeds: sordidez e bom humor


Weeds – A Primeira Temporada
(Estados Unidos, 2005. Sony) – Na aparência, Nancy (Mary-Louise Parker) é uma dona-de-casa como outra qualquer do lugarejo suburbano onde vive. Mas, desde que seu marido morreu, ela garante o sustento do lar graças a uma atividade ilícita: o tráfico de maconha. Explorar os desvios de conduta sob um prisma amoral é uma tendência em alta nas séries americanas. Weeds leva isso ao extremo: ao mesmo tempo em que posa de mãe exemplar nas reuniões escolares, Nancy é capaz de se prostituir para saldar dívidas com seus fornecedores. A sordidez da série, contudo, é temperada por doses de humor. Chamam atenção as ótimas interpretações de Mary-Louise e de Elizabeth Perkins, que faz as vezes de uma vizinha hipócrita.

 

Marcia Ramalho
Nelson Rodrigues: entrevistas imaginárias e ironia com os intelectuais de passeata

A Cabra Vadia, de Nelson Rodrigues (Agir; 476 páginas; 54,90 reais) – Celebrado como o dramaturgo que renovou o palco brasileiro com Vestido de Noiva, Nelson Rodrigues foi também um grande cronista, ao mesmo tempo conservador e irreverente. Lançado originalmente em 1970, A Cabra Vadia reúne crônicas publicadas entre 1967 e 1969, quase sempre em O Globo. O cronista está na sua melhor forma, debochando dos intelectuais de passeata e realizando "entrevistas imaginárias" – que teriam lugar em um terreno baldio, onde pasta a tal cabra vadia – com personalidades como o arcebispo de esquerda dom Helder Câmara. O livro já havia sido relançado nos anos 90, mas com uma seleção diferente da original. A nova reedição retoma os critérios do autor – e até recupera seu curioso vezo de numerar os parágrafos.

 

DISCOS

Michael Loccisano/Getty Images
James Taylor: turnê amparada no violão e nas músicas de sucesso

One Man Band, James Taylor (Universal) – No ano passado, o cantor excursionou por diversas cidades americanas munido apenas de sua guitarra, uma bateria eletrônica e um tecladista – além, é claro, de seu extenso repertório de sucessos. A boa repercussão da turnê resultou neste CD e DVD, que traz os melhores momentos de três shows. Taylor ganhou a fama injusta de "piegas", por causa de baladas como You’ve Got a Friend. Mas ele é um dos principais compositores da música pop americana, capaz de criar canções calcadas nos mais diferentes estilos musicais – como soul music, blues e folk. As interpretações de Steamroller Blues e Sweet Baby James são mais do que suficientes para converter os incrédulos.

Introducing..., Robin McKelle (Albatroz) – Depois que a canadense Diana Krall vendeu milhões de cópias com um repertório baseado em clássicos do cancioneiro americano, centenas de outras intérpretes adotaram o mesmo estratagema – com resultados que variam do bom ao absolutamente medíocre. A americana Robin McKelle pertence à primeira categoria, a começar por suas credenciais: ela é professora da prestigiada Berklee School of Music, de Boston, e em 2004 ficou em terceiro lugar no concurso de jazz Thelonious Monk, que revelou alguns dos principais talentos do gênero. Introducing..., disco de estréia de Robin, se destaca entre os trabalhos das novas cantoras pela qualidade do repertório, composto basicamente de canções das décadas de 40 e 50. Um dos muitos destaques do disco é a versão dela para Something’s Gotta Give, de Johnny Mercer.

 

OS MAIS VENDIDOS

A primeira lista dos mais vendidos de 2008 traz duas novas livrarias entre as fontes consultadas por VEJA. Fundada em 1960, em Santos, mas desde 1985 estabelecida em São Paulo, a Martins Fontes tem duas lojas na capital paulista – uma delas recentemente ampliada e remodelada – e vende cerca de 25 000 exemplares por mês. A Paraler é uma das maiores livrarias do interior de São Paulo. Começou suas atividades em 1975, em Ribeirão Preto, onde tem hoje quatro lojas, que comercializam entre 30 000 e 35 000 livros mensalmente. A lista de VEJA incrementa, assim, sua abrangência e representatividade.

 

Fontes: Belém: Laselva; Belo Horizonte: Laselva, Leitura; Brasília: Cultura, Laselva, Leitura, Saraiva; Campinas: Laselva, Fnac; Campo Grande: Leitura; Curitiba: Laselva, Livrarias Curitiba, Saraiva; Florianópolis: Laselva, Livrarias Catarinense; Fortaleza: Laselva; Foz do Iguaçu: Laselva; Goiânia: Leitura, Saraiva; Londrina: Livrarias Porto; Maceió: Laselva; Manaus: Laselva; Natal: Laselva; Navegantes: Laselva; Porto Alegre: Cultura, Livrarias Porto, Saraiva; Porto Seguro: Laselva; Recife: Cultura, Laselva, Saraiva; Rio de Janeiro: Argumento, Laselva, Saraiva, Travessa; Salvador: Saraiva; São Paulo: Cultura, Laselva, Livraria da Vila, Saraiva, Martins Fontes; Ribeirão Preto: Paraler; Teresina: Laselva; Vitória: Laselva, Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Saraiva, Submarino.

 



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