Edição 1884 . 15 de dezembro de 2004

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Fé no mouse e pé na tábua

Nova versão de jogo de computador permite
simular rachas e encher o carro de acessórios


José Edward

Divulgação
Carrão: acessórios são conquistados a cada etapa

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Depois do sucesso mundial do Counter-Strike, o jogo de computador politicamente incorreto em que os usuários podem escolher armas pesadas num variado arsenal para liquidar os adversários, a sensação da atual temporada é um game que simula uma transgressão comum no submundo das grandes cidades: os rachas de rua com carros turbinados. Diferentemente dos joguinhos de corrida e velocidade tradicionais, nos quais os jogadores pilotam virtualmente carrões esportivos previamente equipados, como Ferrari e Porsche, no Need for Speed Underground 2, que acaba de chegar às lojas e lan houses, é possível transformar simples carros de passeio em máquinas possantes. Até o modesto Corsa está disponível para essas adaptações.

A primeira versão da série Need for Speed foi lançada em 1995 e tinha poucas diferenças em relação aos demais jogos do gênero. No ano passado, a multinacional americana Electronic Arts, fabricante do produto, mudou radicalmente o perfil do game, pegando carona no sucesso do filme Velozes e Furiosos. A exemplo do que ocorre na fita, o cenário é o universo underground de uma cidade, no qual aficionados de velocidade equipam suas máquinas para disputar corridas noturnas, popularmente conhecidas como rachas ou pegas. Em menos de um ano, foram vendidos cerca de 5 milhões de cópias do jogo em todo o mundo, superando outros lançamentos da produtora, como O Senhor dos Anéis e Harry Potter.

A recém-lançada versão 2 do Need for Speed Underground deixou as corridas virtuais ainda mais emocionantes e parecidas com as do mundo real. A principal novidade é que, ao contrário da edição anterior, na qual o jogador aperta uma tecla e entra diretamente numa pista pré-selecionada, agora ele tem a possibilidade de se deslocar pelas ruas de uma cidade à procura de concorrentes para os pegas. No meio do caminho, pode também ser desafiado por outros aventureiros, e os rachas acabam ocorrendo a qualquer momento. Os pilotos virtuais têm à disposição 180 percursos.

Paulo Giandalia
Thiago Ohara: até quatro horas por dia praticando o jogo


À medida que vai vencendo corridas, o jogador acumula dinheiro para adquirir acessórios e equipamentos que lhe permitem turbinar e personalizar o carro – uma moda conhecida no meio como tuning (afinar ou aperfeiçoar, em inglês). Além de modificações estéticas – como pinturas estilizadas, frisos com luzes de neon e rodas com aros de desenho arrojado –, é possível ajustar uma série de itens de performance, como injeção eletrônica e suspensão, ou adicionar outros, como turbo e válvula de nitro, para envenenar o motor. "O jogador pode fazer mais de 70 bilhões de combinações", afirma Adriana Neves, gerente de produto da Electronic Arts no Brasil. "Isso garante que cada participante do jogo tenha um carro único."

O jogador conquista o direito de usar alguns acessórios também quando se revela um bom piloto. Basta, por exemplo, trocar as marchas no momento certo ou realizar ultrapassagens bem-feitas. Além dos upgrades mecânicos e visuais, é possível personalizar o interior do automóvel – instalar megaalto-falantes no porta-malas, por exemplo. A trilha sonora é outra atração. Ao todo, são 26 opções de música nos estilos hip hop, tecno e rock alternativo, que podem ser programadas ao longo das jornadas. Para os marmanjos, um dos atrativos é a onipresença na tela da estonteante modelo americana Brooke Burke, ex-apresentadora do programa Wild On, do canal de TV a cabo E! (Entertainment Television). Ela é uma espécie de agenciadora das corridas e dá dicas sobre como os jogadores podem se tornar campeões.

O Need for Speed Underground 2 permite que até quatro jogadores disputem corridas em rede e traz como inovação a possibilidade de comunicação entre usuários de computador e de videogames do tipo PlayStation 2. Para avançar na competição e conseguir acesso aos torneios com prêmios maiores, o jogador precisa vencer o máximo de provas, sobretudo as mais perigosas. Conforme se destaca, pode até virar capa de revistas especializadas em tuning. "Como não tem regras fixas, esse jogo proporciona uma emoção atrás da outra", entusiasma-se o estudante paulista Thiago Ohara, de 19 anos, que chega a passar quatro horas por dia na frente do computador como piloto virtual. O preço do jogo, 100 reais, não foge à média do mercado, mas o computador que ele exige para render tudo o que pode não é nada simples: precisa ter pelo menos placa aceleradora de vídeo de 3D de 32 megabytes e 2 gigabites de espaço livre no disco rígido.

 
 
 
 
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