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Edição 2043

16 de janeiro de 2008
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Internacional
"Eu me esforço em ouvir"

O senador Barack Obama – notou um resenhista
americano – é um raro político que realmente escreve
os próprios livros. Publicado dois anos atrás, A Audácia
da Esperança – Reflexões sobre a Reconquista do Sonho
Americano
é uma espécie de documento político, no qual
Obama fala de sua trajetória pessoal e resume sua
maneira de pensar. A seguir, trechos da obra

Fotos Polaris
Obama aos 2 anos com a mãe (à esq.). No centro, o pai, e Obama com a avó, no Quênia, na adolescência: em busca das raízes

 

Auto-avaliação

• "Diante de duas ou de cinqüenta pessoas, seja a atitude delas comigo amável, indiferente ou hostil, sempre me esforço o máximo para manter a boca fechada e ouvir o que elas têm a dizer."

• "Eu rejeito a política baseada apenas na identidade racial, na identidade homem-mulher ou na orientação sexual. Eu rejeito a política baseada na vitimização."

 

Futuro dos Estados Unidos

• "Religioso ou leigo, negro, branco ou marrom, todos temos em comum a sensação de que os mais importantes desafios dos Estados Unidos estão sendo negligenciados. Se não mudarmos de rumo rapidamente, poderemos nos tornar a primeira geração de americanos a legar aos filhos uma nação mais fraca e mais alquebrada do que a que recebeu dos pais."

• "Eu sonho com uma América com mais engenheiros e menos advogados."

• "Quando meus colegas democratas me abordam para reclamar que vivemos em um dos piores períodos políticos de nossa história, que as mãos do fascismo estão se fechando sobre nossa garganta, eu peço-lhes calma. Lembro que já vivemos situações piores no passado. Colocamos inimigos em massa em campos de concentração nos tempos de Franklin Delano Roosevelt (presidente entre 1933 e 1945). O governo de John Adams (1797-1801) tinha leis de exceção e dezenas de administrações simplesmente ignoraram os constantes linchamentos de negros."

 

Valores e ideais

• "Nossos valores e nossa vida espiritual importam pelo menos tanto quanto o PIB."

• "Quando se examina seu conteúdo, a verdade é que as mensagens da esquerda e da direita são as mesmas, apenas com o sinal trocado."

• "Ronald Reagan (presidente dos Estados Unidos entre 1981 e 1989) pode ter exagerado em suas críticas ao sistema de assistência social universal (welfare state), mas (...) uniu o país dando-lhe um senso de ideal comum que os liberais já não podiam dar."

• "As verdadeiras grandes questões não são abstratas, mas nem por isso deixam de ser complexas. A guerra pode ser um inferno e, ao mesmo tempo, a coisa certa a ser feita."

• "Os conservadores (são contraditórios)... eles se arrepiam quando o governo interfere nos mercados ou no direito de eles possuírem armas, mas não se importam quando o mesmo governo grampeia telefones ou tenta controlar as práticas sexuais das pessoas."

 

Economia e protecionismo

• "Os Estados Unidos não podem competir globalmente erguendo barreiras comerciais e aumentando o valor do salário mínimo dos americanos – a menos que consigamos confiscar todos os computadores do mundo."

• "Nosso zelo em proteger as patentes de remédios feitos por companhias americanas foi tanto que acabamos por tentar impedir que países como o Brasil desenvolvessem e produzissem os próprios remédios genéricos contra a aids."

• "A se espalhar pelo mundo o conceito de livre mercado, aumenta cada vez mais a pizza da prosperidade, mas não existe nenhuma lei determinando que o trabalhador americano vai pegar um pedaço cada vez maior."




 

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