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Terra
do metal
Há um mercado cativo para o rock
pauleira no Brasil, que continua a
exportar bandas desse gênero
Sérgio
Martins
Antonio Milena
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Angra:
os rapazes são limpinhos, têm melenas sedosas e defendem
o heavy metal "melódico"
|
O
Brasil tem uma estranha história de amor com o heavy metal. Nas
últimas duas décadas, esse gênero barulhento não
apenas manteve um público fiel por aqui, mas ainda conseguiu crescer
e ganhar importância comercial. Mesmo sem ostentar vendagens milionárias,
já que a tiragem média dos discos fica em torno das 30.000
cópias, o país pode hoje se gabar (se é que a palavra
se aplica) de ser um dos quatro maiores mercados de rock pesado do mundo,
ao lado de Estados Unidos, Japão e Europa. Muitos grupos veteranos
vêem na terra do samba um verdadeiro paraíso. O inglês
Iron Maiden, por exemplo, encontrou o maior público de sua carreira
no Rock in Rio, em 2001: cerca de 200.000 pessoas. Para as casas de espetáculo
normais, contratar atrações estrangeiras de heavy metal
também costuma ser um bom negócio. Os cachês não
são astronômicos e os músicos raramente entopem os
empresários de exigências, ao contrário das estrelas
do pop. A paulistana Via Funchal tem provas de que o investimento compensa.
Em três anos de atividade, sete entre seus dez eventos de maior
lotação foram de ícones da rapaziada de camiseta
preta. "E eles são mais comportados que o pessoal do axé",
elogia a diretora artística da casa, Silvia Federighi. Os metaleiros
são mesmo uma gracinha.
Bem adubado há tanto tempo com rock pauleira, era de esperar que
o solo brasileiro acabasse dando à luz suas próprias bandas
de sucesso, com potencial para ganhar o mundo. O exemplo mais famoso,
claro, é o do Sepultura, que fincou sua bandeira no exterior ainda
no fim da década de 80. Demitido pela gravadora Roadrunner no ano
passado, o grupo está decadente. Mas já existem duas bandas
no páreo para herdar seu cetro. Surgidas no início dos anos
90 em São Paulo, Angra e Krisiun reúnem uma legião
de fãs e têm angariado elogios da crítica especializada.
Os três músicos do Krisiun são adeptos do death metal,
modalidade de rock pesado tocada em ritmo aceleradíssimo e com
vocais que lembram uma explosão vulcânica. As letras abordam
temas como satanismo e massacres. "Nós estamos interessados na
podridão da raça humana", diz o baterista Max Kolesne. Sim,
há quem goste. Como Greg Heller, crítico da revista americana
Rolling Stone, que elegeu Ageless Venomous, último
CD do Krisiun, um dos melhores lançamentos de 2001. Os cinco rapazes
do Angra, por sua vez, já venderam 1 milhão de discos no
mundo inteiro, com seus quatro álbuns. Eles são um fenômeno
no Japão, daqueles capazes de causar histeria entre adolescentes.
Ao contrário dos colegas do Krisiun, eles são limpinhos
e têm melenas bem-cuidadas. Em vez do death metal, eles defendem
o chamado metal melódico. Esse subgênero privilegia os vocais
em falsete e os longos solos de guitarra. As letras freqüentemente
abordam temas da mitologia ou da história antiga. E seus adeptos
têm a pretensão de inspirar-se em composições
de música erudita. O metal melódico cujo grande "clássico"
é o grupo alemão Helloween é o tipo de heavy
metal mais apreciado e consumido no Brasil. Como dizíamos, os metaleiros
são mesmo uma gracinha.
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