
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
Entre
o bebê e a carreira
Pesquisa revela que mulheres
se
sentem pressionadas a reduzir
a licença-maternidade
Maurício
Oliveira
Claudia Jaguaribe
 |
|
A
gravidez e o trabalho:
entre a letra da lei e a realidade
|
A
presença da mulher na linha de frente das corporações
tornou a opção pela maternidade uma escolha cada vez mais
difícil, sobretudo para aquelas que disputam posição
de comando. Enquete feita pela consultoria KPMG com quarenta altas executivas,
das quais 25 têm filhos, revela que as mulheres estão se
sentindo pressionadas a reduzir o tempo de licença-maternidade,
estipulado por lei em quatro meses. Muitas passaram a antecipar espontaneamente
a volta. Como o exemplo vem de cima, a tendência aos poucos vai
se espalhando também pelos cargos médios das empresas. "Estão
se tornando freqüentes os casos de funcionárias que se dispõem
a retomar o trabalho antes da hora, mesmo que isso ocorra de forma extra-oficial
para não afrontar a legislação", descreve Cristina
Almeida, diretora da KPMG. Trata-se de um acordo com supostas vantagens
para ambas as partes. A pesquisa demonstra, no entanto, que na maioria
das vezes a mulher se submete à estratégia por receio de
perder espaço na empresa ou de ficar desatualizada (veja o fichário
abaixo).
Executivas compõem um bom exemplo porque vivem no meio do fogo
cruzado: ao mesmo tempo que são ou pretendem ser mães, estão
habituadas a fazer contratações para as empresas. Diante
da obrigação de conciliar interesses, 65% afirmaram que
o período de afastamento por licença-maternidade deveria
ser reduzido para três ou até dois meses. Opiniões
como essas estão na contramão das conquistas trabalhistas.
O período de licença-maternidade foi ampliado de três
para quatro meses em 1988, o que colocou o Brasil no grupo dos países
que oferecem as melhores condições para a profissional gestante.
Ironicamente, muita gente acha que tanta proteção mais atrapalha
que ajuda, uma vez que as mulheres seriam freqüentemente prejudicadas
na carreira pelo simples fato de estar em idade fértil. Na maioria
dos países, o período de afastamento é menor e o
salário é pago apenas parcialmente enquanto a funcionária
não volta ao trabalho. Nos Estados Unidos, a profissional tem direito
a uma licença de doze semanas, mas não recebe um tostão
enquanto não retorna ao batente.
Uma alternativa que parece conciliar os interesses da profissional com
os da empresa é antecipar a volta ao trabalho com um esquema especial
de horários. Em troca, a mulher desfruta essas condições
por um tempo superior a quatro meses. É o que está fazendo
a presidente no Brasil da consultoria de recursos humanos Hewitt Associates,
Andrea Huggard-Caine. Menos de um mês depois do parto de seu terceiro
filho, Andrea já ia ao escritório uma vez por semana. O
bebê está com 6 meses e a executiva consegue ficar em casa
duas vezes por semana. Nos outros dias, ainda amamentando, leva o filho
e a babá para o escritório, onde providenciou acomodações
e brinquedos. "Pretendo continuar com esse esquema por mais dois meses",
diz Andrea. "Foi sem dúvida a melhor solução para
mim, para o bebê e para a empresa", assegura. Nem todas as profissionais
podem fazer o mesmo. Para essas, resta a esperança de que a licença-maternidade
de quatro meses não se transforme em uma daquelas leis revogadas
pela vida real.
|
|
 |