As TVs retornam
à vanguarda da inovação, com telas imensas (ou finíssimas)
e o conteúdo da web
Carlos
Rydlewski
A
proporção é real Na
montagem, o bebê (à esq.) mal alcança o pedestal da
tela de 150 polegadas, a maior do mundo, apresentada na última semana em
Las Vegas
Para
um aparelho cuja obsolescência foi decretada há tempos, o televisor
está mostrando uma incrível vitalidade. Sob a ótica da inovação,
ele hibernou mesmo por décadas. Mas várias amostras do atual arrojo
dos fabricantes foram oferecidas na semana passada, em Las Vegas. A empresa japonesa
Panasonic apresentou na maior feira de produtos eletrônicos do planeta,
a Consumer Electronics Show (CES), um protótipo gigante de plasma. Ele
tem 150 polegadas. É o maior do mundo. Superou com folga um modelo com
103 polegadas, também de plasma, que a mesma companhia lançara dois
anos atrás. Pesa 220 quilos e as imagens na tela são formadas por
quase 9 milhões de pequenos pontos, os pixels. A resolução
do equipamento, que deve ser vendido para uso em shows a partir de 2009, supera
em quatro vezes a dos televisores existentes nas lojas. O preço ainda não
foi definido.
Para obter
imagens mais nítidas, a Toshiba embutiu o mesmo chip do PlayStation 3 em
um televisor. Já a parceria entre as empresas LG e Philips mostrou que
as telas do futuro serão bem mais finas que as atuais. Em Las Vegas, as
companhias apresentaram o protótipo de um "papel eletrônico",
com 14,3 polegadas e tecnologia Thin Film Transistor (TFT). A telinha é
tão fina quanto uma folha de papel, flexível, à prova dágua
e reproduz milhões de cores. As duas empresas também exibiram um
televisor de 52 polegadas com tela sensível ao toque (touch screen). É
um iPhone que tomou fermento. Tem sensores que reconhecem dois pontos de toques
simultâneos na superfície do aparelho. Para demonstrarem as potencialidades
do seu televisor, a LG e a Philips usaram o protótipo para acessar o Google
Earth. Clara evidência de que a salvação tecnológica
do televisor está na sua associação com os computadores e
na possibilidade de acessar conteúdos diretamente da internet.
Tão
fina quanto o papel Anunciada em 2007,
a tela flexível foi mostrada na semana passada. Da espessura do papel,
ela reproduz 16,7 milhões de tons de cores
A
indústria já investe nessa associação com a rede mundial
de computadores. A Panasonic anunciou na semana passada que vai criar uma linha
de televisores com fácil conexão com o YouTube e o site de armazenamento
de fotos Picasa, ambos do Google. A Sharp e a Samsung seguem o mesmo roteiro.
Vão ligar seus aparelhos a serviços de meteorologia, cotações
de ações e esportes, baixados diretamente da web, sem a intermediação
de computadores. Todas essas novidades não chegarão às lojas
tão cedo. Mas não devem ser vistas como mera exibição
de músculos dos fabricantes. Elas retratam uma corrida tecnológica
de rumo já previsto, mas cujo ritmo de evolução surpreende.
A razão disso está principalmente na prontidão dos consumidores
para pagar por novidades atraentes, aquelas de que o comprador nem sabia que tinha
necessidade.
O exemplo
clássico disso é a TV digital de alta definição, HDTV.
As pessoas reclamam do conteúdo da televisão, mas, desde o advento
da cor, a qualidade da imagem não deixa a desejar. Nem por isso a marcha
da HDTV rumo às salas das casas diminuiu seu passo. As transmissões
analógicas de TV serão interrompidas em fevereiro de 2009 nos Estados
Unidos. No Brasil, a eliminação definitiva do sinal analógico
ocorrerá em 2016. A "obsolescência programada" do televisor
analógico está reavivando a indústria de aparelhos de televisão
e quem vai ditar o ritmo da substituição dos televisores é
o público e, pelo que se pode prever, ele será frenético.
Diz Brad Anderson, presidente da Best Buy, rede varejista americana de eletrônicos:
"O risco é não conseguirmos atender à demanda por novidades".