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A aventura da vida
privada
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| Capas
de VEJA dedicadas a temas comportamentais |
A presente edição de VEJA traz duas interessantes reportagens
comportamentais. Ambas de autoria da editora Daniela Pinheiro. Uma delas
descreve mudanças sutis mas desconcertantes numa questão explosiva
da vida a dois, a infidelidade.
A reportagem se baseia num levantamento sobre a vida conjugal feito pela
Universidade Federal do Rio de Janeiro. O trabalho é complementado
por depoimentos de homens e mulheres que relatam suas experiências
com inesperada sinceridade. A outra registra como foi recebida com naturalidade
a decisão de um juiz que
deu provisoriamente a guarda do filho da cantora Cássia Eller a sua
companheira. Num passado não muito distante, esse processo
teria produzido censuras de toda ordem. Questões comportamentais
sempre foram assunto de VEJA, como mostram as reportagens sobre a timidez
("A
rebelião dos tímidos", 26 de maio de 1999),
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deu provisoriamente a guarda do filho da cantora Cássia Eller a sua
companheira. Num passado não muito distante, esse processo
teria produzido censuras de toda ordem. Questões comportamentais
sempre foram assunto de VEJA, como mostram as reportagens sobre a timidez
("A
rebelião dos tímidos", 26 de maio de 1999),
o divórcio ("Os
meus, os seus, os nossos", 17 de março de 1999),
o aborto ("Nós
fizemos aborto", 17 de setembro de 1997), o ciúme
("O monstro interior", 13 de novembro de 1996). Elas receberam da redação
o mesmo cuidado dedicado às histórias de cunho investigativo.
O historiador
francês Fernand Braudel (1902-1985) construiu a reputação
de um dos maiores nomes de sua especialidade acadêmica justamente
estudando o cotidiano das pessoas em diversos períodos do passado.
Coube a ele, em sua obra magistral, mostrar que algumas mudanças
de comportamento, observadas na privacidade dos lares, tiveram efeitos
até mais marcantes sobre os rumos das sociedades do que certas
reviravoltas políticas ou decisões administrativas. VEJA
conquistou seu lugar na vida brasileira como os olhos e os ouvidos da
sociedade. Isso implica a vigilância sobre os poderosos, que se
tornou a grande marca da revista, estabelecida em reportagens que ajudaram
a abreviar a carreira de políticos desonestos e a sanear órgãos
públicos. Mas, igualmente, os profissionais de VEJA perseguem com
afinco as mudanças no cotidiano que certamente encantariam Braudel.
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