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Edição 1 734 - 16 de janeiro de 2002
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O resto é resto

A última obra de Dickens,
com um acréscimo absurdo

Carlos Graieb

O inglês Charles Dickens escreveu suas últimas palavras em 8 de junho de 1870. No fim desse dia teve um colapso e, na manhã seguinte, estava morto. Ele era o escritor mais popular de seu tempo e deixava um romance inacabado. O Mistério de Edwin Drood vinha saindo em folhetim. Como sugere seu título, propunha um enigma. Teria o jovem Drood sido morto? Por quem? Sobre as muitas dúvidas e angústias dos fãs, não demorou a erguer-se um mercado: o de versões para a conclusão da história. A mais absurda foi lançada em 1873, nos Estados Unidos. Teria sido ditada pelo espírito de Dickens ao mecânico Thomas James. Pois não é uma pena que, em sua primeira edição no Brasil, O Mistério de Edwin Drood (tradução de Hermínio Miranda; Lachâtre; 538 páginas; 25 reais) venha justamente nessa versão espírita? A editora acredita estar prestando um favor aos leitores. Em vez disso, ao levantar uma inútil discussão sobre a "autenticidade do texto psicografado", apenas desvia a atenção do que interessa – as páginas que o autor realmente escreveu e que estão entre as melhores de sua maturidade. Anote: Dickens foi até o capítulo 20 do livro. O resto é resto.

   
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