Fábrica
indiana lança o Nano, o automóvel mais barato da história
e está de olho na Jaguar
Julia
Duailibi
Saurabh
Das \//AP
Nano,
lançado pelo empresário Ratan Tata, que promete popularizar os automóveis
no país
Uma cena típica
da Índia: sem dinheiro suficiente para comprar um carro, as famílias
circulam sobre duas rodas. Apesar de o país ter 1 bilhão de habitantes,
são vendidos ali anualmente apenas 1 milhão de veículos (no
Brasil, cuja população é um quinto da indiana, foram 2,5
milhões de unidades comercializadas em 2007). Essa característica
do mercado indiano estimulou as montadoras instaladas no país a se lançar
numa corrida para desenvolver modelos de carros superpopulares, muito mais simples
(e mais baratos) do que os modelos de 1.000 cilindradas vendidos no Brasil. Nessa
disputa, a Tata Motors, braço automobilístico do maior grupo industrial
do país, saiu na frente ao apresentar, na semana passada, o automóvel
mais barato produzido até hoje o Nano. O carrinho de quatro portas
e meio metro mais curto do que um Ford Ka sairá da fábrica por 100.000
rúpias, o equivalente a 2.500 dólares, ou 4.400 reais. Incluindo
as taxas e o frete, chegará aos consumidores por 3.000 dólares,
metade do preço do seu concorrente direto na Índia. O veículo
começará a ser vendido no segundo semestre. Se bem-sucedido, entrará
para a história como o modelo que vai popularizar o automóvel não
apenas na Índia, mas também em outros países pobres e em
desenvolvimento. O Nano entraria para a galeria em que hoje figuram outros modelos
revolucionários, como o Ford T e o Fusca, da Volkswagen.
O
Nano tem espaço para até cinco pessoas, bem apertadas, um minúsculo
porta-malas e um motor de 623 cilindradas. Sua potência não vai além
dos 33 cavalos, metade da do Uno Mille. A velocidade máxima do carrinho
não passa de 105 quilômetros por hora. A Tata conseguiu chegar ao
custo baixíssimo porque diminuiu ao máximo o número de peças
e acessórios. Os itens de série são básicos. Seu projeto,
no entanto, exigiu criatividade e talento dos engenheiros. O desenvolvimento rendeu
34 novas patentes à empresa. "É um carro que inaugura uma nova
categoria, a de veículos de baixíssimo custo", afirma o especialista
no setor automobilístico Marcelo Cioffi, sócio da PricewaterhouseCoopers.
O Nano vai se viabilizar economicamente se conquistar milhões de clientes.
Tarefa que não será tão simples num país que tem uma
renda per capita muito baixa em torno de 800 dólares, um quinto
da brasileira. A meta da Tata é vender 1 milhão de unidades por
ano na Índia. Plano ambicioso: a cada 1.000 indianos, apenas oito têm
um automóvel. Essa proporção é de 105 para 1.000 no
Brasil. A fábrica pretende também exportar o Nano para outros países
emergentes. No Brasil, no entanto, ele dificilmente seria tão barato, principalmente
por causa dos impostos. "O mundo busca hoje um produto de baixo custo. Mas
a questão é se adequar a cada mercado. O Brasil tem muitas exigências
ambientais e de segurança", diz Carlos Eugênio Dutra, diretor
de produto e exportação da Fiat.
Com o Nano, o bilionário Ratan Tata, presidente do Tata Group, concretiza
seu desejo de se transformar no Henry Ford da Índia. Aos 70 anos, Tata
afirmou que pretende "fazer uma contribuição ao tornar a vida
mais segura" para os indianos, que vivem se apinhando em motocas decrépitas.
Outra ambição do bilionário indiano é comprar duas
marcas nada populares, as luxuosas Jaguar e Land Rover. Essas montadoras britânicas
foram colocadas à venda pela Ford, dona atual das marcas. A Tata, que ofereceu
2 bilhões de dólares, é a principal candidata à aquisição,
que está prestes a ser fechada. Os carros usados pela coroa britânica,
então, seriam produzidos pela mesma empresa que levou aos indianos o carro
mais popular do planeta.
CADA VEZ MAIS POPULARES
O
Nano, apresentado pela indiana Tata Motors na semana passada, é mais em
conta do que outros modelos que ajudaram a popularizar os automóveis no
passado
Ford
T Lançamento*: 1908 Potência: 20 cavalos Preço**:
19 700 dólares