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Edição 1 734 - 16 de janeiro de 2002
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A aventura da vida privada


Capas de VEJA dedicadas a temas comportamentais


A presente edição de VEJA traz duas interessantes reportagens comportamentais. Ambas de autoria da editora Daniela Pinheiro. Uma delas descreve mudanças sutis mas desconcertantes numa questão explosiva da vida a dois, a infidelidade. A reportagem se baseia num levantamento sobre a vida conjugal feito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. O trabalho é complementado por depoimentos de homens e mulheres que relatam suas experiências com inesperada sinceridade. A outra registra como foi recebida com naturalidade a decisão de um juiz que deu provisoriamente a guarda do filho da cantora Cássia Eller a sua companheira. Num passado não muito distante, esse processo teria produzido censuras de toda ordem. Questões comportamentais sempre foram assunto de VEJA, como mostram as reportagens sobre a timidez ("A rebelião dos tímidos", 26 de maio de 1999), .html">decisão de um juiz que deu provisoriamente a guarda do filho da cantora Cássia Eller a sua companheira. Num passado não muito distante, esse processo teria produzido censuras de toda ordem. Questões comportamentais sempre foram assunto de VEJA, como mostram as reportagens sobre a timidez ("A rebelião dos tímidos", 26 de maio de 1999), o divórcio ("Os meus, os seus, os nossos", 17 de março de 1999), o aborto ("Nós fizemos aborto", 17 de setembro de 1997), o ciúme ("O monstro interior", 13 de novembro de 1996). Elas receberam da redação o mesmo cuidado dedicado às histórias de cunho investigativo.

O historiador francês Fernand Braudel (1902-1985) construiu a reputação de um dos maiores nomes de sua especialidade acadêmica justamente estudando o cotidiano das pessoas em diversos períodos do passado. Coube a ele, em sua obra magistral, mostrar que algumas mudanças de comportamento, observadas na privacidade dos lares, tiveram efeitos até mais marcantes sobre os rumos das sociedades do que certas reviravoltas políticas ou decisões administrativas. VEJA conquistou seu lugar na vida brasileira como os olhos e os ouvidos da sociedade. Isso implica a vigilância sobre os poderosos, que se tornou a grande marca da revista, estabelecida em reportagens que ajudaram a abreviar a carreira de políticos desonestos e a sanear órgãos públicos. Mas, igualmente, os profissionais de VEJA perseguem com afinco as mudanças no cotidiano que certamente encantariam Braudel.

 
 
   
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