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O
resto é resto
A última obra de Dickens,
com
um acréscimo absurdo
Carlos
Graieb
O
inglês Charles Dickens escreveu suas últimas palavras em
8 de junho de 1870. No fim desse dia teve um colapso e, na manhã
seguinte, estava morto. Ele era o escritor mais popular de seu tempo e
deixava um romance inacabado. O Mistério de Edwin Drood vinha
saindo em folhetim. Como sugere seu título, propunha um enigma.
Teria o jovem Drood sido morto? Por quem? Sobre as muitas dúvidas
e angústias dos fãs, não demorou a erguer-se um mercado:
o de versões para a conclusão da história. A mais
absurda foi lançada em 1873, nos Estados Unidos. Teria sido ditada
pelo espírito de Dickens ao mecânico Thomas James. Pois não
é uma pena que, em sua primeira edição no Brasil,
O Mistério de Edwin Drood (tradução
de Hermínio Miranda; Lachâtre; 538 páginas; 25 reais)
venha justamente nessa versão espírita? A editora acredita
estar prestando um favor aos leitores. Em vez disso, ao levantar uma inútil
discussão sobre a "autenticidade do texto psicografado", apenas
desvia a atenção do que interessa as páginas
que o autor realmente escreveu e que estão entre as melhores de
sua maturidade. Anote: Dickens foi até o capítulo 20 do
livro. O resto é resto.
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