Edição 1 628 - 15/12/1999

VEJA esta semana

Brasil
Internacional
Geral
França vai distribuir a pílula do dia seguinte na escola
Com o computador, aumentou o gasto de papel
Lipoaspiração mais segura atrai até quem não precisa
Escritórios se especializam em recorrer das multas
O herói dos golfinhos
O ultra-som em três dimensões
Estreito que vai desaparecer vira atração turística
O dicionário dos sobrenomes brasileiros
O Papai Noel a preços populares dos brasileiros
Computadores para vestir, como luvas ou óculos
Os novos conversíveis estão chegando ao país

Touro com 100.000 filhos ainda é virgem
Ervas e temperos em vasos decoram a sala
Os DJs tomam conta das festas
Enfermeiro provocou o incêndio que matou Safra
O cristianismo do novo milênio
Roberto Carlos vive o drama de sua mulher

Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Colunas
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Contexto
Holofote 
Veja essa
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Contexto
Holofote 
Veja essa
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações

Veja recomenda

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


Tragédia e fé

Roberto Carlos cancela compromissos
e mergulha nas orações por sua mulher

 

Evelson de Freitas/Folha Imagem
Roberto reza diante de Nossa
Senhora: "Eu confio na
misericórdia divina"

O cantor Roberto Carlos passou nas últimas três semanas por alguns dos momentos mais terríveis de sua vida. Acompanhando a mulher, Maria Rita Simões Braga, 38 anos, vítima de um câncer generalizado, ele se mudou para um quarto do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. No quarto em frente, passou os dias e as noites em vigília junto a Maria Rita. Às vezes, chorava copiosamente. Aos poucos amigos e parentes com acesso ao local pedia que, como ele, rezassem muito pela recuperação da mulher. No final da semana passada, o estado de Maria Rita se agravou. O câncer, que tivera origem na região pélvica, havia se alastrado por todo o corpo e já atingira o cérebro. Seu sistema neurológico ficou comprometido e ela começou a ter convulsões, tremores e espasmos de agitação. Nos raros momentos em que esboçava alguma lucidez reconhecia Roberto e os médicos, mas dizia coisas desconexas.

Diante dessa situação, o oncologista Sérgio Daniel Simon comunicou ao cantor que o quadro de sua mulher era irreversível. Ela não teria mais que alguns dias de vida. Roberto Carlos se negou a aceitar as evidências. Repetia sem parar que Deus e suas orações iriam salvá-la. No final da quinta-feira passada, declarou à imprensa: "Eu tenho muita fé em Deus, na misericórdia divina e rezo muito pedindo a cura de Maria Rita. Tenho certeza de que Deus está nos escutando e nos atendendo. Amém". "Tornou-se impossível conversar com o Roberto. Ele acha que a mulher vai se curar, diz isso aos filhos e não há quem consiga chamá-lo à realidade", contou Simon a VEJA. Na tarde de sexta-feira, o hospital emitiu um comunicado segundo o qual o estado de saúde de Maria Rita era estável.


Foto Azul Ltda
Eraldo Platz
Maria Rita em março do ano passado e depois
de contrair câncer: da pélvis para o cérebro

Esta não é a primeira vez que a tragédia se abate sobre familiares de Roberto Carlos. Sua primeira mulher, Cleonice Rossi, a Nice, morreu em 1990 depois de extirpar um tumor maligno da mama. Recém-separado da atriz Miriam Rios, o cantor acompanhou passo a passo o tratamento de Nice. Quando o câncer tomou o pulmão e seu estado de saúde piorou, ele também fez vigília a seu lado, no mesmo Hospital Albert Einstein. Nice faleceu em seus braços. Com ela, Roberto teve dois filhos, Roberto Carlos II, o Segundinho, e Luciana. Nice tinha uma filha, Ana Paula, de uma união anterior. Segundinho, hoje com 30 anos, nasceu com um tipo de glaucoma de difícil tratamento. Hoje, ele tem apenas 10% de visão em um dos olhos e precisa andar sempre guiado por alguém. Há nove anos, um câncer de mama matou também Maria Lucila Torres, mãe de Rafael Carlos, que Roberto reconhecera semanas antes como seu filho diante do resultado positivo de um exame de DNA. Quando Lucila contraiu a doença, morava com Rafael e outros dois filhos num apartamento de quarto e sala na Baixada do Glicério, uma área quase miserável do centro de São Paulo. Roberto providenciou sua mudança para um apartamento no bairro nobre de Higienópolis.


Luizinho Rocha
Roberto nos anos 70 com
a ex-mulher Nice e os filhos:
ela também foi consumida
pelo câncer
Segundinho: 10%
da visão em apenas
um dos olhos

Diante das adversidades, a primeira reação de Roberto Carlos é evocar a ajuda divina. O cantor sempre foi católico praticante e, nos últimos tempos, com a doença de Maria Rita, tem demonstrado sua fé em público com freqüência cada vez maior. Desde que a doença se manifestou, ele participou de seis megaeventos religiosos, cantando para multidões músicas como Nossa Senhora, Jesus Cristo e Cura, Senhor. O último deles foi a missa especial do Dia de Finados, que reuniu 600.000 pessoas diante do padre Marcelo Rossi nas proximidades do Santuário do Terço Bizantino, em São Paulo. Há oito meses, o cantor lançou o disco Mensagens, reunindo todas as músicas religiosas que compôs até hoje. Agora, no quarto onde Maria Rita está internada, as únicas visitas permitidas, fora do círculo familiar, são as dos padres Marcelo Rossi, Antônio Maria (confidente de Roberto há muitos anos) e Jorjão (da paróquia de Ipanema, no Rio de Janeiro). Segundo os amigos, só com os padres Roberto encontra conforto para seu sofrimento. Para se ter uma idéia do estado de espírito do cantor, basta dizer que ele cancelou as gravações do especial de fim de ano na Rede Globo, programa que se repete há 25 anos. Ele também cancelou todos os shows que tinha agendado e as gravações de seu disco anual. No lugar dele, sua gravadora acaba de lançar uma coletânea com músicas antigas cobrindo várias fases de sua carreira.

Roberto Carlos e Maria Rita estão casados há três anos, mas a identificação entre os dois é bem mais antiga. O cantor foi apresentado a ela num show no interior de São Paulo, em 1977, pela enteada, Ana Paula. Ambas foram colegas de escola. Maria Rita tinha apenas 16 anos e Roberto se encantou com ela. No dia seguinte, mandou-lhe flores. O pai da jovem, no entanto, não gostou nem um pouco de ver a filha adolescente sendo cortejada por um quarentão, ainda por cima recém-desquitado. Voltaram a se encontrar catorze anos depois, em outro show no interior paulista, e dessa vez o namoro engatou. O inferno de Maria Rita começou em setembro do ano passado. Ela foi internada com disfunção renal grave, sofreu uma cirurgia e passou um mês em observação. Veio a notícia: era câncer. Onze meses depois, após tratar-se com quimioterapia e radioterapia, comemorou a cura anunciada pelos médicos. No final de setembro, porém, a doença voltou a atacar, dessa feita com intensidade devastadora. Para Roberto, agora, tudo está nas mãos de Deus.